Durante sua posse como presidente da Universidade Brigham Young, o presidente C. Shane Reese delineou sete iniciativas para ajudar a BYU a se tornar a universidade que os profetas previram, um esforço que ele chamou de “Tornar-se a BYU.”
As duas primeiras iniciativas visam “fortalecer a experiência do aluno” e “focar no ensino do bacharelado.”
Sendo a única universidade dentro do Sistema Educacional da Igreja que oferece cursos de pós-graduação e doutorado, e a investir em iniciativas de pesquisa, por que o foco no ensino do bacharelado? Qual o papel dos programas de pós-graduação e da pesquisa no “Tornar-se a BYU”?
Acontece que todos eles estão intimamente interligados, impactando tanto a experiência dos professores quanto a dos alunos. Ao se dirigir ao corpo docente e aos funcionários da BYU, durante uma Conferência da Universidade em 2021, o presidente Reese citou o ex-presidente da BYU, Jeffrey R. Holland, que serve atualmente como Presidente em Exercício do Quórum dos Doze Apóstolos, ao dizer que a BYU deveria aspirar “a se tornar a melhor universidade de bacharelado do planeta.”
Para isso, “precisamos ser muito mais inteligentes e muito melhores do que somos agora”, disse Presidente Holland. “Para os propósitos de uma educação geral e religiosa em artes liberais absolutamente inigualável, precisamos de professores que investiguem, integrem e saibam algo, que sejam ambiciosos quanto ao crescimento divino, o que Joseph Smith chamaria de ‘engrandecimento’. Precisamos de professores que estejam crescendo exatamente da mesma maneira que esperamos que os alunos cresçam, e isso quer dizer uma pesquisa significativa.”

Em uma sessão de perguntas e respostas com a BYU News [em inglês], o presidente Reese explicou que manter o foco no ensino de bacharelado “não significa abandonar nossa missão de pesquisa. É apenas garantir que nossa missão de pesquisa não direcione a experiência educacional.”
Muitas universidades comparáveis em tamanho à BYU são movidas por uma mentalidade que prioriza a pesquisa, disse ele, onde as aulas são ministradas por alunos de pós-graduação para que o corpo docente possa se concentrar na pesquisa.
Na BYU, no entanto, o ensino é, e continuará sendo, enfatizado. “Tudo o que fazemos na BYU começa e termina com nossos alunos em mente”, disse o presidente Reese durante uma Conferência da Universidade em 2024 [em inglês].
Uma parte importante do fortalecimento da experiência do aluno é facilitar oportunidades de aprendizagem inspiradoras e experienciais para cada aluno, continuou ele.
Em seu discurso na Conferência da Universidade de 2021 [em inglês], o presidente Reese explicou que “o padrão ouro para inspirar o aprendizado é quando um membro do corpo docente e um aluno, ou um grupo de alunos, estão engajados em um esforço de pesquisa. Caminharem juntos pelo portal da descoberta permite o tipo de descoberta e investigação que também pode acontecer em outras instituições, mas a mentoria em pesquisa na BYU também permite que os alunos vejam como um membro do corpo docente aumenta a compreensão de sua disciplina acadêmica e, simultaneamente, se esforça para desenvolver sua fé no Salvador. Este processo de descoberta e nosso foco preciso nos alunos, enquanto buscamos os esforços de pesquisa, são componentes essenciais de nossa missão única na BYU.”
Como isso funciona? Aqui estão quatro exemplos recentes que demonstram o padrão ouro de aprendizagem experiencial, mentoria e bolsa de estudos oferecidos na BYU.
Tecnologia espacial inspirada em origami

Utilizando a forma de arte japonesa do origami, pesquisadores do Grupo de Mecanismos Adaptáveis e Robótica da BYU projetaram antenas e telescópios para serem utilizados pela NASA e pela Força Aérea dos E.U.A..
Este projeto é “o sistema mais complexo que já fizemos”, disse Spencer Magleby, professor da BYU, em um vídeo [em inglês].
No mesmo vídeo, Katie Varela, uma estudante de pós-graduação em Engenharia Mecânica, disse: “É muito divertido poder ver algo indo do papel para o espaço.”
No origami, os artistas transformam uma folha de papel plana em uma escultura ou estrutura, usando dobras complexas. Aplicando os mesmos princípios a uma antena ou telescópio, os pesquisadores conseguiram torná-los compactos para transporte, o que significa que a NASA ou a Força Aérea podem acomodar muito mais equipamentos em um lançamento espacial, enquanto também são tensionados, como uma espécie de mola, e prontos para se desenrolarem.
Na Terra, quando algo é aberto, a gravidade pode ajudar a puxá-lo para baixo, mantendo-o plano. Isso não funciona na gravidade zero do espaço. Por isso, a equipe da BYU projetou dobradiças especiais e utilizou ímãs para garantirem que a antena permaneça em uma posição estável após ser implantada.
Os protótipos da antena e do telescópio estão sendo finalizados para apresentação à NASA e à Força Aérea dos E.U.A., de acordo com um comunicado à BYU News [em inglês].


Varela chamou o grupo de pesquisadores, que incluiu vários professores, pesquisadores de pós-doutorado, estudantes e engenheiros de outras universidades, de colaborativo, inclusivo e solidário.
“Não há vergonha em dizer algo que pareça bobagem. Eu também adoro o fato de que existam tantas engenheiras... todas apoiam a família e coisas do tipo. É um ótimo ambiente para aprendermos e sinto que estaria preparada para trabalhar no mundo real”, disse Varela à BYU News.
Para Magleby, a antena não foi o único produto de sua pesquisa e colaboração. “Para mim, o produto são os alunos, o aprendizado que eles conseguiram alcançar e as maneiras pelas quais conseguiram expandir seu próprio pensamento”, disse ele.
Detectando doença através das lágrimas

As lágrimas podem ser um indicador do bem-estar emocional de uma pessoa, esteja ela feliz ou triste, animada ou com dor. Acontece que elas também podem revelar muito sobre o bem-estar físico de alguém.
A presença de certas proteínas em fluídos biológicos, como lágrimas ou saliva, pode indicar problemas de saúde no corpo. Mas existem diferentes tipos de lágrimas, de acordo com um comunicado da BYU à imprensa [em inglês]. Por exemplo, as lágrimas produzidas ao cortarmos uma cebola serão diferentes das que saem depois de batermos o dedo do pé. As lágrimas basais, que naturalmente mantêm os olhos úmidos, são especialmente valiosas para se detectar doenças oculares, como glaucoma, e doenças sistêmicas, como Alzheimer e câncer de mama.
O problema é que os métodos tradicionais de coleta de lágrimas são invasivos, dolorosos ou produzem principalmente lágrimas de reflexo, que não contêm as proteínas necessárias para se detectar doenças, e podem até diluir proteínas indicadoras, associadas a doenças em potencial.
Um estudo publicado na revista “Clinical Proteomics” [Proteômica Clínica - “proteômica” significa o estudo em larga escala de proteínas] pelo professor de Bioquímica da BYU, Kenneth Christensen, e pelo aluno de pós-graduação, Robert Roden, explora uma nova técnica para a coleta de proteínas de lágrimas basais usando lentes de contato gelatinosas.

Por que isso é tão importante? “Quantas pessoas poderiam ser beneficiadas se os médicos conseguissem detectar doenças antes que os sintomas se desenvolvessem?”, explicou Roden em um comunicado da BYU à imprensa [em inglês]. “Com este novo método de lentes, poderíamos potencialmente rastrear uma série de problemas de saúde a partir da análise das lágrimas.”
O método de lentes de contato utiliza lentes macias à base de hidrogel, que coletam proteínas confortavelmente, sem irritação ocular. Testes iniciais indicaram que essas lentes absorveram com eficácia uma gama comparável de proteínas aos métodos convencionais, com desconforto mínimo. Esse método também permite que os pacientes coletem suas próprias amostras de lágrimas, o que pode transformar os exames de saúde de rotina.
“Este projeto tem um escopo muito poderoso”, disse Roden. “Qualquer doença que contamine nosso sangue tem o potencial de se manifestar em nossas lágrimas. Espero que esta coleta de amostras possa se tornar um exame de rotina.”
Roden disse à BYU News que é grato por estudar em um lugar onde a ciência rigorosa é ensinada juntamente com a fé. “A bioquímica é um testemunho do nosso Criador”, disse Roden. “Nossas próprias moléculas declaram que o Senhor governa toda a vida. Algumas pessoas dizem que ciência e religião são contraditórias, mas não consigo encontrar nada mais distante da verdade. O dedo de Deus está em toda parte na ciência.”
Geólogos estudam estilhaços da Segunda Guerra Mundial

Exatamente 80 anos depois que as forças aliadas iniciaram a invasão da Normandia, durante a Segunda Guerra Mundial, para libertarem a França e a Europa Ocidental da ocupação nazista, pesquisadores-geólogos da BYU estavam nas mesmas praias para ver quais estilhaços ainda haviam sido deixados para trás.
“Uma das grandes áreas de foco da geologia é a interação humana com os sistemas naturais”, explicou Sam Hudson, professor de Geologia da BYU, em um comunicado à imprensa [em inglês]. “É muito importante observarmos por quanto tempo materiais artificiais, como estilhaços, permanecem em um ambiente natural.”
Cerca de 160.000 tropas aliadas dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França e Noruega, desembarcaram em um trecho de 80 quilômetros da Normandia, na manhã de 6 de junho de 1944. Em 11 de junho de 1944, as praias estavam protegidas e 326.000 tropas dos aliados cruzaram para a Normandia, com 100.000 toneladas de equipamento militar, de acordo com o site do Departamento de Defesa dos Estados Unidos [em inglês].
Em sua pesquisa, 80 anos depois, em junho de 2024, Hudson e outros geólogos coletaram amostras de areia e sedimentos nos cinco locais de desembarque ao longo da costa da Normandia. Em seguida, usaram ímãs para separarem fragmentos metálicos de estilhaços da areia. Não foi nenhuma surpresa que a maior concentração tenha sido encontrada na Praia de Omaha, que sofreu o combate mais intenso. Cerca de 1% da praia ainda é composta por estilhaços.
Hudson e seus alunos-pesquisadores estão usando os estilhaços como marcadores para estudarem processos costeiros. Ao analisarem onde os fragmentos são encontrados, eles podem medir a quantidade de sedimento acumulada nos últimos 80 anos e rastrear como ele se deslocou pela praia.
Em junho passado, Hudson e seis alunos da BYU retornaram à Normandia para coletar mais amostras. Experimentar a interação entre história e geologia foi “realmente emocionante”, disse Liv Tatum, uma aluna. “É especialmente interessante ver como eventos sociais, como a Segunda Guerra Mundial, ainda afetam o terreno em si.”
Estes tipos de oportunidades facilitam um aprendizado que não pode ser adquirido em sala de aula. “Quando você está na praia, percebe que as amostras de estilhaços não são apenas tubos de ensaio em um laboratório”, comentou Kassi Ramirez, uma das alunas. “Há histórias e pessoas reais por trás de cada amostra que analisamos. Você não consegue entender isso apenas lendo um livro didático.”
Hidroponia proporciona safras durante todo o ano
A Food & Care Coalition, localizada em Provo, Utah, serve refeições nutritivas todos os dias do ano no Condado de Utah, para moradores de rua, pessoas com doenças mentais e com dificuldades de aprendizagem, pensionistas e famílias afetadas por tragédias.
A organização funciona inteiramente com doações. No verão e no outono, durante a temporada de colheita em Utah, frutas e vegetais frescos são abundantes, mas durante o inverno, pode ser difícil encontrá-los.

Para resolver este problema, o professor da BYU, Matt Arrington, e um grupo de estudantes projetaram e construíram uma estufa hidropônica para fornecer produtos nos meses frios.
Hidroponia é o processo de cultivo de plantas sem solo, neste caso, em uma solução aquosa. Um sistema hidropônico permite a produção eficiente de alimentos em um espaço pequeno. A fazenda interna de 6 por 12 metros pode produzir 180 quilos de produtos a cada três meses, segundo um comunicado da BYU News [em inglês].

Em um vídeo produzido pela BYU, Arrington explicou que as luzes instaladas produzem 16 horas por dia, 365 dias por ano, o que resulta em uma colheita consistente a cada 14 a 21 dias. O sistema interno também economiza água e tempo, além de reduzir doenças e pragas.
“Foi realmente incrível ver a quantidade de vegetais frescos, e também a cor... e a rapidez com que crescem”, disse Kenneth Larsen, gerente de alimentos e chef da coalizão. “Foi um grande choque para mim [ver que] estes produtos podem crescer super rápido e produzir bastante, o que é uma grande bênção para mim.”
O aluno da BYU, Jack Windsor, disse que é grato pela oportunidade de aprender habilidades e servir a comunidade por meio do projeto de hidroponia.
“Como aluno da BYU, ter a oportunidade de projetar uma fazenda para pessoas necessitadas na minha própria comunidade realmente me faz sentir como se o lema da BYU [‘Entre para aprender, saia para servir’] fosse cumprido”, disse Windsor. “Sair para servir não significa necessariamente que estou saindo e indo para outro lugar, mas sim que estou saindo dos limites do campus e fornecendo algo que as pessoas precisam.”

