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Meio coração, muita esperança: A jornada de um receptor de transplante de 10 anos

‘Fiquei triste porque a pessoa faleceu tão cedo, e fiquei feliz porque recebi um coração tão cedo’, diz Ridge Petersen

Disponível em:Inglês

Nascido em 14 de abril de 2015 com a síndrome do coração direito hipoplásico, uma condição cardíaca rara e grave, Ridge Petersen tem enfrentado uma jornada nada comum.

A síndrome do coração direito hipoplásico significa que o lado direito do coração de Ridge não se desenvolveu adequadamente. Em essência, Ridge nasceu com apenas metade do coração funcionando. Desde o momento do diagnóstico, seus pais sabiam que o caminho pela frente seria desafiador.

Ridge é o terceiro dos seis filhos de Tagg e Katie Petersen, que residem em Dallas, Texas.

Com Ridge passando de meio coração para um novo coração, membros da ala, estaca e comunidade se uniram em torno do menino de 10 anos.

Em abril de 2025, menos de cinco meses após sua cirurgia de transplante de coração, Ridge Petersen — mostrando as cicatrizes de seu procedimento — pôde voltar à escola e à igreja em Dallas, Texas.
Em abril de 2025, menos de cinco meses após sua cirurgia de transplante de coração, Ridge Petersen, mostrando as cicatrizes de seu procedimento, pôde voltar à escola e à igreja em Dallas, Texas. | Provided by Tagg Petersen

Os primeiros anos

Os pais de Ridge foram notificados sobre sua condição cardíaca em 1º de dezembro de 2014, cinco meses antes de seu nascimento.

“Descobrimos quando eu ainda estava grávida”, lembra Katie Petersen. “Então, pudemos nos planejar adequadamente, pois eu teria que dar à luz em um hospital diferente para que ele pudesse receber os cuidados de que precisava imediatamente.”

Com apenas seis dias de vida, Ridge passou por sua primeira cirurgia de coração aberto no Hospital Infantil Medical City de Dallas. Mais dois procedimentos invasivos de coração aberto se seguiram: um aos seis meses e outro aos 3 anos. Essas cirurgias visavam reconfigurar o sistema circulatório de Ridge para funcionar exclusivamente com o lado esquerdo do coração.

“Foi assustador”, disse Katie Petersen. “Mas sabíamos que Deus estava conosco a cada passo do caminho.”

Enquanto Ridge dava uma entrevista ao Church News, ele sorriu, explicando que usou a máquina coração-pulmão várias vezes enquanto crescia.

Presidente Russell M. Nelson, Presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, trabalhou em Minnesota, na equipe de pesquisa que desenvolveu a máquina coração-pulmão, que permitiu a primeira cirurgia de coração aberto usando circulação extracorpórea.

Em 1955, Presidente Nelson foi nomeado pelo Dr. Philip B. Price, como professor assistente de cirurgia na Universidade de Utah. Enquanto trabalhava nessa função, Presidente Nelson construiu sua própria máquina de circulação extracorpórea.

No ano passado, Ridge escreveu uma carta de agradecimento a Presidente Nelson por sua pesquisa inovadora.

Embora a vida seja difícil, os Petersens têm conseguido encontrar aspectos positivos e ternas misericórdias como esta ao longo do caminho.

A necessidade de um novo coração

Ridge Petersen descansa após receber seu novo coração em janeiro de 2025, em Dallas, Texas.
Ridge Petersen descansa após receber seu novo coração em janeiro de 2025 em Dallas, Texas. | Provided by Sharisa Lewis

À medida que Ridge crescia, sua saúde pareceu estável por um tempo. Mas tudo mudou na véspera de Ano Novo de 2023, quando ele tinha 8 anos. Sua saúde, que parecia estabilizada por tanto tempo, começou a declinar rapidamente.

A princípio, Ridge não entendeu completamente a gravidade do que estava acontecendo. Mas então seus pais lhe deram a notícia: Ridge precisaria de um transplante de coração.

“Quando descobri o que era um transplante de coração, fiquei preocupado”, admitiu Ridge.

No hospital, os médicos explicaram à família que não era uma questão se Ridge precisaria de um transplante ou não: era uma questão de quando. Os medicamentos que mantinham seu coração batendo poderiam funcionar por meses ou até anos, mas eventualmente falhariam.

Tagg Petersen relembrou o quão incerto tudo parecia para seu filho e família, dizendo: “Os remédios podem funcionar até não funcionarem mais, então poderia ser seis meses, poderia ser 10 anos.”

Os Petersens não queriam se concentrar muito no transplante por causa dessa incerteza. Mas, com a piora do estado de saúde de Ridge no verão passado [no hemisfério norte], eles tiveram que encarar a realidade e começaram a visitar centros de transplante.

Seus pais tentaram protegê-lo do peso da situação o máximo possível, mas Ridge finalmente entendeu a realidade de sua condição.

“Quando descobri que precisaria de um transplante de coração muito em breve, foi assustador”, disse Ridge.

A família se apoiou na fé, enquanto enfrentava um dos momentos mais difíceis de suas vidas. Eles oraram por orientação enquanto pesquisavam diferentes hospitais, tentando decidir em qual confiar para o transplante.

Finalmente, uma resposta veio de uma forma extraordinária. Katie Petersen descobriu que estava grávida. Isso os ajudou a “definirem quem seria sua equipe de transplante”, já que precisavam ficar perto de Dallas.

“No começo, pensei: ‘Este é o pior momento’, porque assim que descobri que estava grávida, questionei: ‘Como lidar com um parto e um transplante de coração ao mesmo tempo?’”, disse ela. “Mas então, percebi que não seriam ao mesmo tempo, e as chances disto ocorrer eram muito baixas.”

Tagg Petersen explicou: “Nós nos reunimos com a equipe de transplante de Dallas, no Centro Médico Infantil de Dallas, e acho que, quando tomamos a decisão, ficamos muito tranquilos, sabendo que era lá que ele receberia o melhor atendimento.”

Em 29 de outubro de 2024, aos 9 anos, Ridge foi oficialmente adicionado à lista de transplantes de coração. Foi-lhes dito que a espera seria de um a dois anos.

Ridge disse que sua equipe de transplante foi “muito gentil e prestativa”, muitas vezes lhe trazendo Legos e monster trucks de brinquedo, nos momentos mais difíceis.

Quando a fé encontra o medo

A família Petersen posa em frente a um edifício da igreja em Dallas, Texas, em 30 de março de 2025.
A família Petersen posa em frente a uma capela da igreja em Dallas, Texas, em 30 de março de 2025. | Provided by Tagg Petersen

Os Petersens precisavam de ajuda, onde quer que pudessem encontrá-la.

“É uma experiência humilde pensar que você está em uma situação em que não consegue superá-la sem recorrer a outras pessoas”, disse Tagg Petersen. “Nossa ala e nossa estaca, na verdade toda a nossa comunidade, se uniu de muitas maneiras.”

Katie Petersen acrescentou: “Durante todo esse tempo, não acho que poderíamos ter sobrevivido sem nossa ala.”

Sara Gividen, irmã ministradora de Katie Petersen, explicou que, ao servir a família, ela “sentiu um vislumbre do profundo amor e consciência do Pai Celestial.”

Ela disse: “Tem sido lindo ver nossa comunidade se unir ao céu para apoiar a família [de Ridge], por meio da oração e do serviço. Ao ministrar à família Petersen com outras pessoas, senti o Espírito nos guiar para saber como apoiá-los.”

Katie Petersen acrescentou: “Refeições e mantimentos simplesmente apareciam, como se todos estivessem ajudando da maneira como podiam... Sinto que toda a nossa ala e estaca estavam muito envolvidas conosco e com ele, ajudando a aliviar nossos fardos de todas as maneiras possíveis.”

E esses fardos pareciam só aumentar. Ridge também havia sido diagnosticado com diabetes e enteropatia perdedora de proteínas no início daquele ano.

O peso desses diagnósticos teve um impacto emocional, especialmente em Ridge. Embora ele frequentemente enfrentasse seus problemas de saúde com coragem, a realidade de precisar de um transplante de coração era assustadora. Tagg Petersen se lembrou de algumas das conversas difíceis que tiveram durante esse período.

“Uma noite, quando estava indo para a cama, Ridge disse: ‘Sabe, eu sei que não deveria pensar assim, mas se eu fizer um transplante de coração, posso dormir e não acordar. Posso morrer’”, lembrou Tagg Petersen.

Os pais de Ridge explicaram que a sinceridade dos medos de Ridge era de partir o coração. Eles se viram tendo conversas que consideravam pesadas demais para um menino. Questionaram como explicar a um menino de 9 anos que os riscos são reais, mas que a esperança ainda existe.

A fé também se tornou um tema de conversas complexas. “Ridge perguntava: ‘O Pai Celestial deveria ser amoroso e gentil. Por que Ele continua permitindo que todas essas coisas aconteçam comigo?’”, disse Tagg Petersen.

Equilibrar a logística dos atendimentos médicos com o peso emocional e espiritual dessas questões era exaustivo. “Era muito difícil emocional e mentalmente, além de cuidar das necessidades físicas”, acrescentou.

Entendendo o que significaria receber um coração doado, Ridge costumava orar pelo doador, disse sua mãe.

“Ele orava para que a pessoa que doaria seu coração estivesse tendo uma vida realmente boa”, disse Katie Peterson. “Ele entendia, e nós entendíamos, que a pessoa teria que dar a vida para Ridge ter o coração que ele precisa para sobreviver.”

Um milagre de Natal

Por volta das 5 da manhã do dia 27 de dezembro de 2024, os pais de Ridge acordaram com um telefonema explicando que um coração estava pronto.

Apenas dois meses antes, eles foram informados de que a espera seria de até dois anos, então não pensaram que isto pudesse acontecer. Katie Petersen explicou que, ao acordar a família, eles estavam emocionados, chocados e em lágrimas.

“Todos nós nos sentamos para uma oração em família por Ridge e pela família que acabou de perder seu filho”, disse ela.

Para Ridge e sua família, foi uma experiência agridoce. Ridge explicou: “Fiquei triste porque a pessoa faleceu tão cedo, e fiquei feliz porque recebi um coração tão cedo.”

Katie Petersen admitiu se sentir sobrecarregada com o transplante inesperado acontecendo menos de um mês antes da data prevista para o nascimento do bebê.

“Sério, eu nem diria felicidade porque você fica tipo, o quê? Em seguida senti pura tristeza, porque entendi o que outra família estava passando naquele exato momento”, disse ela. “E aí fiquei com o coração partido e chorando por isso. E então pensei: ‘Nossa! Teremos um bebê em 3 semanas.’”

Ajuda, amor e apoio extraordinários

A família Petersen após Katie Petersen dar à luz seu filho mais novo em Dallas, Texas, em janeiro de 2025.
A família Petersen posa para uma foto, após Katie Petersen dar à luz seu filho mais novo em Dallas, Texas, em janeiro de 2025. | Provided by Tagg Petersen

Com o Natal, um transplante de coração e um bebê a caminho, parecia um momento difícil para os Petersens. Mas no final, não poderia ter sido melhor.

Katie Petersen disse: “Como isto aconteceu logo depois do Natal, Tagg tinha bastante dias de folga do trabalho. E sua família estava por perto, por causa das férias escolares. Meus pais puderam vir. Minhas irmãs também vieram, porque seus filhos não estavam na escola. Então, tivemos muita ajuda e muitas pessoas aqui para nos ajudar a administrar tudo.”

No domingo após o transplante, a ala de Ridge até dedicou o jejum do domingo de jejum a ele.

“Naquele domingo de jejum, quando eles estavam jejuando por Ridge, eles transmitiram a reunião de jejum e testemunho on-line”, disse Tagg Petersen, acrescentando: “Vários testemunhos eram de pessoas testificando que Deus é um Deus de milagres e que elas sabem que Deus pode curar e ajudar, e foram muitas menções e orações por Ridge.”

Muitos colegas da classe de Ridge na Primária estavam especialmente preocupados. Muitos compartilharam seu testemunho no púlpito naquele domingo.

Sorrindo, Ridge explicou que muitas crianças da Primária lhe enviaram cartões e vídeos enquanto ele estava hospitalizado.

Unindo a comunidade

Após 18 dias de cuidados intensivos no hospital, Ridge pôde voltar para casa, dois dias antes de Katie Petersen dar à luz seu próximo filho. Nesse período, Tagg Petersen teve licença-paternidade, o que lhe permitiu estar presente, tanto para o bebê, quanto para o filho em recuperação.

Agora, meses depois, Ridge pôde retornar à escola.

Tagg Petersen disse: “A comunidade se uniu em torno dele. Quando ele voltou à escola, a escola inteira fez uma festa de boas-vindas. A turma inteira ganhou camisetas com o nome ‘Ridge’.”

Katie Petersen prestou testemunho da ajuda individual que cada pessoa foi capaz de oferecer. Ela citou Élder Dieter F. Uchtdorf, do Quórum dos Doze Apóstolos, que convidou os santos dos últimos dias a “magnificarem o chamado que têm”, e que cada pessoa tem “uma tarefa importante que só [ela] pode realizar.”

“As pessoas simplesmente serviram da maneira que puderam, e precisávamos de tudo isso, de maneiras que não sabíamos que precisávamos”, disse ela.

Gividen acrescentou: “Foi inspirador para mim assistir a este milagre acontecer para a família Petersen. Minha fé se fortaleceu ao ver como eles sempre escolheram responder com fé a todas as incertezas e desafios que enfrentaram.”

O que vem a seguir para Ridge

Katie Petersen explicou que eles “não sabem exatamente como será o futuro” de Ridge ou de seu coração.

“O tempo médio para um transplante de coração é de 18 anos atualmente”, disse ela, acrescentando: “Dizem que a cada década esse número aumenta devido aos avanços médicos, então não sabemos exatamente como será o futuro em termos desse coração durar para sempre.”

Embora incerto, Tagg Petersen disse que Ridge tem grandes planos para o futuro e está determinado a não deixar que isto o atrapalhe.

Ridge interveio e disse: “Eu realmente quero ser motorista de monster trucks. Também quero ser médico.” Ele compartilhou que também está animado para servir missão algum dia, seja qual for o seu destino.

Ridge Petersen, segundo da direita, está com dois de seus irmãos na frente de um monster truck em 8 de março de 2025, em Arlington, Texas.
Ridge Petersen, segundo à direita, com dois de seus irmãos na frente de um monster truck em 8 de março de 2025, em Arlington, Texas. | Provided by Tagg Petersen

A trajetória singular de Ridge uniu sua família. Ele disse que seus irmãos cuidaram dele e foram bondosos durante seus dias mais difíceis.

Mas esta jornada não uniu apenas sua família terrena. Katie Petersen acredita que familiares que já faleceram também estiveram presentes ao longo do caminho.

“O véu tem sido fino, e não apenas o Pai Celestial tem estado ao nosso lado, mas sinto que toda a nossa família”, disse ela, acrescentando: “Recebemos muita ajuda de ambos os lados do véu, e acho que às vezes sentimos isso melhor em situações como esta.”acho que às vezes você sente isso mais em ambientes como este.”

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