Recentes eventos em comemoração ao 70º aniversário da Igreja na nação insular de Fiji, no Pacífico Sul, tiveram seu início no único templo que abençoa o país.
Três dias de eventos, incluindo uma celebração cultural, atividades esportivas, jogos e um devocional regional dominical, começaram no Templo de Suva Fiji, onde os santos dos últimos dias de todas as quatro estacas do país se reuniram da manhã à noite para realizarem ordenanças.

Élder Taniela B. Wakolo nasceu e foi criado em Fiji e se filiou à Igreja em 1994. Poucos meses após seu batismo, aceitou o chamado para servir como presidente de ramo. Tornou-se o primeiro fijiano a servir como Setenta de Área, líder de missão e agora como Setenta Autoridade Geral.
Ao relembrar a história e o crescimento de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em seu país natal, Élder Wakolo, que serve atualmente como primeiro conselheiro na presidência da Área Pacífico, vê a construção e a dedicação de uma casa do Senhor no país como seu maior marco.
“Isto realmente nos ajudou a ampliar nossa visão”, disse Élder Wakolo sobre a dedicação do templo. “A casa do Senhor ali realmente nos ajudou a focarmos mais na eternidade.”
Na mensagem de Presidente Russell M. Nelson em Suva, durante seu Tour de Ministério no Pacífico em 2019, o Profeta encorajou os santos em Suva a servirem no templo.
“O Senhor abrirá os céus e derramará bênçãos”, prometeu ele.
Presidente e irmã Nelson também expressaram seu amor pelo povo de Fiji. “Gostaria de agradecer por sua grande fé”, disse ele.

Sobre Fiji
A República de Fiji é composta por mais de 300 ilhas espalhadas por cerca de 2,5 milhões de quilômetros quadrados. Cerca de 100 delas são habitadas. Suva, a capital do país e onde o templo está localizado, fica na costa sudeste da maior ilha, Viti Levu, que significa “Grande Fiji”.

Um artigo publicado na revista “Liahona” de 1993, cita Élder Glen L. Rudd, Setenta Autoridade Geral, que serviu extensivamente no Pacífico, dizendo: “Deus criou Fiji em um dos seus dias mais felizes.”
Formadas principalmente por vulcões antigos, as ilhas principais conservam montanhas imponentes que dão lugar a planaltos, planícies costeiras e praias de areia branca, orladas por recifes de corais, rochas e bancos de areia. Mais da metade de sua extensão territorial é coberta por densa floresta, com frutas, vegetais e flores tropicais.

“Quase tudo que você planta, cresce”, observou Élder Wakolo. Embora Fiji ainda seja um país em desenvolvimento, “ninguém deveria passar fome”, disse ele.
A letra em inglês do hino nacional, que tem versos em fijiano, hindi e inglês, inclui o verso: “Concede bênçãos, ó Deus das nações, nas ilhas de Fiji, praias de areia dourada e sol, felicidade e canção.”
O país se orgulha de ter um povo acolhedor, feliz e generoso, disse Élder Wakolo. “A hospitalidade é genuína. São pessoas muito gentis. Mesmo que tenham apenas um pequeno prato de comida para comer, se você passar por elas, elas o chamarão e o convidarão para comer com elas.”


Elas também são inerentemente espirituais. “Há uma igreja em cada aldeia”, disse Élder Wakolo.
Embora a maioria dos fijianos seja metodista ou hindu, é fácil falar com eles sobre a plenitude do evangelho restaurado de Jesus Cristo, “porque eles já estão vivendo muitas partes do evangelho em suas vidas diárias e até mesmo em suas famílias”, disse Élder Wakolo.
História da Igreja em Fiji
Ao contrário de outras ilhas do Pacífico Sul, como a Nova Zelândia e a Polinésia Francesa, cujas raízes remontam aos primeiros dias da Restauração, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias só chegou a Fiji na década de 1920, quando Mele Vea Ashley, uma conversa tonganesa, imigrou para lá com seus filhos.
Nos 20 anos seguintes, mais alguns membros vieram de Samoa, criando um núcleo para o primeiro ramo em Fiji, organizado em 1954, quando missionários da Missão Samoana foram designados para servirem lá. Naquela época, 14 santos dos últimos dias se reuniam em um salão alugado na capital, Suva.

A partir daí, a Igreja começou lentamente a se espalhar pelas ilhas de Fiji. Em 1972, o primeiro grupo de santos dos últimos dias de Fiji viajou para o Templo de Hamilton Nova Zelândia. No ano seguinte, o programa do Seminário foi introduzido.
Também naquele ano, materiais da Igreja começaram a ser traduzidos para os sete idiomas de Fiji, começando com os manuais de noite familiar para o fijiano e o hindustani (ver Histórias do mundo: Fiji – em inglês).
Élder Wakolo destacou a dedicação da Church College of Fiji [Escola da Igreja em Fiji] em 1976, como outro marco importante, bem como a criação da primeira estaca em 12 de junho de 1983.

Em 1997, o Presidente da Igreja, Presidente Gordon B. Hinckley, se reuniu com 5.000 santos em uma conferência regional em Suva. Em um artigo publicado em 2018 [em inglês], a ex-editora do Church News, Gerry Avant, relembrou sua participação no evento como repórter do Church News.
Membros do Ramo Labasa, muitos dos quais nunca haviam viajado para fora de sua ilha, viajaram quatro horas em um ônibus quente e desconfortável e outras 12 horas de barco para chegarem ao Estádio Nacional e verem o Profeta.

Quando Presidente Hinckley chegou, a congregação se levantou para cantar “Graças Damos, Ó Deus, Por um Profeta”. Muitos começaram a chorar, relembrou Avant.
Ao se dirigir aos membros, Presidente Hinckley perguntou quantos deles gostariam de ter um templo em Fiji. “Parecia quase como se uma corrente elétrica percorresse o estádio”, escreveu Avant.
Embora não tenha anunciado um templo naquele dia, ele prometeu que, um dia, uma casa do Senhor seria dedicada em Fiji. Menos de três anos depois, ele retornou para dedicar o Templo de Suva Fiji em 18 de junho de 2000.
O Templo de Suva Fiji: ‘Uma fortaleza de fé’
A dedicação do templo em Suva em 2000, bem como sua rededicação em 2016 após reformas, foram cercadas por agitação política.
Em 2000, as crescentes tensões políticas entre fijianos e indo-fijianos atingiram seu auge. Rebeldes armados tomaram como reféns o primeiro-ministro deposto, Mahendra Chaudry, e outros líderes do governo. Os militares declararam a lei marcial e impuseram toques de recolher. Vários estabelecimentos comerciais em Suva foram saqueados e incendiados. Atos de violência aleatórios eram cometidos por toda a cidade.
Élder Quentin L. Cook, do Quórum dos Doze Apóstolos, que na época era Setenta Autoridade Geral e servia como presidente da Área Pacífico, se reuniu com líderes militares para discutirem a planejada dedicação do templo. Os líderes militares disseram que não podiam garantir a segurança de um líder de uma proeminente Igreja americana e desaconselharam qualquer grande aglomeração.
No domingo, 18 de junho de 2000, Presidente Hinckley e o então Élder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos, voaram para Fiji para uma escala de três horas e meia. Apenas cerca de 80 membros se reuniram na sala celestial para a cerimônia de dedicação.
O artigo do Church News sobre a dedicação [em inglês] observou que “muitos membros indígenas da Igreja de Fiji estavam se confraternizando, com amor e união, com membros indianos, apesar da agitação política no país.”
O templo está situado nas colinas acima de Suva, com vista para a cidade e o Oceano Pacífico em três lados. Durante a dedicação, Élder Cook leu um trecho da história da região, compilada por Élder Allen Christensen, ex-secretário executivo das Ilhas do Pacífico. Durante os preparativos para a construção, vários grandes abrigos subterrâneos de concreto da Segunda Guerra Mundial foram descobertos. “Onde antes ficavam as estruturas erguidas para resistirem [à invasão], agora se erguerá uma fortaleza de fé, uma Casa do Senhor, … onde as bênçãos da eternidade podem ser concedidas aos fiéis”, escreveu ele.
Em um artigo do Church News em 2016 [em inglês], Élder Wakolo relembrou: “Podíamos sentir a dor no coração dos membros da Igreja” que não puderam participar da dedicação ou verem Presidente Hinckley.

No entanto, “começamos a ver a bênção para a terra”, imediatamente após a dedicação. “É um sinal significativo de que Deus ama Fiji e todo o seu povo”, disse ele.
Os santos dos últimos dias de Fiji reconheceram e se sentiram gratos pelo “ato de fé” dos líderes da Igreja que vieram a Fiji, apesar da agitação civil. “Qualquer pessoa desanimada foi imediatamente encorajada .... Quando os vi chegando, comecei a ver e sentir esperança. A mensagem que eles levaram era de esperança.... Nunca imaginei que Fiji fosse a mesma depois da dedicação”, disse Élder Wakolo.
Então, durante a rededicação, 16 anos depois, o ciclone tropical Winston atingiu Fiji nas horas entre a celebração cultural dos jovens e a rededicação.


Apesar do impacto devastador da pior tempestade já registrada que atingiu Fiji, Presidente Henry B. Eyring, na época primeiro conselheiro na Primeira Presidência, ofereceu uma oração dedicatória ao templo e ao povo de Fiji no domingo, 21 de fevereiro de 2016.
Mais uma vez, pouquíssimos puderam comparecer. Vito W. Qaqa, presidente da Estaca Suva Fiji Norte e presidente local do comitê de rededicação do Templo de Suva Fiji, contou que teve que remover uma grade do portão da frente de sua casa para que ele e sua esposa pudessem passar e ir à rededicação.
“Ninguém vai parar este trabalho”, disse ele ao Church News. “Somos muito abençoados em Fiji. Agora temos uma escola da Igreja e um templo. Temos tudo o que precisamos. Eles estão preparando Fiji para coisas ainda maiores.”

Hoje, cerca de 25.000 santos dos últimos dias se reúnem em 52 congregações nas ilhas Fiji. O país tem sua própria missão e casa do Senhor, que proporciona todas as bênçãos do evangelho de Jesus Cristo.
Durante as comemorações do 70º aniversário de Fiji, Élder Paul B. Whippy, Setenta de Área, expressou sua admiração pelo crescimento da Igreja naquele país. “Irmãos e irmãs, este é um milagre. Este é realmente um milagre que começou com 14 membros da Igreja em 1954”, disse ele em uma reportagem no site ChurchofJesusChrist.org [em inglês].
Seguindo em frente

O alicerce de paz e esperança trazido pelo templo servirá como um trampolim para o crescimento da Igreja, observou Élder Wakolo.
Durante as recentes celebrações, ele disse aos santos dos últimos dias de Fiji que renovar seus convênios, participando do sacramento todos os domingos e frequentando o templo, é “uma maneira memorável de nos prepararmos para o 100º aniversário do estabelecimento da Igreja em Fiji.”
Em uma entrevista ao Church News, Élder Wakolo destacou os conselhos e o incentivo oferecidos pelos líderes da Igreja, exclusivos aos fijianos, nos últimos anos.
Mais recentemente, Élder Cook retornou à nação insular durante um ministério na Área Pacífico, em maio de 2024. E Élder David A. Bednar, do Quórum dos Doze Apóstolos, visitou Fiji como a última parada de seu ministério por quatro nações, em maio deste ano.
Entre outros conselhos, Élder Bednar ensinou os ouvintes [em inglês] sobre o poder que advém dos convênios do templo, ou de se unirem ao Salvador. “Isso não é uma ideia abstrata, apenas um pensamento encantador. É uma realidade espiritual que podemos nos unir a Ele, e Ele nos acompanhará, e então teremos a capacidade de fazer coisas que jamais conseguiríamos com nossas próprias forças”, disse Élder Bednar.
Após a visita do Apóstolo, Élder Wakolo se reuniu com líderes de alas, estacas e distritos de toda a área, e debateram a questão, “Como será a Igreja em Fiji em 30 anos, para o centenário?” A resposta, disse ele, foi identificar filhos e filhas de Deus individualmente e ajudá-los a progredirem rumo à próxima ordenança no caminho do convênio.
“Acredito que é assim que preparamos Fiji melhor para a Segunda Vinda do Salvador”, disse Élder Wakolo.

