Nota do editor: Este artigo foi atualizado na manhã de quarta-feira, 25 de fevereiro, com informações sobre Marcos Rangel, da Orquestra na Praça do Templo.
SÃO PAULO, Brasil — Quando Alan Silva ouviu pela primeira vez o Coro do Tabernáculo na Praça do Templo cantar, aos 17 anos no Brasil, ele soube que precisava aprender mais sobre A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Os missionários trouxeram um videocassete e uma fita da conferência geral. Silva ouviu os discursos, mas foi a música que o transformou.
“Lembro-me de que a sensação foi marcante”, recordou Silva, que agora canta como segundo tenor no Coro do Tabernáculo e mora em Millcreek, Utah. “Olhei para os missionários e disse: ‘Vocês precisam me ensinar esta noite.’”
“E fui batizado uma semana depois, tudo por causa da música do coro”, disse ele sobre seu batismo em 1985.
Silva, de 57 anos, natural do Rio de Janeiro, Brasil, retornou ao seu país natal esta semana para a parada da turnê “Canções de Esperança” do Coro do Tabernáculo e Orquestra na Praça do Templo, que será realizada de 23 de fevereiro a 1º de março em São Paulo, Brasil (veja abaixo informações sobre a transmissão on-line do concerto no sábado, 28 de fevereiro). O coro e a orquestra dão continuidade às comemorações do centenário do trabalho missionário na América do Sul.
Alan Silva e Álvaro Martins são os dois membros brasileiros do coro. Martins, que canta como barítono, morava em Natal, Brasil, antes de se mudar para Pleasant Grove, Utah. Marcos Rangel, que toca violoncelo na Orquestra da Praça do Templo, é do Rio de Janeiro e agora mora em Herriman, Utah.
Há mais dois membros globais do coro naturais do Brasil: Thalita Carvalho, de São Paulo, que canta como segunda soprano; e Rodrigo Domaredzky, de Curitiba, Brasil, que canta como segundo tenor.
Agora, um programa permanente, de 10 a 12 cantores de todo o mundo se juntam ao Coro do Tabernáculo para as conferências gerais. Os membros globais passam por um processo de seleção dividido em quatro fases, e a expectativa é que cada membro cante duas vezes na conferência geral ao longo de cinco anos.
Todos os participantes do Brasil afirmam que se apresentar no Brasil é a realização de um sonho para o coro e para a orquestra.
Há também vários outros membros do coro e da orquestra que serviram missão no Brasil, e muitos outros têm laços com o país, seja por meio de família ou de emprego.

Alan Silva: Sentindo o Espírito por meio da música
Após seu batismo, Silva contou que seu bispo o convidou para aprender a tocar piano, pois não havia pianista em sua ala. Depois, ele também teve aulas de canto.
“Eu simplesmente amei as sensações que a música me proporcionava”, disse ele sobre as aulas de piano, em uma entrevista antes de partir para o Brasil esta semana.
Ele serviu na missão em Curitiba de 1992 a 1994, se casou com sua esposa em 1995 — eles celebraram seu 31º aniversário de casamento em 17 de fevereiro — e, posteriormente, a família, incluindo duas filhas, se mudou para São Paulo e depois, para os Estados Unidos.
“É tão fácil sentir o Espírito através da música, especialmente da música sacra”, disse Silva. E, como membro do coro, ele compartilha seu testemunho de Jesus Cristo e do evangelho por meio da música.
Quando Silva e sua família se mudaram para os Estados Unidos, ele assistiu a uma transmissão do programa "Música e Palavras de Inspiração” e foi a primeira vez que ouviu o coro ao vivo, dizendo que foi uma das “coisas mais emocionantes que aconteceram na minha vida.”
Ele queria fazer um teste, mas estava preocupado com seu domínio do inglês; além disso, trabalhava à noite naquela época. Vários anos depois, em 2015, ele se candidatou ao coro, mas não foi aprovado. No entanto, recebeu uma carta com instruções sobre o que precisava aprimorar. Oito anos depois, fez um novo teste e foi aprovado. Ele canta no coro desde 2023.
“O Brasil é um país lindo, mas com muitas dificuldades que são difíceis de superar”, disse Silva. “Mas eles conseguem e conseguem com alegria. Acho que o coro trará mais alegria e esperança para eles.”
Álvaro Martins: Sentindo o amor de Deus por meio da música
Após uma audição bem-sucedida, Martins começou a cantar com o Coro do Tabernáculo em 2022.
“Eu tinha entrado para o coro e era o sonho da minha vida”, disse Martins, de 43 anos. Mas alguns meses depois, ele teve que voltar para o Brasil por causa do trabalho.
Em seguida, ele foi convidado a fazer parte do grupo-piloto de membros globais que cantaram com o coro durante a conferência geral de abril de 2023.
Martins voltou a cantar na conferência geral de outubro de 2025. Nesse meio tempo, ele negociou com sua empresa para obter um visto e retornar aos Estados Unidos. Ele já canta no coro há três meses, disse o pai de dois filhos que mora em Pleasant Grove.
“A música foi uma das coisas que me aproximaram do divino quando criança”, disse Martins.
A mãe de Martins se filiou à Igreja no Rio Grande do Norte, Brasil, antes de ele nascer, e é uma das pioneiras na região.
“Ela economizava dinheiro para fazer a viagem anual ao Templo de São Paulo Brasil”, se referindo à viagem que consistia em três dias de ida, uma semana servindo no templo e três dias de volta.
Quando Martins era adolescente, sua mãe o ajudou a economizar dinheiro para que ele pudesse frequentar o templo.
Ele também se lembra de cantar nos coros da estaca com sua tia e dos sentimentos edificantes que a música lhe proporcionava. Essa mesma tia convidou Martins para aprender piano, para que pudessem ter um pianista na reunião sacramental, aprendendo uma parte de cada vez, começando pela melodia. Ele teve que reaprender algumas partes porque estava tocando uma nota abaixo do que deveria.
Martins, que serviu na Missão Ribeirão Preto Brasil, estava no coro do Centro de Conferências quando o falecido Presidente Russell M. Nelson anunciou a construção de um templo na cidade onde morava, Natal, no Brasil, em 2023. Mais tarde, Martins foi convidado a reger o coro na cerimônia de abertura de terra.
Ele espera que as pessoas que comparecerem ao concerto saibam que “existe um Deus, que Ele as ama e que Ele quer que elas amem o próximo e façam o bem em todo o mundo.”
Marcos Rangel: ‘Grande bênção na minha vida’
A música do Coro e Orquestra do Tabernáculo foi uma parte constante de sua vida, enquanto crescia em Campos dos Goytacazes, no norte do estado do Rio de Janeiro, Brasil. Seus pais se tornaram membros da Igreja antes de Rangel nascer. A família ouvia “Música e Palavras de Inspiração” e adquiria os DVDs dos concertos de Natal.
Rangel e um amigo, que também tocava violoncelo, mas não era membro da Igreja, assistiam às gravações das apresentações do coro e da orquestra.
“Ele ainda se lembra de como imaginávamos tocar com eles”, disse Rangel sobre a orquestra. Foi assistindo à orquestra que os dois decidiram seguir carreira profissional na música.
Rangel, agora com 37 anos, é membro da orquestra desde 2023. Casado e pai de três filhos pequenos, ele está atualmente em um programa de mestrado na Universidade de Utah, em Salt Lake City, e descobriu na terça-feira, 24 de janeiro, que foi aceito no programa de Doutorado em Artes Musicais da universidade.
“Tem sido uma grande bênção na minha vida”, disse ele sobre tocar na orquestra, observando que também há sacrifícios.
Rangel começou a tocar violoncelo com seu irmão gêmeo, Mateus Rangel, aos 13 anos, quando um primo estava organizando um programa de orquestra para jovens onde moravam, em Campos dos Goytacazes. Inicialmente, esperavam tocar violino, mas não havia vagas para violinistas.
No ano seguinte, quando os gêmeos tinham 14 anos, a ala deles não tinha pianista. O pai deles, que servia como bispo, os convidou a tocarem seus violoncelos como acompanhamento musical nas reuniões sacramentais.
“Acredito que, por servirmos dessa forma, meu desempenho no violoncelo melhorou”, disse ele. “Porque precisávamos tocar todos os domingos. Isso ajudou no tom, afinação e ritmo.”
Marcos Rangel serviu como músico até os 17 anos, quando se formou no ensino médio e se mudou para o Rio de Janeiro para cursar a universidade. Ele seguiu carreira na música e continuou morando no Rio após sua formatura.
Rangel mencionou que, durante um recente ensaio para a turnê, ficou emocionado ao ver o coro ensaiar hinos em português.
“Espero que meu povo sinta o amor de Deus por eles, que sintam o céu próximo e que todos nós somos filhos do mesmo Deus”, disse ele.
Membros globais: A música como uma ‘forma sagrada de testificar’
Carvalho e Domaredzky fizeram parte do grupo-piloto em abril de 2023. Domaredzky retornou para a conferência geral de abril de 2025, e Carvalho também cantou na conferência geral de outubro de 2025.
Domaredzky, de 31 anos, disse que “nunca pensou que seria possível estar no coro enquanto vivia em um hemisfério diferente, ou ver o coro se apresentar em meu país, e muito menos participar de suas apresentações para o meu povo.”
Ele comentou que viu o coro “se esforçando ao máximo para ajudar membros da Igreja de todo o mundo a se sentirem incluídos e reconhecidos.”

Ele espera que as pessoas que assistirem aos concertos, seja presencial ou virtualmente, sintam o amor do Salvador, Jesus Cristo. “A mensagem que o coro traz é de esperança, uma esperança que vem por meio do amor de Cristo”, escreveu ele em um e-mail ao Church News.
Carvalho, de 38 anos, disse: “Para mim, a música é uma forma sagrada de se testificar de Jesus Cristo. Poder fazer isso no Brasil por meio do coro é uma bênção única e terna, um momento em que meu amor pelo meu país e meu testemunho do Salvador se unem de uma forma muito pessoal.”
Já existe uma grande expectativa em torno dos concertos do coro e da orquestra, disse Carvalho, cuja formação é em Regência de Coro.
“O coro transmite uma mensagem de fé e amor que convida as pessoas a se aproximarem do Salvador”, escreveu ela em um e-mail ao Church News, acrescentando: “Será uma oportunidade sagrada de sentirmos o convite do Salvador para nos aproximarmos Dele e depositarmos nossa esperança Nele por meio da música sacra e inspiradora.”

Como assistir
O Coro do Tabernáculo e a orquestra se apresentarão no Ginásio do Ibirapuera, o mesmo local onde se apresentaram em 1981, na sexta-feira, 27 de fevereiro, no sábado, 28 de fevereiro, e no domingo, 1º de março. Os ingressos para os concertos já foram distribuídos.
O concerto de sábado, às 18h, horário de Brasília, será transmitido ao vivo no canal do Coro do Tabernáculo no YouTube.
Há mais de 500 eventos planejados em todo o Brasil para se assistir à transmissão ao vivo.

