PALMYRA, Nova York — Três anos após a Primeira Visão, na noite de 21 de setembro de 1823, o jovem Joseph Smith orou na casa de sua família em Palmyra, Nova York, pedindo perdão e compreensão.
Naquela noite, ele foi visitado diversas vezes por um mensageiro celestial, o antigo profeta Morôni, que informou ao jovem Joseph que Deus tinha uma obra para ele realizar. O anjo revelou a localização de um antigo registro inscrito em placas de ouro, enterrado em uma colina próxima, que levaria ao surgimento do Livro de Mórmon. Ele também ensinou Joseph sobre a Restauração do evangelho do Senhor.
No dia seguinte e em 22 de setembro pelos quatro anos seguintes, Joseph foi até a colina para receber instruções do anjo Morôni que o preparariam para seu papel profético na obra dos últimos dias.
Pouco mais de 200 anos depois, no domingo, 21 de setembro, centenas de pessoas se reuniram do lado de fora do Centro de Visitantes enquanto Élder David A. Bednar, do Quórum dos Doze Apóstolos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, rededicava o recém-reformado Local Histórico do Monte Cumora, um local sagrado ao qual ele se referiu como “o Berço da Restauração”.
“Estamos verdadeiramente maravilhados por estarmos reunidos no berço da prometida Restauração dos últimos dias, onde eventos sublimes inauguraram a dispensação da plenitude dos tempos”, disse ele na oração dedicatória. “Agradecemos a Ti por esta ocasião e por tudo o que ela significa e simboliza.”
Élder Bednar dedicou o Local Histórico do Monte Cumora como um lugar de “sagrada lembrança”, “inspiração celestial”, “apreciação sincera”, “busca e aprendizado” e “humilde reverência”, onde todos que o visitarem serão “abençoados ao aprenderem verdades eternas pelo poder do Espírito Santo”.
O evento foi transmitido e pode ser assistido em ChurchofJesusChrist.org[em inglês].
Élder Bednar foi acompanhado na rededicação por sua esposa, a irmã Susan Bednar; por Élder Kyle S. McKay, Setenta Autoridade Geral que serve como historiador e registrador da Igreja e diretor executivo do Departamento de História da Igreja, e sua esposa, a irmã Jennifer S. McKay; e por Élder Hugo E. Martínez, Setenta Autoridade Geral e diretor executivo assistente do Departamento de História da Igreja, e sua esposa, a irmã Nuria Martínez.
Líderes governamentais, civis e de tribos indígenas também compareceram ao evento. A música ficou a cargo de um coro e uma pequena orquestra.
O foco renovado em Jesus Cristo por meio do Livro de Mórmon é o que Élder McKay considera mais satisfatório no renovado Local Histórico do Monte Cumora.
“Tudo que fazemos, cada documento que guardamos, cada registro que coletamos, cada artefato em que nos concentramos, cada propriedade histórica tem um propósito abrangente, que é levar as pessoas a Cristo, e sentimos que este monte faz isso”, disse ele.
Élder Martínez disse que o propósito dos locais históricos da Igreja é ajudar os membros a aprenderem e fortalecerem a fé em Jesus Cristo, para “verem como foi Ele quem liderou a Restauração e tudo o que aconteceu aqui.”
Ele acrescentou: “Os membros virão e sentirão a verdade disso. Sentirão o quão sagrado isso é. Sentirão que, se a revelação foi possível para um jovem profeta, é possível para todos os filhos do Pai Celestial.”
O Local Histórico do Monte Cumora foi dedicado inicialmente por Presidente Heber J. Grant, em 21 de julho de 1935. O Centro de Visitantes do Monte Cumora foi originalmente dedicado [em inglês]por Presidente Gordon B. Hinckley, em 1º de julho de 2002.
A rededicação do Monte Cumora também ocorre cinco anos após a Primeira Presidência e o Quórum dos Doze Apóstolos terem emitido uma proclamação durante a conferência geral de abril de 2020: “A Restauração da Plenitude do Evangelho de Jesus Cristo: Uma Proclamação Bicentenária ao Mundo”. Presidente Russell M. Nelson apresentou a proclamação mundial a partir do Bosque Sagrado, a uma curta distância do Monte Cumora, comemorando o 200º ano desde que o Profeta Joseph Smith foi visitado por Deus, o Pai, e Jesus Cristo na Primeira Visão.
O Monte Cumora: ‘Um lugar sagrado’
Em sua mensagem, Élder Bednar refletiu sobre os eventos significativos que ocorreram no Monte Cumora e em seus arredores.
A colina foi inicialmente um “local sagrado de preservação e proteção”, disse ele, onde Morôni enterrou as placas de ouro e outros itens em uma caixa de pedra que ele mesmo fez. Permaneceram em segurança na caixa até 22 de setembro de 1827, quando Morôni entregou as placas, que continham a plenitude do evangelho do Salvador a Joseph, para a tradução do Livro de Mórmon.
Em seguida, o monte era um “lugar sagrado de aprendizado”, uma sala de aula ao ar livre onde Joseph recebeu instruções de Morôni um dia por ano, de 1823 a 1827. Embora o número exato de visitas de Morôni seja desconhecido, Joseph teve 22 visitas documentadas de Morôni em vários locais ao longo dos anos.
“Será que algum de nós consegue sequer começar a imaginar o currículo celestial apresentado ao jovem Joseph por Morôni?”, disse Élder Bednar. Seu mentor e professor era um mensageiro de Deus, e as lições que ele aprendeu foram uma preparação para uma vida de discipulado devoto e serviço consagrado.”
Por mais de um século, muitos discípulos fiéis de Jesus Cristo fizeram do Monte Cumora “um lugar sagrado de serviço”. Élder Bednar reconheceu o serviço prestado pelos membros, missionários e outros, mas destacou dois exemplos valentes de serviço consagrado.
Primeiro, depois que a Igreja adquiriu a casa da fazenda e a propriedade de Joseph Smith Sênior em Palmyra, Presidente Joseph F. Smith chamou Willard e Rebecca Bean em 1915, para morarem na fazenda e representarem a Igreja. Eles foram os primeiros santos dos últimos dias a viverem na região em mais de 80 anos. Enfrentaram forte preconceito e perseguição na comunidade, mas demonstraram paciência e perseverança, conquistando, por fim, aceitação como vizinhos e amigos em Palmyra. Élder Bean foi fundamental na aquisição de outras propriedades de importância histórica, incluindo o Monte Cumora. A missão do casal durou 25 anos.
Em segundo lugar, Élder Bednar descreveu o Espetáculo do Monte Cumora, uma produção teatral ao ar livre que celebrou o Livro de Mórmon de 1937 a 2019, como “uma parte importante da história e do legado” do Monte Cumora.
“Ao longo de muitas décadas, o Espetáculo do Monte Cumora abençoou centenas de milhares de vidas, levou muitas pessoas a aprenderem sobre A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e foi fonte de memórias maravilhosas para muitos membros da Igreja”, disse Élder Bednar.
Preservado para gerações futuras
Élder Bednar disse que, na década de 1990, os líderes da Igreja sentiam que o Bosque Sagrado havia se tornado mais um local de reunião comemorativa do que um local para se contemplar silenciosamente a Primeira Visão. Para possibilitar uma experiência mais reverente, a Igreja iniciou um programa de reflorestamento e conservação que resultou em um bosque mais natural e saudável, que se assemelha mais ao cenário da Primeira Visão.
O projeto de reabilitação do Monte Cumora foi elaborado com o mesmo objetivo. Além disso, o Centro de Visitantes foi remodelado com um foco maior em Jesus Cristo e no Livro de Mórmon.
Élder Bednar concluiu seus comentários prestando seu testemunho do Salvador e fazendo referência à história de Moisés no Velho Testamento e da sarça ardente, na qual o Senhor instruiu Moisés a tirar os sapatos porque estava em solo sagrado (ver Êxodo 3:5).
“Hoje, vocês e eu também pisamos em solo sagrado”, disse Élder Bednar. “Nos últimos anos, muitas pessoas foram abençoadas espiritualmente ao visitarem o Monte Cumora. Mas, nos próximos anos, ainda mais pessoas virão a este lugar sagrado e obterão compreensão e apreço pela visita do Pai e do Filho ao menino Joseph Smith, pelo surgimento do Livro de Mórmon e pela Restauração da autoridade do sacerdócio, das chaves e da Igreja do Novo Testamento do Salvador.”
‘Eu amo este monte’
Suzy Jensen, uma santo dos últimos dias e moradora local de longa data, discursou na rededicação. Sua família participou do Espetáculo do Monte Cumora por várias décadas. Embora tenha sido difícil ver o espetáculo acabar, ela sentiu uma impressão espiritual durante a rededicação, de que seria um lugar onde muitos viriam e teriam uma experiência espiritual, assim como o Bosque Sagrado.
“Eu amo muito este monte. Ele é realmente uma parte tão importante da minha vida”, disse ela. “Foi muito significativo estar aqui, poder celebrar com todas essas outras pessoas que têm a mesma conexão com o monte.”
Jaimee Gabrielsen, de Mendon, Nova York, regeu o coro, que incluía sua filha de 13 anos, Millie Gabrielsen. Ela descreveu a experiência como “incrivelmente especial.”
“Há um espírito tão especial aqui”, disse Jaimee Gabrielsen. “Alguns têm sentimentos mistos sobre verem a colina em estado selvagem, mas eu acho fantástico porque me ajuda a imaginar mais vividamente o que Joseph e Emma teriam visto, e é simplesmente especial.”
Na orquestra, Miles Hammond, de 14 anos, tocava viola, enquanto sua irmã de 16 anos, Evie Hammond, e sua amiga de 17 anos, Anna Turley, tocavam violoncelo. Os três comentaram que a experiência de tocar músicas no Monte Cumora foi algo espiritual que fortaleceu sua fé em Jesus Cristo.
Presidente Kory Coleman e sua esposa, síster Carolie Coleman, líderes da Missão Nova York Syracuse, disseram que os locais históricos da Igreja são uma bênção para a área e desempenham um papel importante no trabalho missionário.
“Temos a oportunidade de ver os milagres que acontecem diariamente, à medida que as pessoas testemunham a Restauração e como ela transforma vidas quando ouvem e sentem o poder do que aconteceu nesses locais sagrados”, disse o presidente Coleman. “Vemos como seus corações mudam em um curto espaço de tempo, porque podem vivenciar as coisas que acontecem aqui.”
