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Palestrante da BYU pede à nova geração que sejam ‘embaixadores da paz não violentos para os direitos humanos’

Em palestra na BYU, o Reverendo Lawrence E. Carter convida o campus a ser cocriador na ‘comunidade amada’ sustentável e global de Martin Lurther King Jr.

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PROVO, Utah — O mundo hoje está testemunhando uma ausência de paz, observou Rev. Lawrence Edward Carter.

Esta ausência de paz se manifesta em tudo, desde indivíduos lançando ataques verbais frente a frente e nas redes sociais, até estados-nação lançando bombas e mísseis através de fronteiras, disse Rev. Carter, professor sênior e decano fundador da Capela Internacional Martin Luther King Jr. na Morehouse College.

“Deste clima sombrio, para onde podemos nos voltar em busca de ajuda?”, perguntou Rev. Carter, durante uma apresentação no Hinckley Center, no campus da Universidade Brigham Young em Provo, Utah, na quinta-feira, 13 de março. “Acredito que o Dr. King oferece um modelo, concebido por ele há mais de 60 anos, que pode nos servir ainda hoje.”

Em 28 de agosto de 1963, Rev. King, ativista americano dos direitos civis e ministro batista, fez seu icônico discurso “I Have a Dream” [Eu tenho um sonho], nos degraus do Lincoln Memorial em Washington, D.C.

Nesse discurso, Rev. King compartilhou sua visão para a “comunidade amada”, na qual “pessoas de todas as raças, religiões e nações poderiam viver juntas em paz e harmonia, e trabalhar juntas para o progresso comum da humanidade.”

Durante sua palestra no Instituto Wheatley da BYU sobre paz, não violência e direitos humanos, Rev. Carter fez um apelo a uma nova geração de humanitários, para promoverem a paz não violenta, ou serem cocriadores na “comunidade amada” sustentável e global.

“Eu os convido a se juntarem a mim em uma missão pela paz, a serem participantes ativos do trabalho pela paz e a serem apoiadores visíveis e vocais de pessoas, grupos e instituições que trabalham pela justiça e pela paz ao redor do mundo”, disse Rev. Carter.

Rev. Lawrence Edward Carter Sr. e Marva Griffin Carter conversam com Presidente Russell M. Nelson e a irmã Wendy Nelson, no Edifício de Administração da Igreja. | The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints

A necessidade de pacificadores

A palestra de quinta-feira foi co-patrocinada pelo departamento de Educação Religiosa da BYU e pelo Peacemaker Project [Projeto Pacificador – em inglês], uma iniciativa do campus inspirada no discurso de Presidente Russell M. Nelson na conferência geral de abril de 2023, intitulado “Precisa-se de pacificadores”.

Naquele discurso, Presidente Nelson ensinou: “A contenda é uma escolha. Ser um pacificador é uma escolha. Vocês têm o arbítrio para escolher a contenda ou a reconciliação. Eu os exorto a escolher serem pacificadores, hoje e sempre.”

Pouco mais de uma semana depois, em 13 de abril de 2023, Presidente Nelson recebeu o Prêmio da Paz Gandhi-King-Mandela da Morehouse College, uma faculdade particular de artes liberais para homens afro-americanos.

Ao aceitar o prêmio, Presidente Nelson repetiu sua mensagem sobre sermos pacificadores, enfatizando que as pessoas não precisam agir ou parecerem iguais para amarem umas às outras, e é possível discordar sem ser desagradável.

“Se temos alguma esperança de criarmos a boa vontade e o senso de humanidade pelos quais todos ansiamos, isto deve começar com cada um de nós, uma pessoa e uma interação de cada vez”, declarou Presidente Nelson.

“Que nós, como filhos e filhas de Deus, como irmãos e irmãs eternos, façamos tudo ao nosso alcance para edificarmos uns aos outros, aprendermos uns com os outros e demonstrarmos respeito por todos os filhos de Deus. Que possamos unir os braços em amor e fraternidade.”

O Rev. Carter entregou o prêmio a Presidente Nelson, que foi selecionado como o ganhador “por seus esforços globais em ‘abandonar atitudes e ações de preconceito contra qualquer grupo de filhos de Deus’ por meios não violentos.”

Durante a palestra do Instituto Wheatley, Rev. Carter fez um paralelo com as palavras de Presidente Nelson, dizendo: “A paz não [ocorre] quando tudo ou todos concordam; é quando podemos respeitar nossas divergências e ainda ‘brincar na caixa de areia’ juntos.”

Presidente Russell M. Nelson recebe o Prêmio da Paz Gandi-King-Mandela das mãos do Dr. Lawrence Edward Carter Sr., professor e decano fundador da Martin Luther King, Jr. Capela Internacional, na Assembleia Inter-religiosa e Interconfessional anual da Worldhouse na Capela Internacional Martin Luther King, Jr., da Morehouse College em Atlanta, Geórgia, na quinta-feira, 13 de abril de 2023. | Laura Seitz, Deseret News

‘Amizade inter-religiosa rica e profunda’

O Rev. Carter foi apresentado na quinta-feira por Élder M. Andrew Galt, Setenta de Área de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que serve em Atlanta, Geórgia, onde está localizada a Morehouse College.

Ao longo dos anos, Élder Galt e Rev. Carter “desenvolveram uma amizade inter-religiosa rica e produtiva, que ajudou a pavimentar o caminho para alguns compromissos verdadeiramente históricos entre a Morehouse College e A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”, explicou Paul Edwards, diretor do Instituto Wheatley.

Em abril de 2023, Rev. Carter viajou para Salt Lake City para entregar a Presidente Nelson o Prêmio da Paz Gandhi-King-Mandela.

Ele também esteve presente em outubro de 2023, quando o Coro do Tabernáculo na Praça do Templo recebeu os Glee Clubs da Morehouse e Spelman Colleges, como parte do programa Música e Palavras de Inspiração. Esse evento histórico foi repetido em setembro de 2024, quando o Coro do Tabernáculo saiu em turnê pela Geórgia.

Durante sua palestra na BYU, Rev. Carter falou sobre o retrato a óleo de Presidente Nelson, que foi colocado no Salão de Honra da Capela Internacional King, como parte do prêmio da paz recebido pelo Profeta.

Como reitor da capela, Rev. Carter disse que é frequentemente chamado para fazer tours pelo Salão de Honra e explicar os retratos. “Eu conto a história de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e as pessoas ficam absolutamente maravilhadas com o que eu digo, e isso destrói estereótipos e ajuda a reunir o ‘corpo quebrado de Cristo’”, disse Rev. Carter.

Um retrato a óleo do Presidente Russell M. Nelson de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é exibido no Salão Internacional de Honra ao lado de Abraham Lincoln na Capela Internacional Martin Luther King Jr. no Morehouse College em Atlanta, Geórgia, na quinta-feira, 13 de abril de 2023. | Laura Seitz, Deseret News

Usar a resistência não violenta pela paz

Sendo um homem de grande fé, Rev. King acreditava que a humanidade deveria desenvolver um método de lidar com conflitos, que rejeitasse vingança, agressão e retaliação, disse Rev. Carter. “A base de tal método é o amor.”

Rev. King disse certa vez: “Longe de ser a ordem piedosa de um sonhador utópico, o mandamento de se ‘amar o inimigo’ é uma necessidade absoluta para nossa sobrevivência.”

A resistência não violenta, desenvolvida por Mahatma Gandhi e adotada pelo Rev. King, “é uma arma única na história, que corta sem ferir e enobrece a pessoa que a empunha. É uma espada que cura”, disse Rev. Carter.

Com base em sua fé judaico-cristã e na teologia da não violência, Rev. King inspirou e liderou “o maior movimento ecumênico de justiça social na história dos Estados Unidos, que foi projetado para garantir a paz da comunidade amada e direitos humanos e iguais para todos os americanos”, disse ele.

Oliver Nilsson, estudante da BYU à direita, e outros conversam com Dr. Lawrence E. Carter no Hinckley Center Assembly Hall, na BYU em Provo na quinta-feira, 13 de março de 2025. | Laura Seitz, Deseret News

Referindo-se às palavras de Rev. King, Rev. Carter disse: “Se vamos dar uma chance à paz em nossos [bairros], nossas cidades, estados, nação, mundo, precisamos de uma revolução interna de valores. Esse é o movimento real necessário para a paz, um movimento da mente, do coração, dos pés.”

Os pés, explicou ele, representam a ação ou a necessidade de parar de “olhar para o mapa e ir para o destino. … Devemos entender que a paz é um verbo, uma efusão ativa de amor, e que a não violência é um compromisso absoluto com o caminho do amor.”

Os indivíduos precisam concentrar sua energia na paz, não contra a guerra, continuou Rev. Carter. “Precisamos de um Departamento da Paz. Precisamos de um secretário da paz, não de um Departamento de Defesa, não de um secretário de defesa. Por quê? Porque não há caminho para a paz. A paz é o caminho.”

Pessoas assistem ao discurso de Dr. Lawrence E. Carter sobre paz, não violência e direitos humanos, no Hinckley Center Assembly Hall na BYU em Provo na quinta-feira, 13 de março de 2025. | Laura Seitz, Deseret News

Compreender essa diferença requer iluminação e coragem revolucionária, sabedoria e compaixão, disse o Rev. Carter. “Devemos ser a paz, a coisa em si. Você não pode ter aquilo que não está disposto a ser. Você não pode pregar e dar palestras sobre paz e ser eficaz, a menos que expresse paz. Jesus tentou ensinar isso.”

Além de ser concretizada por indivíduos, a paz duradoura também deve ser “acionada” institucionalmente nos sistemas e estruturas da civilização, continuou ele.

Rev. Carter disse aos ouvintes que eles não precisam deixar Provo, ou Utah, para fazerem a diferença. “Só se não agirmos, certamente seremos arrastados pelos longos, escuros e vergonhosos corredores do tempo, reservados para aqueles que possuem poder sem compaixão, poder sem moralidade e força sem visão.”

O amor ágape, ou o que os santos dos últimos dias chamam de caridade ou o puro amor de Cristo, que é “radiante, transformador, puro” e transcende todas as fronteiras e limitações, é a mãe da paz não violenta, disse Rev. Carter.

“Espero que vocês aceitem o chamado para serem embaixadores da paz não violenta para os direitos humanos. Todos nós desejamos ver isso na carne e caminhar entre nós, cheio de graça [e] paz.”

Dr. Lawrence E. Carter profere um discurso sobre paz, não violência e direitos humanos, no Instituto Wheatley da BYU em Provo na quinta-feira, 13 de março de 2025. | Laura Seitz, Deseret News
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