Em uma pequena sala de aula do Instituto em Ulaanbaatar, Mongólia, Odgerel Ochirjav está diante de um grupo de jovens santos dos últimos dias, ensinando as escrituras com profunda convicção.
De marxista a primeiro presidente de estaca da Mongólia, a história de Odgerel é marcada por resistência, razão e, em última análise, muita fé, relatou a Sala de Imprensa da Igreja na Mongólia [em inglês].
O exemplo de uma mãe

Nascido em Leningrado, na era soviética (o nome da cidade posteriormente voltou a ser São Petersburgo, Rússia) e educado naquele país como cientista florestal, Odgerel retornou à Mongólia com uma forte identidade comunista.
“Embora buscar e aprender a verdade espiritual fosse proibido, buscar conhecimento e educação seculares era a chave em uma sociedade comunista, para provar que a humanidade não precisa de Deus para ter sucesso”, disse ele, acrescentando: “Sempre que me deparava com conteúdo religioso, era esperado que eu o observasse de forma negativa.”
Mas quando o governo comunista soviético entrou em colapso na antiga União Soviética, no início da década de 1990, a Mongólia começou a se abrir a novas ideias, incluindo religião.
A mãe de Odgerel, Oyun Altangerel, desempenhou um papel importante na transição da Mongólia para a democracia. Aos 42 anos, enquanto trabalhava em uma biblioteca estadual, ela organizou um conselho e uma greve de fome, que exigiam liberdade de crença, expressão e escolha política.

Falando sobre ela, Presidente Dallin H. Oaks, primeiro conselheiro na Primeira Presidência, explicou [em inglês] que, “Eventualmente, o governo aceitou as demandas e, com a adoção de uma constituição democrática dois anos depois, a Mongólia deu um grande passo em direção a uma sociedade livre.”

Odgerel disse que, a partir daí, “a Igreja começou a alugar uma biblioteca para realizar uma pequena reunião sacramental aos domingos. Minha mãe se filiou à Igreja como um dos primeiros membros e me convidou para aprender sobre o evangelho de Jesus Cristo.”
Batizada em 1994, ela esperava compartilhar sua nova alegria com o filho. Ela o convidou para ir à Igreja.
“Eu estava cansado, de ressaca”, Odgerel relembrou, rindo. “Eu lhe disse: ‘Mãe, você tem outros parentes. Leve um dos outros da próxima vez. Eu sou comunista.’”
No entanto, ele compareceu relutantemente, dando início a uma jornada que mudaria sua vida.
Debatendo com os élderes e uma tradutora chorando
Depois de frequentar as aulas de inglês ministradas por missionários seniores, Odgerel começou a se reunir com missionários de tempo integral, élder Bradley Pierson e élder Jason Hall.
Com o ceticismo de um filósofo e a necessidade de evidências de um cientista, ele estava determinado a questionar tudo. “Desafiei tudo: Adão e Eva, a evolução, artefatos antigos. Eu os testei bastante”, disse ele.
Servindo como tradutora, estava a primeira presidente das Moças do país, Soyolmaa Urtnasan, que alguns meses depois seria chamada como uma das primeiras missionárias do país.
As discussões se tornaram tão intensas que Urtnasan certa vez começou a chorar. Foi então que o presidente Odgerel disse, brincando: “Ok, vou me batizar.”
Essas lições acabaram se transformando em uma verdadeira conversão, e ele foi batizado em 8 de abril de 1995.

Encontrando a fé através da razão
Em vez de abandonar sua formação científica, ele a integrou à sua fé. Conversas com líderes da Igreja, como o presidente Gary E. Cox, que serviu como missionário de serviço humanitário de 1994 a 1995, e presidente da Missão Mongólia Ulaanbaatar de 1996 a 1999, o ajudaram a conciliar questões sobre genética e a história humana primitiva.
“Percebi que a fé não é o oposto da razão”, disse ele. “É outra maneira de entendermos a verdade.”
Na década seguinte, Odgerel continuou seus estudos acadêmicos, pesquisando sobre o reflorestamento e trabalhando com universidades por toda a Rússia. “Se eu tivesse ficado, provavelmente teria me tornado um grande nome”, refletiu. “Mas essa não é a vida que o Senhor queria para mim.”
Um chamado para ensinar

Em setembro de 2006, após repetidos convites, Odgerel aceitou o chamado para dirigir o programa dos Seminários e Institutos de Religião da Igreja na Mongólia. “Eu disse: ‘Sou maximalista. Se eu fizer isso, farei em tempo integral’. Eu não sabia que essa declaração mudaria tudo.”
Os primeiros anos foram desafiadores. “Eu queria correr de volta para a floresta”, brincou ele.

Um professor, um líder, um legado
Atualmente em seu 19º ano nos Seminários e Institutos, Odgerel é uma figura querida e respeitada em toda a Igreja na Mongólia. Ele orientou milhares de jovens e jovens adultos, os ajudando a aprofundarem a fé e a fortalecerem a compreensão do Evangelho.
“Assim como as árvores levam tempo para crescerem”, disse ele, “a fé também. O Senhor me permitiu criar raízes profundas, primeiro por meio da ciência, de desafios e do serviço. Agora, tento ajudar outros a se fortalecerem Nele.”

Em 2009, enquanto servia como presidente do Distrito Ulaanbaatar Mongólia Leste, o presidente Odgerel recebeu um telefonema do então presidente da missão, D. Allen Andersen.
Presidente Andersen perguntou: “Presidente Odgerel, você acha que é hora de estabelecermos a primeira estaca na Mongólia?”
O presidente Odgerel nunca tinha ouvido falar de uma estaca.
Pouco depois, Élder Donald L. Hallstrom, Setenta Autoridade Geral, visitou a Mongólia para organizar a primeira estaca, a Estaca Ulaanbaatar Mongólia Oeste, e chamar o presidente Odgerel como seu presidente, em 7 de junho de 2009.

Falando naquela ocasião histórica, o presidente Odgerel disse: “Acredito que a organização da estaca não abençoará apenas os membros da Mongólia, mas abençoará todo o nosso país.”

E as bênçãos vieram, com o país recebendo inúmeras horas de serviço humanitário e doações da Igreja. Dois santos dos últimos dias, Élder Richard E. Cook, o primeiro presidente de missão na Mongólia, e Tuvshinjargal Gombo, diretor de relações públicas da Igreja na Mongólia, receberam uma das maiores honrarias do país, a Medalha Presidencial Estrela Polar.

Hoje, a Mongólia tem quase 13.000 membros, duas estacas, um distrito, uma missão, um templo anunciado e 24 congregações. Odgerel serviu recentemente como primeiro conselheiro na Missão Mongólia Ulaanbaatar, e foi desobrigado em 1º de julho.

Falando sobre os santos mongóis, o Bispo W. Christopher Waddell, primeiro conselheiro no Bispado Presidente, disse: “Eles são fiéis e comprometidos à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, sendo esta a maior denominação cristã no país.”
Há 16 anos, quando era um novo presidente de estaca, o presidente Odgerel compartilhou suas esperanças para a Mongólia.

“Nestes últimos dias, Deus nos prometeu criar Sião. Para edificar Sião, precisamos ter estacas”, disse ele. “No entanto, uma estaca não é suficiente para edificarmos Sião, então acredito que este é apenas o começo do grande trabalho de nossos santos mongóis, para estabelecermos mais estacas.”
A Igreja relatou que, falando sobre os santos na Mongólia em 2011, o então Élder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos, disse: “É uma história bastante dramática, uma das mais singulares [na Igreja], das últimas décadas.”


