Gancci Saintelus não se lembra da tragédia.
Ele tinha 5 anos quando um terremoto devastador de magnitude 7,0 atingiu o Haiti em 12 de janeiro de 2010, deixando 220 mil mortos e 300 mil feridos, informou a NPR [em inglês].
O complexo de apartamentos de três andares da família Saintelus desabou sobre Gancci, seus dois irmãos mais novos e um zelador. O pai das crianças, Olghen, estava no trabalho, e a mãe, Soline, estava na capela da Ala Centrale, se reunindo com o bispo sobre um novo chamado, informou o Church News [em inglês].
Temendo o pior, Olghen e Soline esperaram enquanto as equipes de busca vasculhavam os escombros. Depois de 10 horas agonizantes, as equipes de resgate ouviram música: era Gancci cantando músicas da Primária. Ele, seus dois irmãos e o zelador estavam milagrosamente vivos, os únicos sobreviventes do prédio que desabou.
Mas os ferimentos de Gancci eram graves e precisavam de atenção imediata. Infelizmente, havia se passado mais 12 horas até que ele fosse levado de avião para Miami, Flórida, onde os médicos do Hospital Infantil Holtz amputaram seu braço direito.
A operação ajudou a salvar sua vida, e toda a família Saintelus logo se reencontrou na Flórida.
Agora, mais de 14 anos depois, Gancci está retornando ao estado onde foi curado, para servir como missionário de tempo integral. O futuro élder Saintelus aceitou recentemente um chamado para a Missão Flórida Tampa e será designado em 23 de junho.
Embora Gancci não se lembre das consequências do terremoto, seus pais se lembram disso vividamente, desde o medo de perderem os filhos até o choque com a notícia de que o braço de Gancci precisava de amputação.
Mas eles também se lembram de como Gancci estava calmo, como ele cantava e orava enquanto esperava pela equipe de resgate, certo de que seus pais estavam vindo buscá-lo.
Aquela simples fé ainda é um exemplo para sua família.
“Independentemente do momento que enfrentamos nesta jornada… a fé no Senhor sempre será o mais importante”, Olghen Saintelus disse. “Não deixemos [nossa] fé ser comprometida. E o Senhor certamente pode responder no momento certo. Precisamos apenas bater [à Sua porta].”

‘Milagres ainda existem’
Saintelus, que falou em nome da família para que Gancci pudesse manter o foco em seus preparativos missionários, compartilhou o apoio da comunidade de Miami, enquanto Gancci se recuperava e a família Saintelus dava seus próximos passos.
Gancci logo recebeu uma prótese de braço, e Olghen Saintelus, que estava em processo de solicitação de green card antes do terremoto, trabalhou na obtenção de residência legal para sua família. Saintelus acabou se tornando cidadão norte-americano, uma designação estendida a seus filhos por serem menores de idade.
Os Saintelus se mudaram para Utah em 2011, onde moram desde então. Mais tarde, eles também tiveram mais dois filhos em sua família.
Olghen Saintelus disse que Gancci mostrou notável resiliência na adaptação à vida depois de perder o braço. “Ele realmente é mais forte emocionalmente do que nós, como pais.”
Hoje em dia, Gancci é um jovem fiel e otimista, de profunda integridade, que ama o evangelho, sua família e joga futebol, disse Saintelus. Gancci também é um excelente aluno que completou recentemente seu primeiro ano na Universidade Brigham Young e planeja estudar Administração de Empresas quando retornar à universidade, após sua missão.
No que diz respeito à sua missão, Saintelus disse que a mentalidade de Gancci é fazer tudo o que o Senhor lhe pedir. A família é “muito, muito grata” porque o braço perdido de Gancci não o limita de servir em tempo integral.
“As adversidades, provações, fardos, bênçãos, prazeres, todos eles fazem parte do teste”, disse Saintelus, acrescentando: “A graça e a misericórdia do Senhor são reais e os milagres ainda existem.”

