PROVO, Utah — Com a chegada da época de Natal, Presidente D. Todd Christofferson, segundo conselheiro na Primeira Presidência de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, prestou testemunho de que “Jesus nasceu de Maria, que Ele viveu na Terra, que Ele vive agora, o Deus de nossa redenção.”
Menos de 24 horas após a Universidade Brigham Young dar início às suas comemorações de fim de ano, com a primeira [em inglês] cerimônia de iluminação da árvore de Natal de sua história, cerca de 12.000 estudantes, professores e funcionários lotaram o Marriott Center, para ouvirem Presidente Christofferson testificar sobre “a condescendência de Deus”, ao vir à Terra como um bebê indefeso.
O discurso de Presidente Christofferson, proferido em uma manhã cinzenta de inverno na terça-feira, 2 de dezembro, ocorreu menos de dois meses após seu chamado para a Primeira Presidência.

Ele e sua esposa, a irmã Kathy Christofferson, que o acompanhou à BYU, são ambos ex-alunos da universidade. Um “Ahh” audível foi ouvido da multidão quando uma foto dos dois com suas becas e capelos de formatura da BYU foi projetada nos telões. Presidente Christofferson expressou seu amor pela universidade, seu presidente e seus alunos. “Há um verdadeiro ímpeto acontecendo neste campus, e espero que vocês possam senti-lo”, disse ele aos participantes do devocional de terça-feira.
Em seu discurso, Presidente Christofferson convidou os ouvintes a “refletirem sobre a vida mortal e a missão de Jesus Cristo, Sua condescendência em salvá-los. Convido-os a pensarem em sua própria condescendência, em seu propósito e em como vocês também, tendo descido a um mundo decaído, podem, com ‘bom ânimo’, se elevar e vencer o mundo com Cristo. Suplico-lhes que ‘tomem a sua cruz diariamente e sigam [Jesus]’ (Lucas 9:23) fielmente, até o fim.”
A condescendência do Salvador
O mundo celebra um nascimento que ocorreu há mais de 2.000 anos, “porque foi o início de uma vida e missão que têm um significado supremo e eterno para todos nós”, disse Presidente Christofferson. “Esse nascimento manifestou o amor supremo de Deus por todos os Seus filhos, um amor que o Livro de Mórmon chama de ‘a maior alegria para a alma’ (1 Néfi 11:23)."
Séculos antes de acontecer, o profeta Néfi teve uma visão do nascimento, ministério, morte e ressurreição do Salvador. Néfi, porém, não tinha certeza do significado e da importância da expressão “a condescendência de Deus”. Para explicar, o anjo lhe mostrou a jovem virgem que se tornaria “a mãe do Filho de Deus, segundo a carne”, e uma cena dela carregando o menino Jesus nos braços (ver 1 Néfi 11:18–20).
“Condescendência significa descer voluntariamente de uma posição ou dignidade superior, para um nível ou status inferior”, explicou Presidente Christofferson. “O grande Jeová do Velho Testamento, o Jesus Cristo pré-mortal, condescendeu voluntariamente em deixar Seu trono divino, para viver em um estado mortal na própria Terra que, sob a direção do Pai, Ele havia criado.”
É quase impossível compreender a magnitude da condescendência do Salvador, disse Presidente Christofferson. “Imaginem um Ser divino, com inteligência e poder suficientes para criar esta Terra, um planeta capaz de sustentar bilhões de filhos de nosso Pai e muitas outras criaturas por muitos milhares de anos. Agora, Ele deixa de lado Sua glória e Seus poderes, e desce à Sua criação, o escabelo de Seus pés, como um bebê indefeso, nascido em um humilde estábulo, com uma manjedoura usada para alimentar animais como Seu berço. Ele experimenta o que todos nós experimentamos: crescer ao longo do tempo em consciência e capacidade; desenvolver-se da infância à juventude e à idade adulta.”
Neste estado de condescendência, Jesus experimenta fome e privação, fadiga e dor, perseguição e rejeição. No fim, Ele é “conduzido, crucificado e morto, a carne sujeitando-se à morte” (Mosias 15:7).
Por que essa condescendência incompreensível? Jesus não poderia ter realizado Sua Expiação infinita sem também ter que experimentar a mortalidade, do nascimento à idade adulta?
“Não posso afirmar com certeza”, disse Presidente Christofferson, “mas certamente é por desígnio divino que o Filho de Deus tenha vivido uma vida e desempenhado um ministério que não apenas nos ensina, mas também nos mostra o caminho do discipulado, o caminho para Deus. … Ele não apenas ensinou, mas também demonstrou o que significa trilhar o caminho do convênio.”
Não há nada que os filhos de Deus vivenciem que o Salvador não compreenda e que Ele não tenha poder para resolver e remediar, ensinou Presidente Christofferson. “Ele sabe; Ele entende; Seu amor é perfeito.”
A condescendência de Jesus, Sua disposição para viver neste mundo decaído e demonstrar o significado de Seu evangelho no dia a dia, é verdadeiramente um ato de amor genuíno. “Devemos estudar Sua vida e seguir Seu exemplo de discipulado”, disse Presidente Christofferson. “Sua condescendência, culminando com Sua Expiação, dá esperança, direção e propósito à nossa vida.”
‘Sua condescendência pessoal’
“De certa forma, vocês também estão vivenciando uma condescendência pessoal”, observou Presidente Christofferson.
Antes do nascimento, as pessoas viviam em um estado superior, na presença de Deus, seu Pai Celestial. “Seu plano para ajudá-los a alcançarem seu destino mais elevado e feliz envolveu sua condescendência voluntária, ou seja, sua descida desse ‘primeiro estado’ para um ‘segundo estado’ inferior (Abraão 3:26)”, explicou Presidente Christofferson. “Seu nascimento foi uma morte espiritual que os afastou da presença de Deus. Agora, assim como Jesus, vocês estão passando por uma experiência mortal em um mundo decaído.”
Jesus condescendeu em experimentar tentação e dor, e vencer o pecado. Ele condescendeu a aprender a exercer o arbítrio pela fé e a submeter-se à vontade do Pai. Jesus condescendeu a servir e ministrar a Seus irmãos e irmãs. “Assim é para vocês”, disse Presidente Christofferson, acrescentando: “Acima de tudo, o Salvador voluntariamente condescendeu em deixar Seu trono nas alturas para resgatar a humanidade do pecado e da morte. Vocês estão aqui, em primeiro lugar, para aplicarem Seu dom divino do arrependimento em sua vida e, por Sua graça, vencerem o pecado e a morte, e, em segundo lugar, para levarem outros a Cristo para que recebam esse mesmo dom do arrependimento e da vida eterna.”
Para que a condescendência de Jesus Cristo atingisse seu propósito pleno, Ele teve que perseverar até o fim. “Foi extremamente difícil para Ele, mesmo para o grande Jeová, completar o sofrimento e a morte inimaginavelmente intensos, necessários para expiar nossos pecados e vencer tanto a morte espiritual quanto a física”, ensinou Presidente Christofferson.
Contudo, no fim, o Salvador submisso declarou: “Não se faça a [M]inha vontade, senão a [T]ua” (Lucas 22:42), observou Presidente Christofferson. “Jesus bebeu aquele cálice extremamente amargo até a última gota, até o fim.”
Para que a condescendência dos filhos de Deus na mortalidade alcance seu pleno propósito, eles também devem perseverar até o fim. “Qual é o significado peculiar de perseverar até o fim? Seu significado reside na necessidade, não apenas de se crer em Cristo, mas de desenvolver o caráter de Cristo se quisermos viver com Ele e com o Pai eternamente. Trata-se do que estamos nos tornando”, explicou Presidente Christofferson.
Para aqueles que receberam o evangelho de Jesus Cristo nesta vida mortal e trilharam o caminho de Seus convênios, o Juízo Final medirá o que eles se tornaram e, ainda mais importante, o que podem ainda se tornar, ensinou ele.
“É evidente que a perfeição não é necessária para a salvação”, disse Presidente Christofferson. “O que importa é que entremos no caminho do convênio e permaneçamos nele até o fim, e que, se nos desviarmos deste caminho em algum momento, retornemos a ele, e que sejamos fiéis até o fim e no fim.”
Mas, assim como Jesus, “podemos contar com a ajuda do Pai, Seus anjos e Seu Santo Espírito”, assegurou Presidente Christofferson. “E, além disso, temos a graça infinita de Cristo para nos perdoar e nos santificar do pecado.”
Presidente Christofferson disse aos ouvintes: “Temos plena justificativa para celebrar com alegria o nascimento de Jesus. É esse terno começo que, por fim, levou à Sua Expiação, que, por sua vez, conduz a novos começos em nossa vida e à fidelidade até o seu fim.”
O dom do arrependimento em Cristo permite a todos recomeçarem e seguirem em frente a cada dia, progredirem de graça em graça, sacrificarem com confiança o menor pelo maior, vencerem e, com Ele, alcançarem a imortalidade e a vida eterna.
“Contanto que levemos isso a sério, não há cota, não há limite ao número de vezes que podemos nos arrepender, buscar o perdão e seguir em frente em Seu caminho”, assegurou Presidente Christofferson.
