Em um momento em que as pessoas recorrem cada vez mais à IA para responder a perguntas sobre a vida, uma pesquisa recentemente publicada, liderada pela Universidade Brigham Young, descobriu que as perspectivas religiosas estão sendo deixadas de fora das respostas da IA.
“Existem perguntas muito práticas que as pessoas fazem sobre a vida e situações cotidianas, como luto, amor, perda, moralidade e, frequentemente, a IA não traz a religião a essas conversas”, disse David Wingate, pesquisador principal e professor de Ciência da Computação da BYU, em um comunicado da BYU à imprensa [em inglês], datado de 26 de maio.
“A religião é uma parte importante do desenvolvimento humano”, explicou Wingate, observando que 75% da população mundial mantém uma identidade religiosa. “Conforme desenvolvemos tecnologias de IA, não há motivo para não as criarmos de modo a apoiar as pessoas naquilo que é importante para elas.”
Pesquisadores da BYU estão trabalhando ao lado de cientistas da computação evangélicos, católicos e judeus da Baylor University, da University of Notre Dame e da Yeshiva University, como parte do recém-formado Consortium for Evaluation of Faith and Ethics in AI [Consórcio para Avaliação da Fé e Ética na IA - em inglês], ou CEFE-AI. O grupo já publicou três estudos sobre o viés religioso da IA e a exclusão de temas religiosos.
Élder Gerrit W. Gong, do Quórum dos Doze Apóstolos, apresentou a pesquisa durante seu discurso na Cúpula de Ética em IA, em Atenas, Grécia, em 26 de maio. Ele anunciou a formação do grupo no outono passado em Roma, Itália, na primeira cúpula sobre fé e IA.
“Precisamos de valores, virtudes e sabedoria duradouros para ancorar a IA com uma bússola moral. Para oferecer tudo o que pode para o bem maior dos indivíduos e das sociedades, a inteligência artificial precisa refletir fé, bússola moral e a dádiva da possibilidade”, disse Élder Gong em Atenas.
O grupo de pesquisa multiuniversitário divulgou conjuntos de dados iniciais da descoberta-chave, um conjunto de testes criado para examinar como modelos de IA interagem com diferentes religiões.
Uma pesquisa com 1.125 americanos revelou que a maioria das pessoas espera perspectivas religiosas nas respostas a questões sobre ética, mas quase todos os modelos de IA falharam em fornecer qualquer conteúdo religioso ao responderem a essas perguntas.
A inteligência artificial influencia o discurso público e as percepções mais do que qualquer outra tecnologia anterior, disse o Pe. John Paul Kimes, da Universidade de Notre Dame. “Quando a IA exclui ativamente as vozes religiosas dessas importantes conversas, em vez de enriquecê-las, acaba por empobrecer a humanidade”, disse ele. “A exclusão da fé no contexto digital público diminui nossa capacidade de diálogo autêntico, necessário para construirmos o bem comum.”
De acordo com o comunicado à imprensa da BYU, os pesquisadores também utilizaram o AllFaith Benchmark para realizar um teste de viés de conversão.
O teste revelou que os modelos apresentam um viés claro e consistente ao fornecerem orientações sobre conversão religiosa, incentivando, de forma sutil e sistemática, a adesão a certas religiões e o afastamento de outras. Por exemplo, quase todos os modelos apresentaram um viés negativo em relação às Testemunhas de Jeová e um viés positivo em relação ao catolicismo.
Pesquisadores esperam que seu trabalho contínuo forneça informações concretas para conversas construtivas com líderes de IA, sobre como melhorar produtos de IA para beneficiar melhor a humanidade.
