PROVO, Utah — No Dia do Fundador da Universidade Brigham Young, na quinta-feira, 16 de outubro, exatamente 150 anos após a assinatura da escritura de fundação da Academia Brigham Young, administradores, ex-alunos, professores e alunos se reuniram na Brigham Square, no campus de Provo, Utah, para terem um vislumbre da universidade no passado.
Em conjunto com as atuais comemorações do sesquicentenário da instituição, o presidente C. Shane Reese, presidente da BYU, e o bibliotecário da BYU, Rick Anderson, revelaram o conteúdo de uma cápsula do tempo, feita durante o centenário da universidade em 1975 e colocada em um canto da Biblioteca Harold B. Lee, durante sua construção em 1976.
Os itens variaram de uma bandeira do centenário projetada pelo então presidente da BYU, Dallin H. Oaks, agora Presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a um pote de ursinhos de canela.
Os itens ofereceram um vislumbre da vida no campus em 1975. Para Élder S. Gifford Nielsen, cuja camisa de futebol americano número 14 foi colocada na cápsula, sua abertura provocou sentimentos agudos de nostalgia misturados com gratidão e admiração.
“Quero dizer, veja o que pode acontecer em 50 anos”, disse Élder Nielsen ao Church News.

Élder Nielsen foi um estudante atleta, quarterback e All-American da BYU de 1974 a 1979 e guarda diversas lembranças com Presidente Oaks, na época presidente da universidade. Desde então, Élder Nielsen jogou na NFL e trabalhou como diretor de notícias esportivas, foi apoiado como Setenta Autoridade Geral em 2013 e recebeu o status de emérito em 2024. Presidente Oaks, por sua vez, se tornou membro do Quórum dos Doze Apóstolos, conselheiro na Primeira Presidência e, em 14 de outubro, Profeta.
“É uma honra fazer parte da Universidade Brigham Young, especialmente quando você serviu e viajou pelo mundo e vê a influência da universidade”, disse Élder Nielsen.
Uma das últimas designações de Élder Nielsen antes de receber o status de emérito foi servir como presidente da Área África Oeste da Igreja, onde viu em primeira mão como a educação pode transformar vidas e trazer esperança. “Meu apreço por estar aqui na BYU, por ser aluno da BYU, pelo que aprendi aqui, cresceu imensamente por causa do que fui chamado a fazer”, disse Élder Nielsen.

O que mudou na BYU em 50 anos
Um dos primeiros itens que o presidente Reese e Anderson retiraram da cápsula do tempo foi uma nota de US$ 5 com uma lista de itens que ela poderia comprar: dois ingressos de cinema, cerca de 38 litros de de gasolina, 165 quilowatts-hora de eletricidade, 20 pães ou 1,8 quilo de carne.
A única coisa que US$ 5 podem comprar hoje é um cachorro-quente da seção estudantil em um jogo de futebol americano, brincou o presidente Reese.
Vance Campbell, aluno de 1975, participou do evento de quinta-feira retornando ao campus para ler a carta que escreveu há 50 anos sobre a experiência como estudante, incluída na cápsula do tempo. Entre outras coisas, Campbell destacou que a universidade estava começando a usar computadores, a construção em andamento da biblioteca para dobrar seu tamanho e a crescente notoriedade da recém-criada Faculdade de Direito J. Reuben Clark, bem como as atividades em torno do centenário da universidade.
“A celebração e os eventos que estão acontecendo apenas aumentam a alegria em nossa vida”, escreveu ele.

Muitos na plateia riram da inclusão de uma fita métrica na cápsula do tempo. Presidente Reese explicou que o corpo estudantil, em meados dos anos 70, estava convencido de que, até 2025, os Estados Unidos teriam abolido o sistema imperial de medidas de polegadas, pés e libras em favor do sistema métrico.
“Eles nos deixaram uma fita métrica, só para termos uma ideia de como era a vida em 1975”, disse o presidente Reese.
Muitos ex-alunos na plateia assentiram com a cabeça, enquanto o presidente Reese retirava um toca-fitas Sony e uma fita cassete da cápsula do tempo. Na fita havia uma gravação de Tom Griffith, diretor de relações com a mídia eletrônica da BYU, que explicou que a radiodifusão era uma das principais influências da sociedade em 1975. Ele apresentou comentários gravados de Harvey Fletcher que, aos 92 anos, era o mais velho graduado da BYU e o inventor do som estereofônico.
“Harvey Fletcher é uma figura absolutamente lendária no campus da Universidade Brigham Young”, disse o presidente Reese. Fletcher foi o primeiro decano da Faculdade de Engenharia e fundou os departamentos de Estatística e Matemática.

“Um pequeno segredo que pouquíssimas pessoas sabem sobre Harvey Fletcher é que a localização e o desenho do ‘Y’ na montanha foram sua ideia. Portanto, temos uma enorme dívida de gratidão com Harvey”, disse o presidente Reese.
Também na cápsula do tempo havia um malhete [martelo] oferecido a Presidente Oaks, que era advogado antes de ser administrador universitário, pela Utah Technical College de Provo.
Junto ao pote com ursinhos de canela, havia um cartão explicando: “Todo mundo ama ursinhos de canela! Nós os comemos nos cinemas, entre as aulas, durante as aulas e enquanto estudamos. Nós os enviamos para nossos irmãos e irmãs mais novos e os damos para os amigos.”

O que nunca mudará na BYU
Algo que não mudou em 50 anos é o carinho e a apreciação do corpo docente, dos alunos e dos ex-alunos da universidade por sua alma mater, como evidenciado por uma carta na cápsula do tempo escrita por Muriel Thole, conhecida como ‘A Dama do Tricô da BYU”. Por 36 anos, Thole trabalhou como caixa-chefe da universidade e podia ser vista por mais de 55 anos em todos os jogos de basquete e futebol americano jogados em casa, e até mesmo em alguns jogos fora de casa, com fios e agulhas de tricô nas mãos.
“Eu amo os Cougars”, explicou ela em um artigo da Y Magazine [Revista da BYU – em inglês] em 2011, “mas acho que devo fazer alguma coisa enquanto assisto ao time.”
Nascida no País de Gales, Thole imigrou para Utah depois de se filiar à A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em 1954. Uma das primeiras pessoas que conheceu foi o treinador de basquete da BYU, Stan Watts, que ensinou à britânica sobre o jogo.

Tendo doado para a construção do Marriott Center, Thole pôde escolher sua cadeira quando ele foi inaugurado em 1971. Ela escolheu o assento logo atrás do presidente da universidade, o que tornou suas agulhas de tricô e seu penteado bufante fáceis de serem vistos.
“Você sabe quando um jogo está particularmente tenso porque ela começa a tricotar furiosamente”, disse Michael W. Middleton, diretor executivo do Cougar Club, à Y Magazine.
Em sua carta incluída na cápsula do tempo, Thole escreveu que ver o crescimento da universidade ao longo de muitos anos foi a alegria de sua vida.
Aos alunos e professores de 2025, Thole escreveu: “Espero que vocês sintam o profundo amor e apreço que tenho pela BYU e que aproveitem este campus e tudo o que o envolve, tanto quanto eu tenho e aprecio.”
Em seus comentários após o evento, Élder Nielsen observou que os edifícios e a tecnologia mudarão, mas uma coisa que nunca mudará é a missão e o impacto da BYU.
“Estamos aqui para aprender e crescer, e depois sair daqui para causar um grande impacto no mundo. Entramos para aprender, saímos para servir. Aprendemos lições e, então, somos convidados a sair, edificar o [reino de Deus] em todo o mundo e usar a influência que tivemos na BYU para abrilhantar e iluminar a vida das pessoas em todos os lugares. Esta missão nunca mudará”, disse Élder Nielsen.
Os itens da cápsula do tempo serão exibidos em uma exposição da BYU 150, no primeiro andar da Biblioteca Harold B. Lee. A universidade também está convidando pessoas a enviarem ideias para a cápsula do tempo do sesquicentenário, que será colocada em abril de 2026 e aberta no 200º aniversário da universidade. Os interessados podem preencher o formulário disponível em 150.byu.edu/time-capsule [em inglês].



