Quando eu era um diácono, meus pais me deram um machado novinho em folha. Ele tinha um cabo de madeira lindamente envernizado, uma lâmina de aço afiada e, é claro, uma capa de couro para a lâmina. Eu tinha 12 anos. O que poderia dar errado?
Quando levei meu machado para um acampamento, meu sábio líder dos Rapazes reuniu todos os jovens ao redor de si e disse: “Quero mostrar a vocês como usar um machado para que não se machuquem”. Ele encontrou um tronco seco para cortar e se ajoelhou em sua frente, posicionando o tronco perpendicularmente. Então, se certificando de que ninguém estava no caminho do machado atrás ou na frente, ele começou a nos mostrar como cortar um tronco em um padrão de “V”, e como balançar o machado de tal forma que nunca atingíssemos nossas próprias pernas ou tíbias, mesmo que não acertássemos a madeira.
Durante todo o acampamento, compartilhamos aquele machado, à medida que cada um dos rapazes cortava lenha animadamente usando sua nova habilidade. Quando cheguei em casa do acampamento, eu ainda tinha meu machado, mas também tinha adquirido uma competência, a habilidade de fazer algo com sucesso ou eficiência.
Elogios são maravilhosos, todos nós os amamos e precisamos deles de tempos em tempos, mas as competências são ainda melhores. Se realmente queremos desenvolver um sentimento apropriado de autoestima em um rapaz, ofereça mais do que elogios. Dê-lhe competências.
Se elogios fossem o suficiente por si só, poderíamos simplesmente criar uma lista de reprodução com uma mensagem em áudio dizendo “Você é ótimo, você é incrível, você é especial”, e fazer com que ela fosse repetida em um ciclo infinito. Mas ouvi-la durante 24 horas por dia não daria ao jovem nenhuma habilidade ou competência – provavelmente, apenas uma dor de cabeça.
Élder D. Todd Christofferson, do Quórum dos Doze Apóstolos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ensinou sobre o papel dos mentores na edificação dos rapazes.
“É uma aspiração maravilhosa a de um menino tornar-se homem, forte e capaz; alguém que pode edificar e criar coisas, administrar coisas; alguém que faz a diferença no mundo”, ele disse em sua mensagem intitulada “Sejamos homens”, na conferência geral de outubro de 2006. “É uma aspiração maravilhosa para nós, os mais velhos, termos o comportamento esperado de um homem de verdade e sermos modelos para os que nos veem como exemplo.”
Imagine as possibilidades. E se, no processo das muitas reuniões dos Rapazes, reuniões dominicais do quórum, atividades durante a semana, acampamentos de verão e conferências, além de aprender o evangelho de Jesus Cristo, cada rapaz estivesse construindo uma lista cada vez maior, de competências em muitas áreas?
Um quórum do Sacerdócio Aarônico no sul de Utah, com a contribuição dos pais, líderes e, é claro, dos próprios rapazes, fez um planejamento sobre todas as competências que eles achavam que cada rapaz precisava para se tornar, como o tema do Quórum do Sacerdócio Aarônico sugere, um “missionário diligente, um marido fiel e pai amoroso”.
A lista dos rapazes incluía uma ampla gama de competências, desde passar uma camisa até preparar uma refeição em uma panela elétrica, e desde dirigir uma reunião até realizar uma entrevista de emprego. De manutenção básica de carros a cumprimentar os pais de uma moça em um encontro, e até lavar roupa para que as cores não manchem. E de criar uma apresentação em PowerPoint até comprar ações fracionadas. Quanto mais longa a sessão de planejamento durava, mais animados os rapazes ficavam.
Os líderes ficaram especialmente satisfeitos ao verem os sacerdotes se voluntariarem para ensinar os diáconos as competências que eles aprenderam. Eles também notaram que, as oportunidades de serviço e ministração eram mais emocionantes para os rapazes, quando eles podiam realmente praticar suas novas habilidades.
Continuaremos a elogiar nossos rapazes, é claro. E um dia, como todos esperamos, cada um desses rapazes será chamado para servir uma missão e ajudar a coligar Israel. Eles deixarão seu machado em casa, mas seus novos líderes de missão serão gratos por cada um deles ter trazido consigo uma coleção de competências.

