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‘Vem, e Segue-Me’ de 31 de julho a 6 de agosto: O que líderes e estudiosos da Igreja disseram sobre Atos 22-28?

O guia de estudo desta semana inclui o retorno de Paulo a Jerusalém, seu encontro com o rei Agripa e sua viagem a Roma

O guia de estudo “Vem, e Segue-Me” desta semana abrange Atos 22-28, que inclui o retorno do apóstolo Paulo a Jerusalém, seu encontro com o rei Agripa e sua viagem a Roma.

O Church News recentemente pesquisou vários arquivos para saber o que líderes de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e acadêmicos disseram sobre estes capítulos.

O retorno de Paulo a Jerusalém

“A chegada de Paulo a Jerusalém provocou uma explosão emocional sobre os regulamentos para prosélitos gentios. Muitos membros judeus em Jerusalém pensaram que Paulo estava pregando contra Moisés e os mandamentos, até mesmo para os judeus (ver Atos 21:20–21).

“Tiago, o irmão do Senhor, que na época era um dos apóstolos, solicitou em nome dos líderes da Igreja, que Paulo mostrasse sua obediência à lei judaica se purificando no templo com outros quatro homens. Na conclusão do período de ritual, alguns judeus da Ásia (talvez Éfeso) acusaram falsamente Paulo de levar alguns gregos aos pátios internos do recinto do templo. A punição para tal crime era a morte, e uma multidão enfurecida cercou Paulo. Uma guarnição romana, alojada na fortaleza antoniana no canto noroeste dos arredores do templo, por pouco o resgatou. Ele foi acorrentado e carregado nos ombros dos soldados de volta às escadas que levavam à fortaleza, onde pediu permissão para se dirigir à multidão.

“As pessoas estavam surpreendentemente quietas e atentas, enquanto Paulo recontava a experiência de sua conversão, mas certamente, quase a maioria da multidão não sabia que deveria estar punindo um blasfemador (veja uma multidão igualmente confusa em Atos 19:29, 32), até ele pronunciar a palavra gentio. Essa palavra inflamou a multidão e Paulo foi levado para a fortaleza para sua própria proteção.”

— C. Wilfred Griggs, ex-professor de Escrituras Antigas da Universidade Brigham Young, no artigo da revista Ensign de setembro de 1975, “Paulo: A longa estrada de Damasco” [em inglês]

A cidadania romana de Paulo

“A sociedade romana era baseada no status, e os direitos civis seguiam este sistema. Os escravos tinham a menor proteção e os cidadãos a maior. Estes últimos eram principalmente italianos, ou famílias provincianas que eram recompensadas por servirem a Roma. Como geralmente serviam por influência política ou econômica, os cidadãos romanos em qualquer cidade, provavelmente eram pelo menos de classe média, o motivo de Paulo dizer ao tribuno examinador, que ele nasceu cidadão (ver Atos 22:28).

“Naquela ocasião, a mera reivindicação de cidadania interrompeu imediatamente um interrogatório planejado sob o chicote. Na carta de Plínio a Trajano (...) aquele governador simplesmente executou cristãos provincianos que não abandonaram sua religião, mas outros ‘possuídos da mesma loucura’ receberam tratamento melhor: ‘Por serem cidadãos romanos, assinei uma ordem para que fossem transferidos para Roma.’ Paulo poderia exigir o mesmo, o que ele fez depois de enfrentar o perigo de ser assassinado em outro julgamento em Jerusalém, ou mais prisão depois de já estar sob custódia por dois anos. Ele recebeu um tratamento justo em várias outras ocasiões, por causa de seus direitos romanos. Obviamente, o Senhor chamou um apóstolo para os gentios, especialmente adequado para sobreviver aos perigos de controvérsias acaloradas.

— Richard Lloyd Anderson, ex-professor de Escrituras Antigas da Universidade Brigham Young, no artigo da revista Ensign de setembro de 1975, “A Igreja e o Império Romano” [em inglês]

“O julgamento diferido durou dois anos, até que Félix foi substituído por Pórcio Festo. Festo, ansioso para concluir o caso de acordo com a lei romana, desejou que Paulo fosse a julgamento em Jerusalém. Paulo, temendo que o novo procurador o entregasse para conciliar os judeus, exerceu seu direito de cidadão romano de apelar ao imperador.

“Algum tempo depois, Agripa, rei vassalo de Cálcis e de alguns territórios ao redor do Mar da Galileia, visitou Festo e desejou ouvir Paulo. Após o famoso discurso de Paulo a Agripa, Lucas relata que, tanto Festo quanto Agripa, concordaram que Paulo era realmente inocente (ver Atos 26:31-32). No entanto, Paulo havia retirado o assunto da jurisdição de Festo por meio de seu apelo ao césar, na época Nero, que governou de 54-68 D.C.

— C. Wilfred Griggs, ex-professor de Escrituras Antigas da Universidade Brigham Young, no artigo da revista Ensign de setembro de 1975, “Paulo: A longa estrada de Damasco” [em inglês]

Rei Agripa

Paulo diante do rei Agripa. “Valente no Testemunho de Jesus Cristo”, de Daniel A. Lewis
Paulo diante do rei Agripa. "Valente no Testemunho de Jesus Cristo", de Daniel A. Lewis | A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

“Muitas vezes, não é conveniente ou fácil defender Jesus Cristo. Tenho certeza de que esse foi o caso de Paulo, quando foi chamado a se apresentar ao rei Agripa para se justificar e contar sua história. Paulo, sem hesitar, proclamou sua crença com tal poder que o rei, intimidado, admitiu “quase” ter sido persuadido a se tornar cristão.

“A resposta de Paulo demonstrou seu desejo de que as pessoas entendessem claramente o que ele tinha a dizer. Ele disse ao rei Agripa que desejava que todos os que o ouvissem não se tornassem “quase” cristãos, mas, sim, discípulos “completos” de Cristo (Atos 26:29). Os que falam com clareza podem realizar isso.”

— Élder Gregory A. Schwitzer, conferência geral de outubro de 2015, “Que a Trombeta Soe Claramente”

“O Apóstolo Paulo também prestou um fervoroso testemunho de Cristo e converteu muitos com seu trabalho missionário. Ele não se esquivou de prestar seu testemunho perante o rei Agripa. Tão vigorosas foram suas palavras que até aquele influente representante do Império Romano foi levado a exclamar: ‘Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão’ (Atos 26:28).

“Creio que a lição é bem clara: Não basta apenas termos um testemunho. Na verdade, quando nos convertemos verdadeiramente, ninguém consegue nos impedir de testificar. E assim como aconteceu com os Apóstolos e os antigos membros da Igreja, também temos o privilégio, o dever e a solene obrigação de “[declarar] as coisas que … [sabemos] ser verdadeiras’ (D&C 80:4).

— O então Élder M. Russell Ballard, conferência geral de outubro de 2004, “Testemunho Puro”

“Festo acusou Paulo de ter tanto conhecimento que ‘as muitas letras te fazem delirar’ (Atos 26:24). A resposta de Paulo foi:

‘Porque o rei, diante de quem falo com ousadia, sabe essas coisas, pois não creio que nada disso se lhe oculte; porque isso não se fez em qualquer canto.

‘Crês tu nos profetas, ó rei Agripa? Bem sei que crês.

‘E disse Agripa a Paulo [algumas das palavras mais tristes em toda a história sagrada registrada]: Por pouco não me persuades a que me faça cristão’ (Atos 26:26–28).

“Por pouco. Que som doloroso é a frase ‘por pouco!’ Por pouco alguns de nossos bons membros guardam a Palavra de Sabedoria, ou por pouco vão à reunião do sacerdócio e à reunião sacramental, ou por pouco realizam a noite familiar. Alguns de nós por pouco, mas não totalmente, pagamos nosso dízimo.”

— O então Élder James E. Faust, conferência geral de outubro de 1982, “Levante-se e Seja Contado” [em inglês]

“Muitos de nós somos como o rei Agripa. Ouvimos com entusiasmo a mensagem de nossos líderes; ficamos maravilhados com suas palavras; nos sentimos movidos. Mas o mundo nos puxa poderosamente e, em vez de aderirmos à palavra e à vontade do Senhor, como Néfi, respondemos, como Agripa, com as palavras: ‘Por pouco não me persuades a que me faça cristão.’

“Palavras tristes, os [exemplos de] por pouco das escrituras: os por pouco de Caim, do rei Saul, de Lamã, de Lemuel, do jovem discípulo rico, de Pilatos, de Judas Iscariotes, de Sidney Rigdon, de nosso vizinho de rua, de nós mesmos? Quão tristes são as palavras: ‘Por pouco herdei o reino celestial’; ‘Por pouco busquei primeiro o reino de Deus’; ‘A maior parte foi bem feita, servo geralmente bom e fiel.’ Por pouco.”

— Richard H. Cracroft e Neal E. Lambert, ex-professores de Inglês da Universidade Brigham Young, no artigo de 1973 da revista New Era, “Reflexões sobre o Livro de Atos e as Epístolas: Vozes de Admoestação e Advertência” [em inglês]

As viagens de Paulo

O Coliseu em Roma, Itália. Durante a semana de 31 de julho a 6 de agosto de 2023, o guia de estudo “Vem, e Segue-Me” inclui o retorno de Paulo a Jerusalém, seu encontro com o rei Agripa e sua viagem a Roma.
O Coliseu em Roma, Itália. Durante a semana de 31 de julho a 6 de agosto de 2023, o guia de estudo “Vem, e Segue-Me” inclui o retorno de Paulo a Jerusalém, seu encontro com o rei Agripa e sua viagem a Roma. | Kevin Miller

“O período histórico de Alexandre a Augusto é chamado de ‘helenístico’ e sua cultura se tornou homogênea. Roma acentuou este processo pela mobilidade das atribuições políticas e militares, e pelo comércio em todas as partes do império. A paz de Augusto significava que as viagens eram mais protegidas e os mares estavam livres para o comércio. O suprimento básico de grãos de Roma era enviado do Egito, o que explica por que o centurião que levou Paulo a Roma conseguiu duas vezes comandar a passagem em grandes navios alexandrinos, que iam para a Itália (ver Atos 27:6, Atos 28:11). A segurança em um império também exigia boas estradas, muitas das quais ainda existem. Portanto, a eficiência de se mover de terra em terra nunca foi melhor antes das invenções modernas.

“A utilidade da navegação comercial para o transporte é demonstrada pelas viagens missionárias registradas de Paulo: subtraindo cerca de 4.800 km para caminhar e cavalgar, Paulo percorreu mais de 8.000 km em suas viagens de navio, e esta é uma estatística incompleta, pois ele havia naufragado três vezes antes de Atos começar sua narrativa.... a eficiência comparativa das viagens ajudou todos os negócios da igreja, pois a maioria das cartas de Paulo, e a maioria de todas as cartas do Novo Testamento, utilizavam transporte marítimo para sua entrega. Assim, o comércio internacional em um vasto império tornou possível uma Igreja mundial. …

“Muitos estudiosos de competência percebem que o cristianismo entrou em um mundo estranhamente preparado para ele. Três décadas depois da crucificação, Paulo podia dizer em resumo que o evangelho havia sido “pregado a toda criatura que há debaixo do céu” (Colossenses 1:23). Tal resultado é surpreendente, mesmo que se refira principalmente ao mundo romano. Isso nunca poderia ter acontecido sem a direção de Deus, tanto dentro quanto fora da Igreja antiga.”

— Richard Lloyd Anderson, ex-professor de Escrituras Antigas da Universidade Brigham Young, no artigo da revista Ensign de setembro de 1975, “A Igreja e o Império Romano” [em inglês]

O que aconteceu com Paulo após os eventos de Atos?

“A chegada de Paulo a Roma leva o leitor ao final do livro de Atos, mas não necessariamente ao fim da vida do apóstolo. Lucas conclui: ‘E Paulo ficou dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara, e recebia todos quantos vinham vê-lo’ (Atos 28:30).

“Por que o relato não continua? Se Paulo tivesse perdido seu caso, e sua vida, perante o imperador, um relato de seu martírio teria sido um selo muito apropriado para seu testemunho e ministério. No entanto, ele pode não ter morrido neste momento. Nem Félix, nem Festo, nem Agripa consideraram Paulo culpado de crime, muito menos digno de morte. Além disso, Paulo parece bastante otimista sobre seu próprio futuro nas chamadas ‘epístolas da prisão’, escritas durante este tempo em Roma (ver Filipenses 1:21-26; Filipenses 2:23-24; Filemom 1:22).

“Várias outras evidências sugerem que Paulo foi absolvido e viajou por algum tempo, antes de outra prisão e morte. As cartas de Paulo a Timóteo e Tito não se encaixam na cronologia de Atos e, portanto, devem ter sido escritas posteriormente. Destas epístolas, se nota que Paulo visitou Éfeso (ver 1 Timóteo 1:3; 1 Timóteo 3:14-15), Mileto (ver 2 Timóteo 4:20), Trôade (ver 2 Timóteo 4:13), Corinto (ver 2 Timóteo 4:20), Nicópolis (ver Tito 3:12) e Creta (ver Tito 1:5). As epístolas da prisão mostram que Paulo também pretendia viajar para Filipos (ver Filipenses 1:26; Filipenses 2:24) e Colossos (ver Filemom 1:22) se fosse absolvido. Em Romanos 15:24, 28, Paulo escreve sobre uma viagem planejada para a Espanha...

“A tradição é substancialmente uniforme, entretanto, em afirmar que em algum momento, na parte final do reinado de Nero, Paulo foi executado em Roma. Para trás, ele deixou os ricos tesouros de suas epístolas e o registro de seu fiel amigo Lucas, que retrata um exemplo de serviço dedicado e zelo missionário, que 20 séculos de tempo apenas os tornaram mais brilhantes.”

— C. Wilfred Griggs, ex-professor de Escrituras Antigas da Universidade Brigham Young, no artigo da revista Ensign de setembro de 1975, “Paulo: A longa estrada de Damasco” [em inglês]

O legado de Paulo

“Paulo sofreu prisões, chicotadas, frio, fome, sede, apedrejamento, naufrágio e outros perigos (ver 2 Coríntios 11:23-27). Ele também sofreu a perda de todos os bens físicos (ver Filipenses 3:8) e o martírio final (ver 2 Timóteo 4:6-7). Apenas um certo tipo de disposição poderia tolerar tal vida por um período de 25 ou 30 anos. Durante todo aquele tempo, ele edificou a Igreja em todo o norte do Mediterrâneo e escreveu muitas epístolas aos ramos de lá, algumas das quais estão preservadas em nosso Novo Testamento atual. ...

“Seus registros que chegaram a nós demonstram um grande amor pelo Salvador. E ninguém naquela época nos deu uma discussão mais extensa sobre a missão de Jesus Cristo em cumprir a lei de Moisés e em ser o salvador de todas as nações e povos. Paulo é muito eloquente ao escrever sobre a graça, misericórdia e amor do Salvador pela humanidade. ...

“Paulo era o homem certo, no lugar certo, na hora certa. Isto não foi uma coincidência, mas o resultado da presciência e seleção divina: Jesus o nomeou como uma testemunha especial, não apenas para o tempo de sua própria mortalidade, mas também para deixar um exemplo e um registro escrito para todas as gerações futuras.”

— Robert J. Matthews, ex-reitor de Educação Religiosa da Universidade Brigham Young, no artigo da revista Ensign de setembro de 1987, “Saulo de Tarso: Escolhido para uma necessidade especial” [em inglês]

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