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Como colchas recuperadas de uma casa inundada em Kentucky consolaram uma família em luto

Apesar de várias pessoas dizerem que era uma causa perdida, um casal santo dos últimos dias e outras pessoas fizeram o possível para preservar 16 colchas encontradas em uma casa afetada pelas enchentes no Kentucky

À primeira vista, a casa inundada em Kentucky parecia ser um caso de perda total.

O interior era um pântano desesperador de lama, escombros e tristeza. Uma senhora idosa havia perecido dentro da casa durante a enchente, mas um grupo de voluntários santos dos últimos dias estava disposto a procurar quaisquer itens que pudessem ser recuperados para a família da proprietária.

Algumas pessoas pediram aos voluntários que simplesmente se retirassem da casa encharcada. No entanto, eles estavam determinados e se sentiram divinamente guiados, disse Ruth Ann Baxter.

“Proferi uma oração em meu coração e pedi ajuda para ter olhos para ver qualquer coisa que pudesse trazer algum consolo à família dela”, disse Baxter mais tarde. “Ao olhar para baixo, vi parte de um cortador circular, o qual estava praticamente coberto pela lama grudada ao chão do quarto, e tive meu primeiro impulso. Eu me perguntei: será que ela costurava colchas de retalho?”

As enchentes no leste de Kentucky

Em julho de 2022, enchentes históricas tragaram casas, destruíram propriedades, desalojaram moradores, deixando mais de 40 mortos no leste de Kentucky e arredores, de acordo com informações da imprensa [em inglês].

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Uma das vítimas foi Gilla Ann Noble Patton Miller [em inglês], uma mulher de 83 anos que morava ao longo do córrego Troublesome Creek, no condado de Breathitt. Conforme sua casa foi se enchendo de água, ela não conseguiu escapar.

A casa de Gilla Ann Noble Patton Miller em Kentucky, após a enchente de julho de 2022, onde as colchas de retalho foram encontradas.
A casa de Gilla Ann Noble Patton Miller em Kentucky, após a enchente de julho de 2022, onde as colchas de retalho foram encontradas. | Tim e Ruth Ann Baxter

Encontrando as colchas

Tim e Ruth Ann Baxter, membros da Ala Nicholasville Kentucky na Estaca Lexington Kentucky de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, chegaram à casa devastada com uma equipe de voluntários semanas depois, no domingo, 21 de agosto de 2022.

Vestindo camisetas amarelas do “Mãos que Ajudam”, com luvas, botas e outros trajes de trabalho, o grupo estava pronto para prestar serviço comunitário.

“A devastação da propriedade assumiu um novo significado quando entrei na casa”, disse Ruth Ann Baxter. “Para ter uma ideia das condições, os copos no armário superior da cozinha ainda estavam completamente cheios de água. A casa dela ficou completamente cheia de água.”

Conforme Baxter caminhava por quartos escuros, examinando cuidadosamente quaisquer itens que pudessem ser recuperados e salvos para a família, ela avistou o cortador circular e, em seguida, fita e tecido. Ela se deu conta de que estava em um quarto de costura.

Pegando sua lanterna, ela foi até o armário e descobriu duas caixas grandes, empilhadas uma sobre a outra. Elas estavam repletas de água escura e malcheirosa — e mais algumas coisas.

Outra voluntária advertiu Baxter a não abrir as caixas e espalhar semanas de mofo e ar tóxico pelo quarto, mas ela disse que não conseguiu conter sua curiosidade. Ela enfiou a mão dentro de uma das caixas e puxou uma colcha de retalhos, cuidadosamente dobrada. Haviam 16 colchas de retalho ao todo, a maioria costuradas à mão.

As colchas foram retiradas pela janela e estiradas sobre a grama. Outras pessoas lhe disseram que as colchas estavam arruinadas — “Você não pode fazer nada com isso”, disseram elas.

Talvez sim, pensou Baxter, mas ela faria o possível para salvá-las. Baxter sentiu que havia encontrado um “tesouro de amor”.

Limpando as colchas

No que diz respeito a tentar limpar e preservar as colchas, não havia tempo a perder. O cheiro era “horrível”, e o mofo preto havia começado a se espalhar.

“É preciso entender que não eram apenas colchas molhadas e encharcadas”, disse Tim Baxter. “Elas estavam pútridas e pretas. Elas haviam sido imersas por várias semanas, e a água do riacho, após certo tempo, não é agradável.”

Eles encontraram uma lavanderia aberta após dirigirem por duas horas, e um amigo apareceu para ajudar. A funcionária da lavanderia não ficou muito feliz com o odor desagradável, mas concordou em ajudar quando soube da história completa.

Ao se preparar para limpar as colchas, Ruth Ann Baxter lembrou que outra amiga havia lhe dado uma “receita” de vários detergentes que limpam colchas antigas costuradas à mão com eficácia, mas não conseguia encontrá-la. Sua amiga havia falecido a pouco menos de um ano e, portanto, telefonar para ela não era uma opção. Baxter entrou então em contato com sua irmã no Arizona, que encontrou a receita em minutos.

Baxter reuniu os ingredientes e o grupo deu início a uma longa noite, na qual lavaram cada uma das 16 colchas 4 vezes.

Cada colcha foi higienizada durante a última lavagem, depois pendurada em um varal, que se estendia por todo o comprimento do terreno de 0,5 hectares da família Baxter, e secada ao sol. Ao terceiro dia, o cheiro havia desaparecido.

Um vizinho forneceu fronhas para metade das colchas, e mais fronhas foram costuradas como forma de armazenar as colchas adequadamente.

Um presente para a família

As colchas, muitas com cores vivas e vários desenhos complexos, foram enviadas para uma capela em Hazard, Kentucky, onde foram entregues à família de Miller. Os voluntários também conseguiram salvar algumas fotos, instrumentos musicais e outros objetos da casa.

Ruth Ann Baxter também enviou uma carta contando a história de como as colchas de retalhos foram encontradas e preservadas. Ela espera que as colchas ajudem outras pessoas a apreciarem a memória da vida de Miller.

“Embora eu nunca a tenha conhecido, parte de mim sente que a conhece”, escreveu Baxter na carta. “Espero que a tenhamos honrado ao tentarmos preservar estes belos trabalhos de amor que encontramos, no que se tornou um domingo sagrado.”

Stacy Heilig, uma especialista do ServirAgora que também serve em um chamado de relações públicas da Igreja, estava presente quando a família chegou. Ela disse que eles “agradeceram muito e ficaram bastante emocionados”.

Rhonda Combs, filha de Miller, disse que, as circunstâncias que os levaram até a recuperação das colchas de retalho, foram algumas das mais duras e difíceis que ela e seus irmãos já enfrentaram. Ela e seus familiares são profundamente gratas pelos esforços de todos as pessoas envolvidas.

“As colchas são um farol de amor”, disse Combs. “A compaixão, o trabalho árduo e a dedicação que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias demonstrou por nós ficarão em nosso coração para sempre.”

Lições aprendidas ao servir

De acordo com Heilig, a casa em Troublesome Creek foi apenas uma das mais de 800 residências e empresas, nas quais mais de 2.700 santos dos últimos dias prestaram 27.000 horas de serviço voluntário nas semanas após a enchente.

A esperança de Ruth Ann Baxter na humanidade e na bondade das pessoas foi impulsionada pela experiência.

“Muita tristeza e destruição, porém muitas mãos dispostas a consolar”, disse ela. “Parecia que um poder divino estava nos guiando durante todo o caminho. Muitas orações foram proferidas, e muitas respondidas naquele dia.”

Tim e Ruth Ann Baxter, santos dos últimos dias de Nicholasville, Kentucky, em frente ao varal com colchas de retalho recuperadas de uma casa inundada em Kentucky.
Tim e Ruth Ann Baxter, santos dos últimos dias de Nicholasville, Kentucky, em frente ao varal com colchas de retalho recuperadas de uma casa inundada em Kentucky. | Tim e Ruth Ann Baxter

“Foi um esforço combinado, realizado por várias pessoas que doaram seu tempo, recursos e energia”, disse Tim Baxter.

Ruth Ann também aprendeu que, às vezes, é necessário ignorar as vozes externas e os opositores que nos dizem que devemos desistir e seguir em frente. Tim admite que foi um deles.

“Acho que o mais importante para mim é que, mesmo em meio a uma terrível devastação e tristeza, Deus está presente, e aqueles que necessitam de consolo podem recebê-lo”, disse ela.

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