Ao longo de anos de serviço na Igreja, Élder Eduardo F. Ortega aprendeu uma lição valiosa. Em qualquer chamado, como bispo ou irmão ministrador, “é mais fácil sabendo que representamos o Senhor.”
“Se pensarmos como Ele faria isso, é muito mais fácil”, disse Élder Ortega, citando Jacó 5:71-72, no Livro de Mórmon, que diz em parte: “E se trabalhardes comigo, com afinco, tereis alegria no fruto. ... E aconteceu que os servos foram e trabalharam com todo o afinco; e o Senhor da vinha também trabalhou com eles.”
Élder Ortega disse: “Senti o Senhor servindo ao meu lado muitas vezes, em muitos chamados, porque a vinha é Sua, não nossa. Somos servos e ajudantes.”
Élder Ortega foi apoiado como novo Setenta Autoridade Geral de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias durante a conferência geral de abril de 2025.
Legado de fé
Eduardo Francisco Ortega nasceu em 10 de julho de 1977, em Godoy Cruz, Mendoza, Argentina, filho de Fernando Daniel Ortega e Irma Elvira Endstofer.

Ele foi criado por pais que dedicaram a vida ao evangelho de Jesus Cristo. Ao longo dos anos, eles serviram em muitos chamados de liderança, incluindo líderes da Missão Nicarágua Manágua. Atualmente, eles servem como presidente e diretora do Templo de Buenos Aires Argentina [em inglês].
“Cresci em uma família onde o evangelho era o mais importante”, disse Élder Ortega. “Vi meu pai e minha mãe servirem ao Senhor durante toda a minha infância. Eles foram grandes exemplos.”
Seus avós paternos, José Rufino Ortega e Mercedes Bonilla de Ortega, estavam entre os primeiros a aceitarem o evangelho, na década de 1950, quando havia menos de 20 santos dos últimos dias em Mendoza, Argentina.
Certo dia, missionários de chapéu e bigode chamaram a atenção de José Ortega, enquanto caminhavam pela Plaza San Martín. Curioso, ele os seguiu. Quando os élderes perceberam que estavam sendo seguidos, se apresentaram e marcaram uma lição.
Mas os missionários não apareceram, pois foram transferidos e a cidade foi fechada para o trabalho missionário. Um ano depois, os missionários retornaram e encontraram a família Ortega listada no livro de área. A família aceitou o evangelho e se filiou à Igreja.
Por várias décadas, a família de Élder Ortega ajudou aquele pequeno ramo a crescer e se tornar várias estacas, com um novo templo, o Templo de Mendoza Argentina [em inglês], dedicado em setembro de 2024.
Ao aceitar seu novo chamado, Élder Ortega se sentiu profundamente humilde e sentiu uma profunda ternura por seus avós, e outras pessoas que abriram caminho para sua jornada como santo dos últimos dias.
“Espero que estejam felizes”, disse ele. “Eles não estavam apenas aceitando o evangelho para si mesmos, mas agora sabemos que o estavam aceitando por nós.”
Obtendo um testemunho
Élder Ortega guarda boas lembranças de sua participação na Primária, nas atividades dos Rapazes, no Seminário e no cumprimento de seus deveres do Sacerdócio Aarônico. Mas ele só orou sinceramente para obter um testemunho do evangelho quando começou sua missão.
Preparando-se para servir na Missão Colômbia Cali, Élder Ortega se ajoelhou em seu quarto certa noite, no Centro de Treinamento Missionário em Buenos Aires, Argentina, e orou fervorosamente para receber um testemunho pessoal do Salvador, do Profeta Joseph Smith, da veracidade do Livro de Mórmon e de outras doutrinas fundamentais que ele ensinaria como missionário.
Sua oração foi respondida.
“Foi lá que adquiri meu próprio e forte testemunho de Jesus Cristo”, disse Élder Ortega. “Minha missão foi definitivamente crucial para que eu adquirisse um testemunho.”
Como missionário, ele amava servir ao povo colombiano. A experiência marcou uma virada espiritual em sua vida.
“Eu era um bom rapaz que frequentava a Igreja todos os domingos e guardava os mandamentos. É claro que, na minha juventude, amávamos servir ao próximo, mas durante a minha missão foi completamente diferente: meus pais não estavam lá me dizendo, ‘Vamos fazer isso, vamos fazer aquilo’”, disse ele. “Foi a primeira vez que tive o sentimento mais terno de ajudar as pessoas. Percebi que sentia alegria em servir aos outros por conta própria.”
Uma decisão importante
Após sua missão, Élder Ortega passou algum tempo com seus pais enquanto eles presidiam a missão na Nicarágua, e depois foi para a BYU, Estados Unidos, para aprender inglês antes de retornar à Argentina em 2001.
Ele estava participando de uma conferência de três dias para jovens santos dos últimos dias em Buenos Aires, quando conheceu Gabriela Cappi, membro da Estaca Montevidéu Uruguai Oeste. Eles se tornaram amigos e, por fim, começaram a namorar à distância.
“Era um relacionamento internacional”, disse Élder Ortega, sorrindo para sua esposa.
Quando os Ortegas começaram a namorar, não havia aplicativos de smartphone, mensagens de texto ou ferramentas de mídia social projetadas para comunicação de longa distância rápida e acessível. Apenas chamadas telefônicas internacionais caras.
Além das ligações semanais, eles faziam viagens caras todos os meses para se verem. A viagem só de ida entre Buenos Aires e Montevidéu levava oito horas, e exigia um trecho de balsa e uma longa viagem de ônibus.
Após seis meses de ligações e viagens internacionais, o casal percebeu que tinha uma decisão importante a tomar.
“Você se pergunta se vale a pena o tempo e o dinheiro”, disse a irmã Ortega. “Para onde estamos indo e o que estamos fazendo com este [relacionamento]?”
Eles sabiam que, para se casarem, um deles precisaria deixar seu país natal, família e amigos, além de educação e oportunidades de trabalho, para começar uma nova vida com o outro.
Por fim, eles se sentiram guiados a se casarem, e foi decidido que a irmã Ortega se juntaria a Élder Ortega na Argentina.
“Deixei tudo para trás: um ótimo emprego, família e amigos, mas valeu a pena”, disse ela. “Eu tinha tudo, mas não tinha a coisa mais importante que eu queria: construir minha família. O único obstáculo tinha sido encontrar o homem certo e, quando o encontrei, não quis deixá-lo.”
Élder e a irmã Ortega se casaram no Templo de Montevidéu Uruguai [em inglês] em 13 de setembro de 2002.
Fé e serviço na Igreja
Élder e a irmã Ortega iniciaram seu casamento e sua família durante um período de crise política e financeira na Argentina. Diante de desafios ou decisões importantes, eles oravam, jejuavam, pagavam o dízimo e confiavam no Senhor.
“Foi muito difícil para um jovem casal começar a vida naquela situação”, disse ele, observando que era um estudante que trabalhava esporadicamente por alguns anos. “Mas tínhamos fé, tínhamos nossas promessas, nossos convênios com o Senhor, e eles seriam nossa segurança. Sabíamos que tudo daria certo no final. Servimos o Senhor de todo o coração. Foi muito difícil nos primeiros anos... mas depois, começamos a ver as bênçãos.”
“É claro que haverá desafios e provações na vida, mas se seguirmos esse padrão de serviço, tudo ficará bem.”
— Élder Eduardo F. Ortega
Os Ortegas sabiam como e o que significava servir na Igreja porque ambos foram abençoados com pais fiéis santos dos últimos dias e famílias devotadas ao evangelho.
Assim como os pais de Élder Ortega, os pais da irmã Ortega, Antonio Rodríguez Cappi e Graciela María Franzia de Cappi, ambos conversos, serviram em muitos chamados de liderança. Eles foram líderes da Missão Argentina Trelew e presidente e diretora do Templo de Montevidéu Uruguai.
“Meus pais serviram a vida toda, deixando de lado muitas coisas porque o Senhor está em primeiro lugar”, disse ela, acrescentando que foi durante o serviço de seus pais como líderes de missão que ela aprendeu a enfrentar desafios e adquiriu um testemunho. “O Senhor sempre esteve conosco.”
O exemplo de serviço à Igreja dos pais forneceu um alicerce natural para seu próprio casamento.
“Tínhamos algo em comum. Nossos pais colocavam o Senhor em primeiro lugar, e nós os víamos servindo, servindo e servindo. O alicerce de nosso casamento já estava lá”, disse Élder Ortega, que sentiu a orientação do Senhor enquanto concluía seus estudos, servia como bispo e ajudava a esposa com seus dois filhos pequenos.
“Decidimos no início do nosso casamento que serviríamos ao Senhor com todo o nosso coração e força. Seguimos o mesmo padrão que vimos em nossos pais. Criamos nossa família servindo. É claro que haverá desafios e provações na vida, mas se seguirmos esse padrão de serviço, tudo ficará bem.”
Testemunho do Salvador
Refletindo sobre sua jornada espiritual, Élder Ortega compartilhou seu testemunho do Salvador.
“Eu tenho um testemunho do nosso Salvador, de que Ele vive. Eu O vi trabalhando lado a lado comigo e sei que esta é a Sua obra, não a nossa”, disse ele. “Sei que Ele veio para nos salvar, para nos dar luz, oportunidade, para nos dar esperança em nossa vida. Sua Expiação eterna nos dá oportunidade e esperança.”

Sobre Élder Eduardo F. Ortega
Família: Eduardo Francisco Ortega nasceu em Godoy Cruz, Mendoza, Argentina, em 10 de julho de 1977, filho de Fernando Daniel Ortega e Irma Elvira Endstorfer. Casou-se com Gabriela Alejandra Cappi Franzia no Templo de Montevidéu Uruguai, em 13 de setembro de 2002. O casal tem três filhos.
Educação: Graduado em Arquitetura pela Universidade John F. Kennedy, Argentina. Obteve seu mestrado na Universidade de Belgrano, e também se formou em Liderança pela Harvard Business School.
Carreira: Trabalhou como gerente de projetos de construção, primeiro para a SBA Co. e depois para a Village Roadshow Co. Trabalhou como diretor imobiliário da América Latina para a American Express Co. Atuou como membro do conselho da Arch Royale Projects Ltd. e da CoreNet Global.
Serviço na Igreja: Setenta de Área, conselheiro na presidência da estaca, bispo, conselheiro no bispado, presidente do quórum de élderes, líder do grupo de sumos sacerdotes e missionário de tempo integral na Missão Colômbia Cali.
