Os visitantes das pradarias e savanas da África muitas vezes se pegam cantarolando trechos da trilha sonora de “O Rei Leão” ou músicas como “Quem dorme é o leão” e “Africa”.
Esta última, um sucesso do soft rock de 1982, repete o conhecido verso “I bless the rains down in Africa” [Eu abençoo as chuvas na África].
As chuvas desempenharam um papel importante em minhas duas últimas viagens, de um total de três, à África, para cobrir a dedicação de templos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Participei da dedicação do Templo de Harare Zimbábue [em inglês], em 1º de março, realizada por Élder Gerrit W. Gong, do Quórum dos Doze Apóstolos. E embora houvesse previsão de chuva por vários dias, o fim de semana da dedicação permaneceu seco, com um sol intenso.
No entanto, as chuvas entraram em cena nas semanas anteriores, enquanto minha esposa e eu reservamos um safári no Parque Nacional Kruger, na África do Sul, para observar as diversas espécies de pássaros e animais, antes que ela retornasse para casa, em Utah, e eu seguisse para o Zimbábue.
Em meados de janeiro, chuvas torrenciais inundaram o Kruger e as regiões vizinhas da África do Sul, Zimbábue e Moçambique. No imenso parque de 19.450 quilômetros quadrados, as enchentes destruíram diversas pontes e estradas, além de alagarem os acampamentos, fechando aqueles onde tínhamos reservas para pernoitar. Nosso guia se mobilizou para remarcar nossas reservas e planejar rotas alternativas, entrando e saindo do Kruger para alcançar áreas e acampamentos menos afetados.
Conversei sobre nossos planos afetados pela chuva com Sean Donnelly, gerente de relações regionais da Igreja na África. Ele estava em Harare, sua cidade natal, para a casa aberta do templo no final de janeiro, quando as chuvas e enchentes começaram a diminuir. Veterano de dezenas de safáris no Kruger, fruto de suas décadas na África e de seu trabalho atual na sede da Igreja em Salt Lake City, Donnelly havia acabado de retornar de uma viagem semelhante.
Ele compartilhou perspectivas interessantes de várias tradições e culturas africanas. “Na cultura africana, a chuva, entre outras coisas, representa purificação e renovação. Representa prosperidade.”
Donnelly citou o Botsuana como exemplo. “A moeda deles se chama ‘pula’, que significa ‘chuva’, como em ‘Quantas pulas’ ou ‘Quantas chuvas você tem?’”
Outra tradição cultural africana é a chuva ser vista como um símbolo de conexão com o céu, disse ele, acrescentando: “Acredita-se que nos conectamos com nossos ancestrais através da chuva, até os céus... Eles acreditam que a chuva é um sinal de conexão com o futuro e as gerações passadas.”
Embora não tenha chovido durante nosso tempo no Kruger, vimos os resquícios das enchentes anteriores. Contornamos as pontes destruídas e estradas danificadas e vimos os leitos dos rios marcados pelas enchentes e os acampamentos sendo lentamente reabertos. Mas também vimos lagoas reabastecidas, novos “charcos” de água, flora prosperando e fauna sobrevivente.
Com frequência, eu pensava na nova perspectiva africana que Donnelly me deu sobre a chuva — purificação, renovação, prosperidade e uma conexão com o céu.
E enquanto estava na África do Sul e no Zimbábue, refleti sobre ter testemunhado alguém que abençoou as chuvas na África e que fez uma conexão com o céu.
Há quase quatro anos, viajei para Cabo Verde para fazer uma reportagem sobre a dedicação do Templo de Praia Cabo Verde [em inglês]. Élder Neil L. Andersen, do Quórum dos Doze Apóstolos, ciente das condições de seca de cinco anos que então assolavam a nação insular da África Ocidental, incluiu um pedido de chuva em sua oração dedicatória de 19 de junho de 2022.
“Agradecemos a Ti, Pai, pelas muitas bênçãos recebidas por Cabo Verde desde que Élder Dallin H. Oaks abençoou esta terra, há quase 30 anos”, orou Élder Andersen. “Abençoamos esta terra, como Presidente Oaks fez anteriormente, para que a terra produza abundantemente para o seu povo, para que as nuvens produzam chuva, para que o oceano dê os seus frutos e abençoamos o povo desta terra para que tenha visão, energia e liberdade, luz e conhecimento, ambição e esperança, todos fortalecidos pela obediência aos Teus mandamentos.”
A chuva começou a cair com força após a sessão dedicatória da tarde e continuou intermitentemente por dias, semanas e meses depois. Rapidamente ficou conhecido como “o milagre da chuva” entre os santos dos últimos dias em todo o mundo.
Na esperança de ter a oportunidade de voltar à África em breve, sempre me lembrarei das pessoas, da dedicação dos templos, da vida selvagem, da terra. E pensarei na chuva: nos impactos, nas novas perspectivas e no milagre de quando a chuva foi abençoada na África.
— Scott Taylor é editor-chefe do Church News.

