Nathan Lewis, que estudou as raízes biológicas do autismo na Universidade da Califórnia, em San Diego, e tem três filhos autistas, já havia se perguntado antes sobre como a composição genética única de uma pessoa pode afetar sua experiência de adoração.
Então, quando a presidência da Escola Dominical de sua ala começou a discutir os tipos de reuniões de conselho de professores que seriam úteis para os pais, Lewis se sentiu inspirado a liderar um conselho para pais e professores de crianças neurodivergentes.
“Eu esperava que isto fosse algo que ajudasse as pessoas a reconhecerem as dificuldades e as vantagens que essas crianças ligeiramente diferentes vivenciam”, disse Lewis.

Ele explicou como crianças com autismo, TDAH, síndrome de Tourette ou outras condições podem achar difícil permanecerem sentadas, entenderem metáforas ou se concentrarem em ambientes superestimulantes, e tudo isso pode ser esperado em aulas da Primária ou da Escola Dominical.
“Se entendermos melhor o que acontece dentro delas, poderemos atender a essas necessidades”, disse ele.
Ele acrescentou que as crianças também têm pontos fortes e únicos, que podem ser benéficos para suas famílias e classes.

Incluindo todo o corpo de Cristo
Lewis disse que enquanto se preparava e facilitava essas reuniões de conselho, ele se lembrou de 1 Coríntios 12, que ensina a necessidade de cada parte do corpo de Cristo.
“Isso foi algo que simplesmente veio a mim, que me impressionou profundamente: que precisamos de todos. Precisamos daqueles que são um pouco diferentes”, disse ele. “E, com isso, precisamos entender como podemos fazer com que se sintam mais unidos.”

Lewis foi meticuloso na preparação das aulas, consultando pesquisas primárias sobre neurodivergência e religião, bem como escrituras e citações de líderes da Igreja.
“O segredo é obter as informações mais precisas e depois ensiná-las de uma forma que seja respeitosa para pessoas de diferentes origens”, disse ele.
Criando espaços seguros
Ginny Beachem participou da primeira aula, em parte para apoiar o marido, que servia na presidência da Escola Dominical com Lewis. Em pouco tempo, ela se dedicou às aulas.
“Depois da primeira aula, fiquei simplesmente encantada. Mal podia esperar pela próxima.”
O filho de Beachem tem síndrome de Tourette, e ela refletiu sobre como treinamentos como este teriam sido úteis 20 anos atrás, quando ela levava o filho à Igreja.

Beachem também ensinou e desenvolveu relacionamentos com indivíduos neurodivergentes, ao servir em chamados da Primária e das Moças.
Ela mencionou como os desafios que pessoas neurodivergentes e suas famílias enfrentam podem fazer com que ir à Igreja pareça uma tarefa avassaladora, e até mesmo impedir que alguns compareçam. Ela espera que essas aulas possam informar professores e pais sobre maneiras de tornar as aulas na Igreja mais acolhedoras.
“Nós realmente queríamos que essas crianças sentissem que podem voltar e que são bem-vindas”, disse ela, relembrando o objetivo comum daqueles que também frequentavam as aulas de Lewis. “Queremos que elas sintam que há segurança e paz em suas vidas.”
7 princípios ‘A’ como soluções práticas
Lewis criou um modelo com sete princípios, cada um deles sendo uma única palavra que começa com a letra “a” [em inglês], que pode ajudar famílias e alas a incluírem pessoas neurodivergentes no corpo de Cristo.

- Acquaint [Familiarizar-se] — Aprenda mais sobre condições neurodivergentes em fontes confiáveis.
- Acknowledge [Reconhecer] — Reconheça a realidade e o amplo espectro dessas condições, bem como os desafios e pontos fortes que as acompanham.
- Accommodate [Acomodar] — Faça ajustes que podem melhorar as experiências de adoração de pessoas neurodivergentes.
- Affirm and admire [Afirmar e admirar] — Ofereça espaço aos indivíduos neurodivergentes para compartilharem seus talentos e interesses únicos.
- Agency [Arbítrio] — Em vez de impor soluções às pessoas, pergunte a elas como você pode ajudá-las.
- Atonement [Expiação] — Lembre-se de que Jesus Cristo tem o poder de unir todos os filhos de Deus.
Lewis descreveu acomodações que professores e pais podem fazer para ajudar crianças neurodivergentes, como, por exemplo, permitir que elas segurem brinquedos sensoriais durante a Igreja, levá-las para passear pela capela quando precisarem de uma pausa, ou deixá-las usar fones de ouvido com cancelamento de ruído quando se sentirem superestimuladas.

Lewis disse que muitas vezes ficamos presos ao “que está errado” quando discutimos sobre pessoas neurodivergentes e, em vez disso, deveríamos focar no “que é forte”.
“Ao reconhecermos e contemplarmos humildemente seus dons especiais, podemos até ter um sentimento de admiração.”
Progresso eterno
Lewis aceitou recentemente um novo cargo na Universidade da Geórgia, e não facilita mais essas reuniões de conselho de professores em sua ala na Califórnia.
No entanto, as lições que ele aprendeu ao preparar e facilitar os conselhos permanecerão com ele.

“Na verdade, por meio disso, passei a realmente ver o quão amoroso [Deus] é, e a importância do progresso eterno”, disse ele, acrescentando: “[O Salvador] quer que todos aqui possam ajudar a edificar o corpo de Cristo, e fazemos isso por meio do amor e da compreensão, reservando um tempo para entendermos as necessidades uns dos outros e apoiá-los.”
Recursos para promover a inclusão podem ser encontrados na Biblioteca do Evangelho, na seção “Deficiências”.

