“Vinde, e vede”, declara uma narrativa de abertura do Evangelho de João. Filipe pede a Natanael que siga “aquele de quem Moisés escreveu na lei, e os profetas, a saber: Jesus de Nazaré” (João 1:45-46). Natanael aceita o convite e encontra “o Filho de Deus... o Rei de Israel” (João 1:49). Dois milênios depois, nós também somos convidados a vir e ver o Cristo, assim como o cumprimento de profecias antigas e modernas, enquanto estudamos o Novo Testamento.
O que veremos este ano em nosso estudo do ministério mortal do Filho de Deus?
No Evangelho de Mateus, os leitores verão o Messias há muito prometido, “nas tuas trevas resplende eterna luz” (“Pequena Vila de Belém, Hinos 129”), o que foi cumprido na vida e no ministério do Santo de Israel. “Para que se cumprisse” (Mateus 1:22; 2:15; 2:23; 4:14; 8:17; 12:17; 13:35; 21:4; 27:35), o evangelista escreve repetidamente, enfatizando que Jesus é de fato “filho de Davi, filho de Abraão” (Mateus 1:1), “Emanuel... Deus conosco” (Mateus 1:23).
A partir de Marcos, vemos um Deus de ação, o Grande Eu Sou, saindo corajosamente entre os homens, curando os enfermos, ressuscitando os mortos e acalmando o mar. Sentimos a urgência de seguir o Mestre, pois os discípulos “imediatamente” abandonam suas redes para segui-Lo, quando Ele pregou e agiu “com autoridade” (ver Marcos 1:18-22, 27).

No relato de Lucas, testemunhamos a mortalidade do Salvador do mundo. Ele condescende como um bebê deitado em uma humilde manjedoura. Seu ministério, sacrifício expiatório e ressurreição revelam que a salvação se estende aos pobres, aos excluídos e aos marginalizados. Ensinamentos magistrais, como as parábolas do bom samaritano e do filho pródigo, estendem o alcance de Deus aos aflitos, assim como Seu ministério ressurreto a dois discípulos oprimidos, caminhando pela estrada solitária para Emaús. Lá, como agora, Ele abre as escrituras, demonstra seu cumprimento e ajuda Seus seguidores a vê-Lo (ver Lucas 24:31-32).
No Evangelho de João encontramos o Verbo feito carne, a Luz do Mundo, a porta, o caminho, a verdade, a vida. Em um livro com fortes contrastes, Cristo é o Cordeiro de Deus, o Pão da Vida, o Bom Pastor, a Ressurreição e a Vida, a verdadeira videira. Como a mulher de Samaria, a quem o Senhor oferece água viva, somos convidados a “Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito; porventura não é este o Cristo?” (João 4:29). Aos fiéis de seu tempo, e do nosso, João escreve o seu Evangelho “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20:31).

Em Atos dos Apóstolos e em todas as epístolas, vemos homens e mulheres fiéis tomando sua cruz para declararem corajosamente seu testemunho do Senhor ressuscitado. “Não tenho prata nem ouro”, Pedro enfaticamente exclama ao coxo que pedia esmola na porta do templo, “mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda.” (Atos 3:6). Paulo não é “desobediente à [sua] visão celestial” (Atos 26:19), mas, em vez disso, atravessa a região leste e norte do Mediterrâneo, testificando que ele não se envergonha “do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação a todo aquele que crê; primeiro ao judeu, e também ao grego.” (Romanos 1:16). Para os seguidores de Cristo e para nós, ele e seus companheiros autores escrevem repetidamente “Jesus Cristo, e este, crucificado” (1 Coríntios 2:2), nosso “sumo sacerdote dos bens futuros” (Hebreus 9:11), nosso “Advogado para com o Pai” (1 João 2:1).
Poder através de nosso estudo do Novo Testamento
Embora todas as escrituras, como todas as coisas criadas, sejam “feitas para prestar testemunho de [Cristo]” (Moisés 6:63), o Novo Testamento “é o ponto central da história das escrituras, assim como o próprio Salvador deve ser o ponto central de nossa vida”, observou Élder L. Tom Perry (1922–2015), do Quórum dos Doze Apóstolos. “Precisamos comprometer[mo]-nos a estudá-[Lo] e a amá-[Lo]!” (“O Dia do Senhor e o Sacramento”, conferência geral de abril de 2011). Ao fazermos isto, nossa vida será transformada. Nós nos tornaremos mais parecidos com Aquele de quem cada página dá testemunho.
Presidente David O. McKay (1873–1970), nono Presidente da Igreja, descreveu a transformação que ocorre na vida daqueles que estudam e seguem Jesus. “Os mais elevados de todos os ideais são os ensinamentos, e particularmente, a vida de Jesus de Nazaré, e as pessoas mais extraordinárias são justamente as que mais se assemelham a Cristo. O que sinceramente pensamos de Cristo em nosso coração determinará o que somos, determinará grandemente quais serão nossos atos.”
Presidente McKay continuou: “Nenhuma pessoa pode estudar esta personalidade divina e aceitar Seus ensinamentos sem sentir uma influência edificante e refinadora dentro de si mesma. Na verdade, todo indivíduo pode experimentar a operação da força mais poderosa que pode afetar a humanidade” (conferência geral de abril de 1951 – em inglês). Essa força poderosa afetou Pedro e Paulo, Marta e Maria nas páginas do Novo Testamento, e também nos afetará ao estudá-Lo este ano.

Em nossos dias, Presidente Russell M. Nelson fez promessas semelhantes a respeito de nosso estudo de Jesus Cristo. “Quanto mais sabemos sobre o ministério e a missão do Salvador, quanto mais compreendemos Sua doutrina e o que Ele fez por nós, mais entendemos que Ele pode nos dar o poder de que necessitamos em nossa vida.” Presidente Nelson estendeu um desafio que ele havia feito a si mesmo de “consagrar uma porção de seu tempo toda semana para estudar tudo o que Jesus disse e fez, conforme registrado nas escrituras-padrão.” Presidente Nelson ensinou: “Quando investimos tempo em aprender sobre o Salvador e Seu sacrifício expiatório, somos levados a participar de outro elemento fundamental para acessar Seu poder: escolhemos ter fé em Jesus Cristo e segui-Lo” (“Invocando o Poder de Jesus Cristo em Nossa Vida”, conferência geral de abril de 2017).
Como nosso profeta nos ensinou, um estudo de Jesus Cristo nas páginas do Novo Testamento este ano convidará Seu poder em nossa vida. Às vezes, este estudo exigirá trabalho, mas proporcionará bênçãos preciosas. “Não há nada de fácil ou automático no que diz respeito a se tornar um discípulo poderoso”, advertiu Presidente Nelson. “Nosso foco deve estar firmemente voltado para o Salvador e Seu evangelho. É necessário muito esforço mental para buscar o Salvador em cada pensamento. Mas, quando nos esforçamos, nossas dúvidas e nossos temores se vão.”
Em nossa vida pessoal e coletiva, precisamos do poder que advém da escolha de ter fé no Senhor Jesus Cristo. “[Em] um mundo de desencanto, tristeza e tanto pecado”, testificou Élder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos, “[em] uma época em que o medo e o desespero parecem prevalecer, em que a humanidade está febril, sem nenhum médico do mundo à vista, eu também digo: ‘Confiai em Jesus’. Deixai-o acalmar a tempestade e andar sobre ela. Acreditai que ele pode levantar a humanidade de seu leito de aflição, nesta vida e na eternidade.” (“Confiai em Deus e Vivei”, conferência geral de outubro de 1993).
Ao buscarmos a mão divina do Senhor por meio do estudo dedicado de Sua palavra, seremos tocados por Seu poder. Presidente Nelson prometeu: “Ao buscarmos o poder do Senhor para nossa vida com a mesma intensidade de alguém que luta para conseguir respirar quando está se afogando, teremos o poder de Jesus Cristo. Quando o Salvador perceber que verdadeiramente desejamos nos achegar a Ele — quando Ele sentir que o maior desejo de nosso coração é invocar Seu poder em nossa vida — seremos guiados pelo Espírito Santo para saber exatamente o que devemos fazer. Ao nos esforçarmos espiritualmente, além de qualquer coisa que tenhamos feito anteriormente, Seu poder fluirá sobre nós” (“Invocando o Poder de Jesus Cristo em Nossa Vida”, conferência geral de abril de 2017).
Ao buscarmos “esse Jesus sobre quem os profetas e apóstolos escreveram ... a graça de Deus Pai, e também do Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo . . . [estará] e [permanecerá em nós] para sempre” (Éter 12:41). Nosso testemunho ecoará aqueles que testificam Dele. “Ele é a luz, a vida e a esperança do mundo. Seu caminho é aquele que conduz à felicidade nesta vida e à vida eterna no mundo vindouro. Graças damos a Deus pela incomparável dádiva de Seu Filho divino” (“O Cristo Vivo: O Testemunho dos Apóstolos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”).
— Scott Esplin é decano da faculdade de Educação Religiosa da Universidade Brigham Young.
![“Within Our Grasp” [Ao nosso alcance], de Jay Bryant Ward.](https://pt.thechurchnews.com/resizer/v2/GX2FWDAIFETEU7EMM76M4SHVV4.jpg?auth=6e2e04a2024bf28e2c806d3d4e761e5bfd4c9e43352630987316947dd76bc41d&focal=340%2C350&width=800&height=600)