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Retrospectiva da temporada ‘notável’ do time de futebol feminino da BYU e o papel fundamental da fé

A técnica da BYU, Jennifer Rockwood, diz que o Código de Honra e as missionárias retornadas ajudaram a desenvolver um time vencedor

Ao ver seu time perdendo por 3 a 0 para a Universidade da Carolina do Norte, a técnica de futebol feminino da BYU, Jennifer Rockwood, se lembra de ter se sentido “frustrada” e “muito chateada” durante o intervalo das quartas de final do torneio da NCAA, em 24 de novembro de 2023.

Antes de se dirigir à equipe, a treinadora se esforçou muito para mascarar seus sentimentos internos. Ela sabia, por experiência própria, que a equipe não reagiria bem a nada negativo, mas recuperar de tamanha desvantagem contra as Tar Heels parecia improvável. Era realmente assim que a temporada memorável da Universidade Brigham Young estava destinada a terminar?

Mas havia esperança. Muitas das jogadoras já haviam disputado grandes jogos, incluindo o campeonato nacional dois anos antes.

Diante de sua equipe, Rockwood escreveu calmamente “79” no quadro.

“Esse é o número de gols que vocês marcaram este ano”, disse a técnica. “Vocês são o time com o maior número de gols do país. Vocês marcaram em média mais de três gols por partida em todos os jogos que disputaram. Vocês sabem como fazer gols. ... Então façam o que vocês sabem. Basta marcarem um gol de cada vez e o ritmo do jogo mudará.”

Após mais palavras de encorajamento, as Cougars voltaram a campo com uma injeção de confiança e conseguiram uma vitória célebre por 4-3, que não será esquecida tão cedo.

A meio-campista da BYU, Bella Folino, comemora seu gol com companheiras de equipe, contra a Universidade da Carolina do Norte, durante as quartas de final do torneio da NCAA em Provo, Utah, na sexta-feira, 24 de novembro de 2023. A BYU venceu por 4-3, e terminou a temporada com um recorde de 20 vitórias, 3 derrotas e 3 empates.
A meio-campista da BYU, Bella Folino, comemora seu gol com companheiras de equipe, contra a Universidade da Carolina do Norte, durante as quartas de final do torneio da NCAA em Provo, Utah, na sexta-feira, 24 de novembro de 2023. A BYU venceu por 4-3, e terminou a temporada com um recorde de 20 vitórias, 3 derrotas e 3 empates. | Jeffrey D. Allred, Deseret News

“As meninas apenas disseram: ‘Vamos fazer isso. Não vamos sair assim’”, disse Rockwood. “Vimos tudo acontecer e se desenrolar em 45 minutos de jogo, algo que raramente acontece em uma partida de futebol feminino.”

Rockwood contou a história em uma entrevista ao Church News, ao refletir sobre o sucesso da temporada de futebol feminino da BYU.

As Cougars, que contavam com 10 missionárias retornadas santos dos últimos dias, terminaram a temporada de 2023 com um recorde geral de 20 vitórias, 3 derrotas e 3 empates e ficaram invictas na campanha da Big 12 Conference (7 vitórias, 0 derrotas e 3 empates) em seu primeiro ano na conferência. A temporada terminou com uma derrota por 2 a 0 para a Universidade de Stanford nas semifinais do torneio de futebol feminino da NCAA em Cary, Carolina do Norte, no dia 1º de dezembro.

Após a temporada, cinco jogadoras de futebol feminino da BYU foram selecionadas no draft da Liga Nacional de Futebol Feminino [NWSL – em inglês], o maior número de jogadoras de futebol da BYU selecionadas em uma única temporada.

“Que ano notável para nós”, disse Rockwood. “Tivemos uma equipe super especial, um grupo incrível de jovens que se uniram, jogaram em alto nível, foram vistas em todos os lugares e representaram a si mesmas e a tudo o que há para nós representarmos, no nível mais alto possível.”

A meio-campista da BYU, Bella Folino (22), comemora seu gol contra a USC com a meio-campista da BYU, Olivia Wade-Katoa (10) e a atacante da BYU, Allie Fryer (23), durante a segunda rodada do campeonato da NCAA, em Provo, na quinta-feira, 16 de novembro de 2023. A BYU venceu por 1-0.
A meio-campista da BYU, Bella Folino (22), comemora seu gol contra a USC com a meio-campista da BYU, Olivia Wade-Katoa (10) e a atacante da BYU, Allie Fryer (23), durante a segunda rodada do campeonato da NCAA, em Provo, na quinta-feira, 16 de novembro de 2023. A BYU venceu por 1-0. | Jeffrey D. Allred, Deseret News

Vantagem do Código de Honra

Como uma universidade privada patrocinada por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, os alunos da BYU concordam em viver de acordo com um Código de Honra [em inglês], que reflete os padrões da Igreja, incluindo a participação regular nas reuniões da Igreja, evitar linguagem profana e vulgar, viver uma vida casta e virtuosa, manter padrões de aparência e vestimenta, e abster-se de álcool, tabaco, café, chá, drogas e outras substâncias.

Rockwood vê o Código de Honra como uma vantagem para o futebol feminino da BYU.

“Quando eu vou e recruto, estou selecionando meninas que sabem exatamente o que é o Código de Honra e que querem estar na BYU, não necessariamente por causa do programa de futebol, mas por causa de tudo o que a BYU é, porque é única, porque é diferente”, disse a técnica. “A maioria das minhas jogadoras sonha em jogar na BYU desde que começaram a jogar. ... O Código de Honra é fantástico porque é por isso que as meninas vêm. Elas querem fazer parte da BYU, da atmosfera e do ambiente, e de tudo que ela oferece e que não encontram em outras universidades.”

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Impacto missionário

Junto com a liderança e a experiência de 11 alunas do último ano, o time de futebol feminino da BYU que alcançou as semi-finais nesta última temporada contou com 10 missionárias retornadas.

Rockwood disse que, embora desenvolver uma equipe de alto nível com jogadoras indo e retornando de missão possa, às vezes ser “complicado” como um “malabarismo”, é também uma “bênção”.

Olivia Wade-Katoa (10) e Allie Fryer (23), da BYU, comemoram depois que Fryer marcou o primeiro gol de seu time contra a Universidade de Utah, no estádio Ute Field, em Salt Lake City no sábado, 9 de setembro de 2023.
Olivia Wade-Katoa (10) e Allie Fryer (23), da BYU, comemoram depois que Fryer marcou o primeiro gol de seu time contra a Universidade de Utah, no estádio Ute Field, em Salt Lake City no sábado, 9 de setembro de 2023. | Spenser Heaps, Deseret News

“Definitivamente tem sido uma bênção. ... O nível de maturidade é incrível”, disse ela. “Tem sido um grande exemplo. ... Estas meninas trabalharam a vida inteira para chegarem a onde estão. Abrir mão de uma bolsa de estudos, abrir mão de uma vaga no time, desistir de tudo pelo que trabalharam, para ir servir ao Senhor e abençoar a vida das pessoas com quem entrarão em contato, sabendo que voltarão com ainda mais incertezas do que quando eram calouras. Isso me ensinou muito sobre fé e confiança, e acredito que tudo que aprendemos juntas como equipe foi por causa disso.”

Jogos aos domingos e momentos missionários

Em 2021, as Cougars venceram nos pênaltis a então campeã nacional, Universidade de Santa Clara, nas semifinais da NCAA.

Como resultado da BYU ter ido para as finais, a NCAA remarcou o jogo do campeonato nacional de domingo, 5 de dezembro, para segunda-feira, 6 de dezembro, para respeitar o pedido da BYU de evitar jogos aos domingos.

Naquele domingo, em vez de se concentrarem no futebol, as jogadoras e treinadoras da BYU participaram das reuniões da Igreja [em inglês] em uma capela local. Uma foto foi compartilhada nas redes sociais.

“O Dia do Senhor é um deleite”, escreveu o time de futebol feminino da BYU [em inglês] no então Twitter, atualmente conhecido como X.

A BYU acabou perdendo para a Universidade Florida State, número 1 da tabela, por 4 a 3, nos pênaltis [em inglês], mas a experiência geral foi um típico momento missionário para o time de futebol feminino.

“Esse foi um momento especial”, disse Rockwood. “A NCAA teve que mudar a data do campeonato. Esse tem sido meu objetivo desde que comecei a treinar em 1995, tentar fazer com que a NCAA mudasse o campeonato nacional de domingo para segunda-feira. Por quê? Porque a BYU não compete nem treina aos domingos. … Esse foi um grande momento para nós.”

As oportunidades missionárias surgem onde quer que as jogadoras estejam, incluindo as pessoas que encontram nos aeroportos, hotéis, em ônibus e até mesmo técnicos, jogadoras e torcedores de times adversários. No início desta temporada, depois que a BYU derrotou uma equipe adversária da Conferência Big 12 em um jogo fora de casa, a melhor jogadora do time adversário e seus pais abordaram Rockwood porque são fãs do programa e apreciam o estilo de jogo do time.

Vários motoristas de ônibus mantêm contato com o time de futebol feminino da BYU, porque ficaram muito impressionados com as jogadoras, disse a técnica. A equipe até recebeu um cartão de Natal de um motorista da Califórnia, que sempre pede para levar o time.

“As meninas impressionam, seja plantando uma semente ou possivelmente abrindo uma porta”, disse Rockwood. “Como temos tantas missionárias, garanto que a maioria delas já conversou sobre o evangelho. Elas se sentem muito confortáveis em compartilhar seu testemunho e compartilhar o que somos, quem somos, o que defendemos, para onde queremos ir e por que estamos fazendo o que fazemos. Isso é especial e acontece com bastante frequência.”

Desenvolvendo profissionais

Após sua temporada de sucesso, o time de futebol feminino da BYU teve cinco jogadoras selecionadas no draft da Liga Nacional de Futebol Feminino, em 12 de janeiro:

  • Rodada 1 — Brecken Mozingo, escolha nº 4 no draft geral, Utah Royals.
  • Rodada 2 — Olivia Smith-Griffitts, escolha nº 20, Utah Royals.
  • Rodada 2 — Olivia Wade-Katoa, escolha nº 23, Portland Thorns FC.
  • Rodada 3 — Jamie Shepherd, escolha nº 30, Bay FC.
  • Rodada 4 — Laveni Vaka, escolha nº 55, Bay FC.
A atacante da BYU, Brecken Mozingo (13), disputa a bola com a atacante da Carolina do Norte, Isabel Cox (13), durante as quartas de final do torneio da NCAA em Provo, Utah, na sexta-feira, 24 de novembro de 2023. Mozingo foi uma das cinco jogadoras da BYU selecionadas no draft da NWSL de 2024, em 12 de janeiro de 2024.
A atacante da BYU, Brecken Mozingo (13), disputa a bola com a atacante da Carolina do Norte, Isabel Cox (13), durante as quartas de final do torneio da NCAA em Provo, Utah, na sexta-feira, 24 de novembro de 2023. Mozingo foi uma das cinco jogadoras da BYU selecionadas no draft da NWSL de 2024, em 12 de janeiro de 2024. | Jeffrey D. Allred, Deseret News

As cinco se juntam a quatro ex-jogadoras da BYU que já jogam futebol feminino profissional:

  • Ashley Hatch, Washington Spirit, NWSL (também joga pela seleção feminina dos E.U.A.).
  • Michele Vasconcelos, Utah Royals, NWSL.
  • Mikayla Cluff, Utah Royals, NWSL.
  • Nadia Gomes, San Francisco Glens SC, USL W League.

Rockwood conhece a maioria das jogadoras desde os 12 ou 13 anos de idade, e as viu crescerem, superarem dificuldades, se desenvolverem e trabalharem para jogar nos mais altos níveis do futebol feminino. Ela está orgulhosa de suas conquistas e deseja ver outras seguirem seus passos.

“As pessoas estão bastante conscientes do nosso programa, da nossa universidade e da sua singularidade”, disse Rockwood. “A maioria dos treinadores conhece a qualidade das nossas jogadoras. Como técnica, essa é a coisa de maior orgulho que se pode dizer. Elas não são apenas boas, mas conhecem o caráter e a qualidade das nossas jogadoras. Isso transparece em campo.”

Jogadoras de futebol da BYU e da Carolina do Norte competem em uma cobrança de escanteio, durante as quartas de final do torneio da NCAA em Provo, Utah, na sexta-feira, 24 de novembro de 2023.
Jogadoras de futebol da BYU e da Carolina do Norte competem em uma cobrança de escanteio, durante as quartas de final do torneio da NCAA em Provo, Utah, na sexta-feira, 24 de novembro de 2023. | Jeffrey D. Allred, Deseret News
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