No último dia de sua viagem de bicicleta de 240 quilômetros, Ryan Haws, presidente dos Rapazes da Estaca Clarksburg Virgínia Ocidental, pedalou ao lado de dois rapazes que, apesar das dificuldades anteriores, estavam prontos para completarem a jornada.
Enquanto pedalavam em direção ao seu destino final, um deles disse que sentiria falta da amizade e do companheirismo desenvolvidos em seu quórum nos dias anteriores.
O outro rapaz compartilhou com o presidente dos Rapazes de sua estaca: “Orei esta manhã para que minhas pernas não doessem, para que eu conseguisse percorrer estes últimos 64 quilômetros, e consegui.”

Ouvir estas e outras experiências significativas assegurou ao presidente Haws que a atividade tinha valido a pena.
“Ouvir esse tipo de depoimento destes meninos que tiveram dificuldades a ponto de nos perguntarmos se eles conseguiriam, ver e sentir que conseguiriam, que podiam confiar uns nos outros e no Senhor, que suas orações foram atendidas e que eles conseguiam superar desafios, foi incrível”, disse Haws. “Para alguns, foi uma experiência transformadora.”
Eles estavam entre um grupo de 43 rapazes, incluindo diáconos, mestres e sacerdotes, e 17 líderes da Estaca Clarksburg Virgínia Ocidental de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que completaram uma viagem de bicicleta pela Great Allegheny Passage [em inglês], uma trilha ferroviária de 240 quilômetros que se estende de Cumberland, Maryland, a Pittsburgh, Pensilvânia, de 17 a 21 de junho.

“O objetivo era dar aos rapazes a experiência de fazerem algo difícil e aprenderem a confiar em Deus”, disse Brandon Jenson, um dos adultos participantes e segundo conselheiro no bispado da Ala Cheat River.
Preparação
Com nove meses de antecedência, a estaca organizou um comitê de planejamento que incluiu a participação e a contribuição de 15 sacerdotes.
Além de resolver a logística, cada rapaz participante foi incentivado a se preparar fisicamente, completando uma viagem de bicicleta de longa distância de mais de 24 quilômetros.

Também foi realizado um treinamento para ensinar aos participantes noções básicas de manutenção de bicicletas, como consertar pneus furados e remendar ou substituir câmaras de ar.
Irmandade e sacerdócio
Ao partirem em 17 de junho, os rapazes foram organizados em três grupos, com líderes adultos na frente e atrás de cada grupo, em um esforço para manterem todos avançando juntos. Outros líderes acompanharam o grupo para auxiliarem nos reparos, tratarem de quaisquer acidentes ou ferimentos e contribuírem para o preparo das refeições e a montagem e desmontagem do acampamento.
Inspirado pelo lema “Começamos juntos, terminamos juntos”, o grupo percorreu em média 48 quilômetros por dia durante cinco dias.

Fora da estrada, os rapazes se dedicavam a lições, estudo pessoal das escrituras e realizavam devocionais noturnos. Eles aprenderam sobre como serem verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, os atributos dos filhos de Helamã e outros princípios do evangelho.
O primeiro dia, uma subida de 600 metros por mais de 37 quilômetros até a Divisória Continental Oriental, foi um dos mais difíceis, e a chuva acrescentou um desafio extra naquele dia.

Um dos momentos mais emocionantes aconteceu quando alguns dos rapazes mais novos começaram a ficar para trás. Em um espírito de camaradagem, alguns dos rapazes mais velhos amarraram cordas de reboque para ajudá-los a seguirem em frente, enquanto outros ofereceram palavras de incentivo para animá-los. As cordas de reboque foram utilizadas em vários momentos da jornada, quando necessário.
“Houve muitos momentos incríveis quando os rapazes mais velhos tomaram a frente e ajudaram a animar os rapazes mais novos”, disse Jenson.

Jenson se lembra de ter visto um sacerdote, Isaac White, puxando um ciclista mais jovem. White parecia exausto. Jenson perguntou a White se ele queria fazer uma pausa.
“Ele disse: ‘Não, eu consigo’”, disse Jenson. “Ele simplesmente continuou o dia inteiro.”
White, que não se considera um ciclista experiente, achou a experiência algo gratificante. Ele desenvolveu um vínculo emocional com o rapaz que ajudou, e ver tantos dispostos a ajudarem uns aos outros, fortaleceu sua fé. White foi recentemente designado como missionário e está a caminho para servir na Missão Durban África do Sul.
“Foi uma boa experiência para mim. ... Estávamos juntos nisso”, disse White. “Havia um forte senso de irmandade e sacerdócio. Essa é uma conexão muito forte, e foi muito poderosa para mim.”

‘O Pai Celestial irá ajudá-lo’
Maddox Pudder, um sacerdote da Ala Clarksburg, inicialmente hesitou em tirar uma folga do trabalho para a viagem, mas está feliz por ter ido. Ele achou a paisagem, a amizade e a sensação de realização gratificantes. .

“Acredito que a perseverança necessária para superar isso me ajudou a fortalecer minha fé”, disse Pudder, acrescentando que se sentiu inspirado pelas experiências missionárias compartilhadas por seus líderes. “Saber que completei este desafio, bem como aprender algumas das lições ensinadas, me ajudará a permanecer no caminho do convênio e longe das tentações.”
Enquanto andava por um túnel escuro sem lanternas, um rapaz não percebeu que o túnel estava estreitando e bateu na parede, causando um engavetamento de várias bicicletas.

O primeiro rapaz a cair estava sangrando devido a um joelho e cotovelo gravemente ralados e precisou de ajuda. Pudder pegou um kit de primeiros socorros e começou a limpar o ferimento até que um adulto chegasse para ajudar. Durante aqueles momentos intensos, Pudder percebeu que o Espírito Santo o guiava para ajudar seu amigo.
“O Pai Celestial irá ajudá-lo”, disse ele.
Jenson, um fisioterapeuta, relatou poucos ferimentos na viagem, a maioria arranhões leves causados por rapazes que caíram de suas bicicletas, e um rapaz sofreu uma distensão muscular.

Bons exemplos
Luca McInelly, um diácono de 11 anos da Ala Morgantown, voltou para casa pouco antes de um jogo de beisebol e teve apenas alguns minutos para contar à sua mãe, Shawna Luke, sobre sua viagem de bicicleta.

Antes da atividade, Luke não tinha preocupações com a condição física do filho: “Ele é muito atlético”, disse ela. Mas ela ainda estava se adaptando à sua participação no programa dos Rapazes e se perguntava que tipo de experiência seu filho teria entre “aqueles sacerdotes enormes.”
“Foi um pouco estressante”, disse ela.
No entanto, qualquer preocupação que ela tinha rapidamente desapareceu quando seu filho falou com admiração sobre os rapazes mais velhos e seus exemplos de coragem, especialmente daqueles que tinham planos de servir, ou tinham acabado de retornar do campo missionário. Seu filho também expressou gratidão pelas experiências espirituais que fortaleceram seu testemunho.

“Como mãe, eu pensava: ‘Ok, está tudo bem’”, disse ela. “Eram essas as coisas que ele tinha para me dizer naqueles minutos. Ter aqueles rapazes mais velhos como bons exemplos para ele, realmente tocou meu coração. Fico feliz que ele tenha tido essa experiência.”
Fé fortalecida, lições aprendidas
As pernas de White estavam prestes a ceder quando chegaram a Pittsburgh. Ele estava orgulhoso da conquista e aproveitou a oportunidade para descansar durante a viagem de carro para casa. Sentiu-se fortalecido pelo Salvador e sabe que a experiência o tornará um missionário melhor.

“Sei que o Salvador está sempre ao meu lado, mesmo quando estou passando por momentos difíceis”, disse ele. “Foi uma semana difícil, não vou mentir, mas consegui sentir um pouco de paz nos momentos difíceis.”
Refletir sobre a atividade e suas lições fez Jenson se lembrar de Éter 12:27, do Livro de Mórmon, que ensina que o Senhor pode transformar a fraqueza de uma pessoa humilde em força. Atividades como esta, disse ele, colocam os rapazes em situações desconfortáveis, com as quais eles precisam aprender a lidar sem os confortos modernos. Com um planejamento cuidadoso, eles podem ter sucesso.

“Aprender a confiar no Senhor em situações em que você pode superar os desafios é importante para prepará-lo para os desafios que você enfrentará mais tarde na vida”, disse Jenson. “Eles poderão dizer: ‘Eu completei aquele viagem de bicicleta, e foi difícil, mas eu consegui porque confiei em Deus.’”
Observando os rapazes enquanto pedalavam pelo centro de Pittsburgh em uma fila de bicicletas que se estendia por 800 metros, o presidente Haws sabia que eles haviam conquistado algo notável.

“Quando chegamos, percebi que tínhamos realmente conseguido”, disse ele com emoção na voz. “Eles estavam dispostos a fazerem isso, sabendo que seria difícil. Eles se prepararam muito. Eles se uniram, se ajudaram mutuamente e conseguiram. Foi ótimo para mim, como líder, assistir a isso, uma experiência simplesmente incrível.”













