BOISE, Idaho — Não é comum que uma reunião sacramental seja interrompida por aplausos. Mas, em um domingo de fevereiro, em Boise, Idaho, o silêncio reverente deu lugar a uma alegre celebração, com o anúncio de um novo bispado, marcando a criação da primeira ala em suaíli nos Estados Unidos.
Para os membros da Ala Treasure Valley (suaíli), o momento representou anos, senão décadas, de fé, sacrifício e preparação divina.
“Esses homens foram preparados antes desta vida”, disse W. Blake Bybee, que serviu como presidente do Ramo Treasure Valley (suaíli), antes de se tornar uma ala da Estaca Boise Idaho. “Deus estava simplesmente esperando o momento certo para colocá-los nesses chamados.”
A capela estava lotada. As mulheres usavam vestidos coloridos e lenços na cabeça; os homens, ternos e gravatas de cores vibrantes. Fones de ouvido com tradução simultânea zumbiam suavemente enquanto cada discurso era interpretado em suaíli, francês ou inglês. Estavam presentes 177 membros da ala, 21 missionários atuais e inúmeros ex-missionários que serviram na área, além de amigos e familiares. Outros participaram virtualmente da África, França e de diversas partes dos Estados Unidos.

“Este trabalho parecia algo que não poderia acontecer, mas que deveria”, disse Justin Bailey, membro do sumo conselho designado para o ramo e, posteriormente, para a ala. “Estamos aqui porque Deus realizou um milagre por meio de sua fé.”
Apenas dois anos antes, o ramo em suaíli havia começado com 25 membros africanos participando das reuniões. O que se seguiu foi um notável esforço coletivo. Membros de toda a região de Treasure Valley, em Boise, coordenaram caronas, organizaram almoços semanais após as reuniões e trabalharam juntos para garantirem que o grupo se tornasse não apenas um ramo, mas uma família.
No entanto, a jornada não foi isenta de desafios.
“Por exemplo, alguém sugeriu que ensinássemos os membros a enlatar alimentos”, lembrou Bybee, o primeiro presidente do ramo. “Dissemos que poderíamos fazer isso, mas em um ramo em rápido crescimento, não podíamos dedicar muito tempo a nada além do essencial.”
“Neste trabalho, é fácil nos sentirmos sobrecarregados pelas necessidades”, disse Bailey. “Logo no início, desenhamos um círculo no quadro: o que podemos fazer, o que precisamos fazer e o que queremos fazer. No centro, sempre estiveram Jesus Cristo e o cumprimento dos convênios. Quando nos concentramos em ajudar os membros a fazerem e cumprirem convênios, outras bênçãos se seguiram.”
O esforço começou anos antes na Ala Boise 13, liderado pelo então bispo Elijah Watkins.
“Havia um membro que frequentava fielmente todos os domingos durante anos, mas não falava inglês”, lembrou o presidente Watkins, agora o segundo conselheiro na presidência da Estaca Boise Idaho. “Ele amava o Espírito que sentia.”

O presidente da estaca, Ben Boettcher, providenciou serviços de tradução. Ele entrou em contato com o presidente da Missão Idaho Boise para pedir que os missionários não fossem apenas designados para servirem a esse pequeno grupo, mas também para aprenderem o suáíli. Aos poucos, o grupo cresceu, acompanhado pelo que os líderes descrevem como inúmeros milagres.
Com o tempo, ficou claro que esses irmãos e irmãs precisavam de mais do que acomodação em uma ala de língua inglesa. Eles precisavam de sua própria liderança, de seu próprio espaço e de seu próprio lugar para se tornarem uma família da Igreja.
No início de 2024, Bybee foi chamado para ser presidente do ramo. Ele e sua esposa, Erica, mergulharam na língua e na cultura, aprendendo suaíli e se apaixonando pelos membros que serviam. Durante a reunião de domingo, Erica Bybee compartilhou seu testemunho em suaíli e acrescentou que 90 batismos já haviam ocorrido desde a criação do ramo.
Mas o momento decisivo ocorreu com a chegada de dois homens, cujas vidas e fé foram moldadas por provações extraordinárias. Dois homens que foram claramente preparados pelo Senhor: Denis Akulu e Blema Fangamou.

Há dez anos, Akulu e sua família viviam em um campo de refugiados na Tanzânia. Leitor ávido, ele pegou emprestado um exemplar do Livro de Mórmon de um pastor local que admitiu não entender seu conteúdo. Akulu, porém, entendeu.
À medida que lia, ele sentia um desejo crescente de aprender mais, mas os missionários não tinham permissão para entrarem no acampamento. Mesmo assim, ele recebeu vários exemplares do Livro de Mórmon e hinários em suaíli. Incapaz de ser batizado, Akulu organizou um grupo de interesse semanal que se reunia há três anos, adorando e estudando com outras cinco famílias.
“Eu acreditava que um dia seria batizado e frequentaria o templo”, disse Akulu. “Eu tinha essa esperança, essa fé.”
Fangamou passou sete anos em um campo de refugiados com 5.000 pessoas, onde doenças, fome e dificuldades eram constantes.
“Eu me perguntei por que estava ali”, disse ele. “A resposta em meu coração foi: para servir ao Senhor.”
Ele organizou uma congregação no acampamento para levar esperança e trabalhou incansavelmente para ministrar aos demais. Um dia, ele jejuou e orou no meio do mato, suplicando a Deus que lhe mostrasse a verdadeira igreja, caso um dia chegasse aos Estados Unidos.
Sua resposta veio em um sonho.
“Eu me vi subindo uma colina”, recordou Fangamou. “Pessoas que eu não conhecia me chamavam pelo nome e diziam: ‘Venha, Blema. Queremos batizá-lo.’ Vi um vale e um rio. Lá dentro, vi pessoas felizes e sorridentes. Elas usavam camisas brancas e gravatas.”
O sonho aconteceu em 2008. Anos depois, Fangamou foi realocado para Boise. Pouco depois de chegar, alguém lhe deu um Livro de Mórmon. Enquanto lia, ele sentiu o Espírito testificar de sua veracidade.
Quando ele ia ser batizado, ficou surpreso ao ver que a capela da Igreja não ficava em uma colina, até que, dois dias depois, um homem que o ajudava na mudança se ofereceu a levá-lo de carro à conferência da estaca.
Ao se aproximarem da capela de Bogus Basin, Fangamou a reconheceu imediatamente.
“Eu vi a colina. Eu vi o edifício”, disse ele. “Era exatamente o que eu vi no meu sonho.”

Esse sonho agora é uma ala vibrante, alegre e próspera.
Em 8 de fevereiro de 2026, Fangamou foi chamado como primeiro conselheiro no novo bispado da Ala Treasure Valley (suaíli). Denis Akulu foi chamado como bispo, com Adam Pishl servindo como segundo conselheiro.
À medida que os nomes eram lidos, a congregação irrompeu em aplausos, celebrando não apenas os novos líderes, mas também o cumprimento de promessas feitas há muito tempo.
“Agora é o tempo de Deus para que os africanos recebam a palavra de Deus. Deus é um Deus de milagres. Agora somos uma ala e estou muito feliz”, disse Esther Akulu, esposa do bispo Akulu.
— Lonni Leavitt-Barker é especialista em mídia da Igreja na região de Boise, Idaho.
Nota do editor: A Ala Treasure Valley (suaíli) é uma das nove congregações onde o suaíli é falado nos EUA e a primeira a se tornar uma ala. Oito ramos em suaíli se reúnem no Novo México, Kentucky, Ohio, Utah, Washington, Illinois, Iowa e Twin Falls, Idaho.







