Em um local remoto da selva da África Ocidental, uma cena extraordinária se desenrolou na manhã de 23 de agosto. Naquele dia, 120 homens, mulheres e crianças entraram nas águas do batismo em Moriba Town, Serra Leoa.
Presidente Scott L. Wyatt, presidente da Missão Serra Leoa Bo, descreveu o evento como nada menos que milagroso. “Este lugar vive um momento excepcional”, disse ele, acrescentando: “Gosto de dizer que este é o epicentro da coligação de Israel.”
Um dia marcante na cidade de Moriba
A reunião batismal teve a presença de membros e missionários do Distrito Moriba Town Serra Leoa. Pessoas de um ramo de Moriba Town e de três ramos próximos vinham se preparando há semanas, alguns há meses, para este dia sagrado. “Do púlpito onde Kathy e eu estávamos sentados, era uma visão inspiradora”, relembrou o presidente Wyatt, ao participar com sua esposa, a síster Kathy Wyatt.
Em Serra Leoa, a maioria dos amigos é encontrada através de referências, em vez de proselitismo de porta em porta. “Todos eles, creio que de 80 a 90%, foram referências de membros”, explicou o élder Tsilihery Tsifanay, missionário de Madagascar. O élder Mason Kear, de Rio Rancho, Novo México, acrescentou que o foco de sua missão não é necessariamente batizar o maior número possível de pessoas, mas sim “ajudar as pessoas a virem a Cristo.”
Os missionários ensinam famílias ao longo de várias semanas, muitas vezes com mais de 20 lições antes do batismo. Alguns precisaram de tempo para pararem de fumar ou se casarem. “Ser batizado é uma decisão importante”, disse o presidente Wyatt. “Eles não estão apenas se filiando a uma igreja. Eles estão se arrependendo e mudando de vida.”
Antes do batismo, jovens líderes missionários realizaram dezenas de entrevistas para garantirem que cada pessoa estava preparada para ser batizada.
Élder Kear explicou que aprendeu que “não precisamos apressá-los, mas apenas ser pacientes e seguir os sussurros do Espírito Santo.”
Élder Tsifanay acrescentou: “Quando perguntei às pessoas: ‘Vocês sentem que se arrependeram dos seus pecados passados?’, elas me responderam: ‘Deixei as coisas ruins para trás’. Eu pude sentir que elas realmente se arrependeram e estavam dispostas a seguirem a Deus e a Jesus Cristo.”
Um desafio singular foram as roupas. Com a expectativa de 120 pessoas, não havia roupas brancas suficientes para o batismo. Missionários seniores encontraram 180 metros de tecido branco de algodão no mercado de Bo e os enviaram para Moriba Town.
Os missionários seniores, élder Brian e síster Shelly Hansen, de Leeds, Utah, trabalharam com alfaiates locais para costurarem dezenas de roupas batismais usando máquinas com pedal. Um alfaiate em Mokanji chegou a contratar ajuda para cumprir o prazo. Élder Hansen o viu mais tarde carregando para casa um saco de arroz de 50 quilos, a comida de sua família para um mês, provavelmente pago pela encomenda de roupas batismais.
Além disso, a estação de chuvas frequentemente torna as estradas de terra intransitáveis. Os missionários oraram para que a chuva parasse, para que as pessoas das aldeias mais distantes pudessem viajar em segurança. Foi “um dos milagres”, disse o presidente Wyatt. A chuva parou dois dias antes, as estradas secaram e, logo após o término dos batismos, as fortes tempestades retornaram.
A reunião batismal
Antes da reunião, os futuros membros, todos vestidos de branco, se reuniram para fotos em grupo. Dentro da capela, todos os assentos estavam ocupados. Uma dupla de missionários de cada vez os levou à pia batismal, os batizando um por um. Depois, cada um foi confirmado como membro da Igreja e recebeu o Espírito Santo. A reunião durou duas horas.
“Foi realmente uma visão sagrada de se ver e sentir o amor que nosso Pai Celestial tem por todas essas pessoas que aceitaram seguir o Salvador”, disse o élder Kear. “Vê-las vestidas de branco com um sorriso no rosto realmente fortaleceu meu testemunho de que o Salvador vive e que aqueles que O seguem podem mudar.”
Presidente Samuel Mulai, presidente de distrito, expressou sua gratidão através da Sala de Imprensa da Igreja na África [em inglês]: “Estou profundamente grato e feliz pelos novos conversos que se juntaram a nós recentemente. Os missionários estão trabalhando diligentemente, não apenas para fortalecerem este distrito, mas também para contribuírem para o progresso da missão como um todo. Nossos membros estão ativamente engajados, e os presidentes de ramo estão apoiando fielmente os missionários de tempo integral no cumprimento de seu trabalho sagrado.”
Crescimento e retenção
Missionários e membros imediatamente dão continuidade com lições para os novos membros e estendem sua amizade. “Temos nos esforçado muito para ajudar essas pessoas a terem amigos, antes mesmo de serem batizadas”, disse o élder Kear. O resultado tem sido uma forte retenção.
“A frequência às reuniões sacramentais em nossa missão está crescendo mais rápido do que os batismos”, disse o presidente Wyatt. Em Moriba Town, as congregações estão tão lotadas que um ramo em breve será dividido em cinco. Em toda a missão, o número de ramos cresceu de oito para 21 em pouco mais de um ano. Nos últimos três meses, mais de 1.200 pessoas se converteram à Igreja em toda a missão.
O batismo não é o fim do caminho; muitos conversos também se juntam rapidamente aos esforços missionários. “Mesmo uma semana após o batismo, alguns deles já estão fazendo proselitismo com os missionários”, disse o élder Tsifanay. Muitas pessoas continuam no caminho do convênio, se preparando para entrarem no templo ou servirem missão, assim que completam um ano na Igreja.
Élder Kear descreveu o entusiasmo dos membros novos: “Isto não só os ajuda a se prepararem para a missão, mas também fortalece seu testemunho. É realmente muito legal ver o quanto eles estão dispostos.”
Preparação para a Segunda Vinda
Élder Tsifanay refletiu sobre os ensinamentos recentes de Presidente Russell M. Nelson a respeito da preparação para a Segunda Vinda: “As pessoas aqui estão realmente dispostas a se prepararem para a Segunda Vinda. Até pessoas de outras religiões estão vindo à Igreja e descobrindo que ela é verdadeira.”
Élder Kear concordou: “O Senhor está acelerando Sua obra aqui em Serra Leoa. O Senhor está preparando estas pessoas para quando o Salvador voltar.”
Presidente Wyatt tem visto isto acontecer com os missionários em toda a missão: “Os missionários nos dizem que ninguém os rejeita quando dizem: ‘Gostaríamos de falar com vocês sobre Jesus’. Este é realmente um momento incrível em um lugar incrível”, disse ele.
A coligação continua
Para aqueles que participaram, o grande dia de batismos em Moriba Town jamais será esquecido. Presidente Wyatt compartilhou que, mesmo com a alegria do momento, ficou claro que aquele não era o fim de seus esforços: era um novo começo.
Após a reunião de duas horas e depois que todos já haviam voltado para casa antes da tempestade da tarde, o grupo de missionários de tempo integral se reuniu em uma casa próxima para um almoço rápido, oferecido por um casal de missionários seniores.
“Eles estavam exaustos, mas felizes”, disse um deles. Os missionários compartilharam histórias e expressões de gratidão pelos milagres que testemunharam.
Depois de apenas alguns minutos, porém, uma das duplas de missionários se levantou, pegou suas bolsas e anunciou que tinham compromissos para ensinar e que deveriam cumprir. Agradeceram ao casal sênior pela refeição e voltaram para a chuva torrencial que então caía. Havia, como disse o presidente Wyatt, “mais almas para salvar”.
