MANÁGUA, Nicarágua — Trinta e cinco anos após ensinarem e batizarem Francisco Castillo, Jaime Rodriguez Izaguirre e Sergio Ocampo Sanchez o abraçaram novamente.
Os antigos companheiros missionários, que serviram em Manágua entre 1989 e 1992, se reencontraram com Castillo na capela de Las Palmas em 17 de outubro, um dia antes da dedicação do Templo de Manágua Nicarágua [em inglês].
Após se filiar [À] Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Castillo acompanhou a dupla de missionários em seu trabalho diário por algum tempo. Esta experiência lhe deu a confiança necessária para, mais tarde, servir sua própria missão. Lembrar-se daqueles dias o emocionou profundamente.
“Se eles conseguem fazer isso, eu também consigo”, disse Castillo.
Ao seu redor, ex-missionários e suas famílias trocavam sorrisos, abraços e lembranças, celebrando, não apenas o reencontro, mas também um templo que há muito esperavam ver. Muitos dos ex-missionários eram da Nicarágua e de países vizinhos.
Henry Javier Salinas abraçou sua esposa, Azucena del Rosario Bustamente Lopez de Salinas, enquanto se lembrava de uma promessa que ele e outros missionários haviam feito: um dia, eles se reuniriam novamente para celebrar a dedicação do primeiro templo da Nicarágua.
Aquele dia havia chegado.
“Foi algo especial, uma experiência de sacrifício e força”, disse Salinas, com uma lágrima escorrendo pelo rosto.
Um chamado inesperado
Entre os presentes estavam o ex-presidente da missão e sua companheira, Luis Alberto Álvarez e Amelia Rodriguez Lopez, que serviram de 1989 a 1992.
Álvarez servia como representante regional quando Élder Richard G. Scott, do Quórum dos Doze Apóstolos, lhe pediu que o acompanhasse à Nicarágua. A viagem resultou em um chamado inesperado para servir.
Ela também recordou ter recebido um telefonema de Presidente Gordon B. Hinckley, que, na época, era conselheiro na Primeira Presidência.
“Decidimos abrir a missão na Nicarágua, e o Senhor quer que você seja o presidente”, disse Presidente Hinckley a Álvarez. “Então, você aceita?”
“Sim, claro”, respondeu Álvarez. “Como eu poderia não aceitar?”
Élder Scott o designou no domingo seguinte. Na semana seguinte, disse Álvarez, a família vendeu seus pertences e se mudou da Guatemala para a Nicarágua.
Três de seus filhos, na época com 11, 10 e 9 anos, também foram autorizados a acompanhar os missionários no ensino. Eles aprendiam as lições missionárias e ajudavam a compartilhar o evangelho com aqueles liderados por seus pais.
O retorno para o reencontro e a dedicação do templo ofereceram ao casal a oportunidade de celebrar a fé, o sacrifício e as amizades feitas durante aqueles anos difíceis.
“Como eu poderia não vir?”, disse Álvarez. “Aqui estamos nós, desfrutando e vendo o que Deus está fazendo.”
Fé em meio às dificuldades
Os Álvarez relembraram o período em que lideraram os missionários em meio a conflitos, à escassez e à desvalorização da moeda.
Os missionários aprenderam a fazer xampu e armazenaram arroz e feijão para trocá-los por itens de que necessitavam, inclusive bilhetes de ônibus por outros suprimentos.
“Sua fé tornou possível realizar todo este trabalho”, disse Amelia Álvarez. “Eles nunca reclamaram. Apenas trabalharam.”
Alguns missionários nicaraguenses chegaram diretamente do serviço militar, com pouco mais do que seus pertences em um saco plástico.
O casal também ajudou a implementar um programa que enfatizava a adoração e o aprendizado do evangelho nos lares. Os membros se reuniam em grupos de famílias, e os missionários ensinavam aos conversos em perspectiva, não apenas os princípios do evangelho, mas também como reger a música, preparar lições, dar discursos e dirigir reuniões.
Essas oportunidades ajudaram os novos membros a começarem a participar imediatamente.
“A única maneira de aprender a andar de bicicleta é subindo nela”, disse Álvarez. “Então foi isso que fizemos com os membros.”
Décadas depois, ele vê o templo como mais uma bênção em um lugar que ama.
“Deus está de olho neste lugar, e a Igreja nunca mais partirá”, disse ele. “Ela continuará a crescer e se fortalecer cada vez mais.”
Continuando a servir
Para o ex-missionário Marvin Antonio Navarro Perez, a chegada do templo é profundamente pessoal. Seu chamado para servir como oficiante do templo fortaleceu seu testemunho e trouxe uma nova realização após anos de provações.
“Sinto grande satisfação em servi-Lo agora em Sua casa, sabendo que sempre poderemos continuar a servi-Lo”, disse ele.
Agora, o templo oferece a ele uma nova maneira de continuar o serviço que começou quando era um jovem missionário.
“Ter um templo aqui na Nicarágua é uma grande bênção”, disse ele. “É algo que jamais poderíamos ter imaginado.”
