“É culpa da minha mãe!”
Estas são as palavras que ouvi de um dos rapazes em nossa trilha de aventura, quando ele percebeu que não tinha algo que queria.

“Por que é culpa dela?” eu perguntei.
“Porque ela arrumou minha mochila”, disse o jovem.
Decidi fazer um trabalho melhor explicando aos rapazes, e a alguns pais bem-intencionados, que era tarefa dos meninos arrumar a própria mochila. Talvez eles tenham que aprender com alguns erros, mas aprenderiam a assumir seus próprios erros.
É claro que eu não queria que os rapazes fracassassem de forma improdutiva. Eu supervisionaria sua preparação, mas sabia que era essencial confiar e capacitá-los com responsabilidades reais, para seu aprendizado e crescimento. É mais fácil para um líder ou pai arrumar a mochila de um rapaz? Sim, mas o que os rapazes aprendem com isso?
O objetivo nem sempre é uma mochila bem arrumada. É um jovem bem ensinado. Basta perguntar a Néfi, Mórmon, aos guerreiros de Helamã e outros jovens nas escrituras, que receberam grandes responsabilidades em tenra idade.
Carol Dweck, professora de Psicologia da Universidade de Stanford, foi pioneira no estudo das mentalidades fixa e de crescimento. Em essência, aqueles com uma mentalidade de crescimento acreditam que suas habilidades podem ser aumentadas, ao se esforçarem para aprenderem e se desenvolverem. Rapazes que são desafiados e recebem responsabilidades reais aprendem que seus esforços compensam. Eles também experimentam fracassos produtivos, o que reformula a luta como uma oportunidade, e não uma ameaça.
Em contrapartida, os jovens que são pouco desafiados podem internalizar a mensagem de que não são capazes ou necessários. Proteger os rapazes de coisas difíceis cria fragilidade, porque eles nunca aprendem que podem se adaptar ou se recuperar.

Nas reuniões de presidência e nos conselhos de jovens, os rapazes estão recebendo responsabilidades significativas?
Os líderes estão comunicando confiança ao permitir que os rapazes enfrentem preocupações reais e gerem soluções por conta própria?
Os líderes estão lembrando de fazer o acompanhamento com apoio “estruturado” — assistência temporária e ajustável de acordo com a necessidade, como os andaimes em um edifício em construção?
Líderes ajudam a formar jovens responsáveis proporcionando encorajamento (“Você consegue”), treinamento (“Pense com antecedência”), feedback (“Bom trabalho”) e facilitando a reflexão (“O que deu certo? O que não deu tão certo?”).
Encaminhe os rapazes para os recursos encontrados na Biblioteca do Evangelho. Na seção "Jovens“, você encontrará ”Auxílios para presidências“, que contêm valiosas ”Lições para a liderança“, e ”Documentos de planejamento“ que oferecem ferramentas e treinamento para os jovens.
Não se afaste de atividades que exigem esforço extra. Uma vez, quando eu servia como presidente de missão em Camarões, perguntei a um de nossos missionários: “Como você está lidando com os rigores de uma missão na África Subsaariana?”

Ele respondeu: “Porque eu me preparei, lutei e eventualmente tive sucesso em completar uma trilha de 50 milhas [cerca de 80 quilômetros) quando jovem.”
O Salvador aprendeu através da experiência mais difícil de todas. Ao realizar a Expiação, Ele sofreu “segundo a carne” para poder nos entender e elevar em nossas enfermidades. Em Alma 7:12-13 lemos: “[Jesus] tomará sobre si ... suas enfermidades, para que se lhe encham de misericórdia as entranhas, segundo a carne, para que saiba, segundo a carne, como socorrer seu povo, de acordo com suas enfermidades. Ora, o Espírito sabe [de] todas as coisas; não obstante, o Filho de Deus padece segundo a carne para tomar sobre si os pecados de seu povo”.
— O irmão R. Todd Miner é membro do conselho consultivo geral dos Rapazes.
