O Museu de História da Igreja de A Igreja Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias inaugurou uma nova exposição que apresenta obras de arte de artistas santos dos últimos dias do deserto vermelho da Austrália.
A exposição “From Above: Aboriginal Australian Art From the Bird Family” [Aquilo que vem de cima: Arte aborígine australiana da família Bird – em inglês] foi inaugurada em 12 de março e ficará em cartaz até 1º de agosto, conforme o site ChurchofJesusChrist.org [em inglês].
Na região central da Austrália, membros da família Bird adaptaram a tradição artística de sua cultura Anmatyerr para retratarem histórias do evangelho restaurado de Jesus Cristo.
A espiritualidade Anmatyerr se expressa através do “Altyerre” ou “Sonhos”, uma série de histórias sobre como sua terra foi criada e sobre sua conexão sagrada com ela no passado, presente e futuro. Os “Sonhos” são mais do que histórias; eles definem a identidade Anmatyerr. Cada pessoa recebe seu “Sonho” por herança familiar e precisa de permissão para representá-lo.
Os “Sonhos” eram originalmente desenhados no corpo e na areia, mas agora também são pintados em tela. Formas em U simbolizam pessoas, inspiradas pela impressão deixada quando alguém se senta de pernas cruzadas na areia. Círculos concêntricos indicam poços de água ou locais culturais importantes, enquanto pegadas e rastros ilustram as jornadas e os caminhos espirituais dos antepassados e das comunidades.
As pinturas e a linguagem artística foram concebidas para serem vistas de cima, em uma perspectiva aérea, como se estivéssemos lendo um mapa, de acordo com a exposição on-line [em inglês].
“As histórias são sagradas para as Primeiras Nações da Austrália. Elas criam uma visão do mundo e uma forma de se interagir com a terra e as pessoas”, disse Laura Paulsen Howe, curadora do Museu de História da Igreja. “Estamos muito animados por proporcionar a estes artistas a oportunidade de compartilharem suas histórias indígenas e também suas histórias como santos dos últimos dias.”
Por meio desta linguagem artística, os membros da família Bird retratam o conhecimento sagrado, como os caminhos de seus antepassados em sua terra natal, ou a jornada de Joseph Smith quando jovem, no interior do estado de Nova York, até o Bosque Sagrado e a Primeira Visão.
Em Doutrina e Convênios 63:64, o Senhor instrui Seus discípulos a tratarem as coisas sagradas com reverência: “Lembrai-vos de que aquilo que vem de cima é sagrado e deve ser mencionado com cuidado.”
Howe acrescentou: “Os membros da família Bird conhecem esta verdade e honram o conhecimento sagrado que lhes foi dado por meio daquilo que vem de cima.”
A introdução da família Bird à Igreja começou com Ada Bird Petyarre (cerca de 1930-2009), que foi ensinada por missionários e se converteu à fé em meados da década de 1990. Ela então compartilhou o evangelho com seus filhos e netos.
Hoje, Gary Bird Mpetyane serve como líder do grupo no Ramo Alice Springs, na pequena comunidade de Akaye (Mulga Bore), Austrália. Presidente D. Todd Christofferson, então membro do Quórum dos Doze Apóstolos, visitou Alice Springs em 2023.
Muitos membros da família Bird foram selados no Templo de Sydney Austrália [em inglês] em 2023.
Em uma de suas pinturas, Gary Bird Mpetyane busca retratar e explicar a Expiação de Jesus Cristo para ajudar seus familiares a compreendê-la.
“O ‘U’ representa Jesus Cristo, e o vermelho nessa pessoa é o sangue de Jesus, derramado pelos pecados do mundo no Jardim do Getsêmani”, disse ele em um vídeo [em inglês]. “Na língua que falamos, o anmatyerr, é fácil nos entendermos, então podemos falar uns com os outros sobre Jesus Cristo.”
Ele continuou: “Mulga Bore é uma comunidade melhor, uma comunidade tranquila e pacífica, porque a Igreja está aqui conosco hoje. Eu amo Jesus Cristo. Ele morreu por nós, e eu O amo muito. É por isso que conto a história de Jesus Cristo, porque O amo de todo o meu coração.”
Rose Coleena Wallace Nungari é casada com Colin, filho de Ada Bird Petyarre. Sua pintura favorita retrata a árvore da vida, sua história favorita no Livro de Mórmon (ver 1 Néfi 8).
“Eu uso uma cor clara e cremosa [para a árvore] que brilha no meio. As pequenas pegadas marrons [são] as pessoas que vêm até a árvore”, disse Nungari em um vídeo [em inglês]. “O branco representa as pessoas brancas e o marrom representa os povos indígenas e outras pessoas de pele morena. A árvore da vida nas minhas histórias também faz parte da nossa cultura.”
“Aquilo que Vem de Cima” será inaugurada uma semana depois da exposição “Um Firme Alicerce”, do Museu de História da Igreja, uma exposição interativa para crianças e famílias, focada no Templo de Salt Lake e na importância dos alicerces físicos e espirituais.
