PROVO, Utah — A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias investe muito na educação, incluindo a educação espiritual, das pessoas. Por quê?
“Uma das principais razões pelas quais a Igreja investe tanto no que fazemos, em todos os envolvidos neste trabalho, é porque eles acreditam que isto é importante”, disse Élder Clark G. Gilbert, comissário de educação da Igreja, aos educadores religiosos do Sistema Educacional da Igreja.
Em uma transmissão que será disponibilizada a dezenas de milhares de professores de universidades, faculdades, Seminários e Institutos ao redor do mundo, Élder Gilbert reiterou a missão, o propósito e a responsabilidade dos professores no SEI.
“No Sistema Educacional da Igreja, estamos preparando jovens em toda a Igreja para crescerem espiritualmente e se tornarem discípulos de Jesus Cristo por toda a vida”, testificou Élder Gilbert.
Durante o mais recente discurso de Presidente Russell M. Nelson, durante a conferência geral de abril de 2025, o Profeta observou: “A nova geração está se erguendo como vigorosos seguidores de Jesus Cristo.”
Élder Gilbert disse aos ouvintes que espera que eles sintam a verdade nas palavras de Presidente Nelson.
“As matrículas no Seminário atingiram um nível recorde em toda a Igreja”, disse Élder Gilbert, “tanto em número total de alunos, quanto em porcentagem de participantes. As matrículas em nossas universidades continuam batendo recordes. Mesmo em um momento em que muitas pessoas não estão indo para a faculdade, o Instituto está em seu nível mais alto na história da Igreja.”
Assim, os professores do Sistema Educacional da Igreja têm uma responsabilidade, continuou Élder Gilbert. “Nas palavras de Presidente Nelson, estamos preparando ‘um povo que ajudará a preparar o mundo para a Segunda Vinda do Senhor’ (“O Senhor Jesus Cristo voltará”, conferência geral de outubro de 2024).
“Que possamos assumir esta mordomia com sobriedade, humildade e confiança, enquanto o Senhor nos ajuda a fazer isto com poder e força em nossas designações”, declarou Élder Gilbert.
Élder Gilbert falou como parte de um painel de discussão na manhã de sexta-feira, 13 de junho, durante a segunda Conferência Anual de Educadores Religiosos, que reuniu educadores religiosos de cada uma das entidades educacionais da Igreja: Seminários e Institutos de Religião, BYU, BYU-Idaho, BYU-Havaí, Ensign College e BYU-Pathway Worldwide.
Élder D. Todd Christofferson, do Quórum dos Doze Apóstolos, deu início à conferência de dois dias, realizada no Teatro do Centro de Conferências, como principal orador, proferindo seu discurso na noite de quinta-feira, 12 de junho, sobre criar discípulos de Jesus Cristo por toda a vida
Na manhã seguinte, a conferência foi retomada no campus da Universidade Brigham Young em Provo, Utah, e contou com um discurso do presidente Alvin F. Meredith, presidente da BYU-Idaho; o painel de discussão com Élder Gilbert e outros educadores do Seminário, Instituto e universidades; e várias outras sessões de debates promovidas por outros educadores e administradores religiosos.
As sessões principais foram transmitidas em ChurchofJesusChrist.org [em inglês] e serão adicionadas ao aplicativo Biblioteca do Evangelho e à Biblioteca de Mídia nos próximos dias, em dezenas de idiomas.
O discipulado por toda a vida é o objetivo
Em seu discurso na manhã de sexta-feira, o presidente Meredith também se concentrou nos propósitos da educação religiosa na Igreja.
Ele observou como Élder Christofferson, na noite anterior, iniciou e concluiu sua mensagem com a missão do SEI. “Fiquei impressionado com a repetição [de Élder Christofferson] e a ênfase em ajudar os alunos a se tornarem discípulos de Jesus Cristo por toda a vida. Ele parecia determinado a nos lembrar o que esperamos realizar com nosso ensino”, observou o presidente Meredith.
Apenas seis meses após ser chamado como Apóstolo, o então Élder Russell M. Nelson ofereceu um discurso intitulado “Começar com o fim em mente” [em inglês], em um devocional na BYU.
O então Élder Nelson disse: “As estrelas do atletismo não começam uma corrida sem saberem a localização da linha de chegada.”
Manter o objetivo em mente, ou saber onde fica a linha de chegada, é especialmente verdadeiro no ensino do evangelho, disse o presidente Meredith. “Quando nos mantemos focados em nosso objetivo divino, temos uma probabilidade muito maior de alcançá-lo.”
O então Élder Thomas S. Monson, ensinou: “O objetivo do ensino do evangelho… não é ‘inundar a mente dos alunos com informações’. … O objetivo é inspirar o indivíduo a pensar, sentir e, então, fazer algo a respeito dos princípios do evangelho” (Conference Report, outubro de 1970).
Presidente Meredith fez em seguida, um convite “simples” aos educadores religiosos: “Continuem sendo intencionais ao ensinarem, tendo o discipulado por toda a vida como meta. Olhem para tudo o que fazem sob esta perspectiva. Revejam periodicamente o que ensinam, como ensinam e até mesmo o que avaliam. Revejam, não apenas o que estão ajudando os alunos a saberem, mas também o que estão inspirando a fazerem e a se tornarem. Ensinem com a intenção de ajudá-los a se tornarem ‘novas criaturas’ em Cristo.”
Citando Élder Christofferson, o presidente Meredith incentivou os professores a ensinarem como o Salvador ensinou. “[Jesus] ensinou de maneiras que exigiam que [Seus discípulos] pensassem, participassem, discutissem e aplicassem Seus ensinamentos. Que possamos fazer o mesmo.”
Ensino eficaz e responsabilidade do aluno
No painel de discussão, John Hilton III, professor de Escrituras Antigas da BYU, usou uma analogia da lã crua para explicar a responsabilidade dos alunos no processo de aprendizagem.
Hilton comparou ensinar aos seus alunos uma lição maravilhosa, com incríveis percepções das escrituras, a dar aos seus alunos muita lã crua. A lã crua pode parecer boa, mas assim que os alunos saem pela porta e o vento sopra, e ela será levada embora.
O aluno precisa pentear e cardar a lã, transformá-la em fio e, então, transformá-la em um casaco de lã capaz de suportar os ventos e as tempestades da vida. “Quero que os alunos tenham os casacos, mas eles precisam fazer esse trabalho por si mesmos”, disse Hilton.
Uma maneira de incentivar o aprendizado diligente, no qual o aluno tem a oportunidade de agir e usar seu arbítrio no processo de aprendizagem, é incentivar a preparação. Nathan Peterson, professor de Educação Religiosa da BYU-Idaho, por sua vez relacionou a preparação ao discipulado por toda a vida. “O discipulado exige disciplina”, observou Peterson.
Embora ele possa convidar seus alunos a lerem antes da aula para enriquecer o debate, ele também espera que, por meio desses convites, os alunos possam aprender a desenvolver um padrão de preparação que os servirá fora da sala de aula e por toda a vida.
Outra panelista, Jenet Erickson, professora associada de História e Doutrina da Igreja na BYU, disse que foi poderoso convidar seus alunos a refletirem e depois compartilharem.
Quer os alunos compartilhem em pequenos grupos ou apenas escrevam o que aprenderam, “recebo deles as respostas mais lindas, pois sentiram o Espírito do Senhor lhes dar a resposta que precisavam, e então podem prestar seu testemunho disso aos outros colegas. Então, esse discipulado, é real vivenciá-lo em sala de aula, a partir da preparação que fizeram”, disse Erickson.
Para incentivar o aprendizado diligente e a preparação dos alunos, os professores precisam mudar a cultura de suas salas de aula, observou Kaylee Merrill, diretora do Seminário. Para que os professores se envolvam com alunos bem preparados, eles próprios precisam estar bem preparados e reservar tempo para que os alunos compartilhem.
Peterson acrescentou: “Tenho que acabar falando menos e abrir espaço para que os alunos falem mais.”
Merrill disse que acredita que os professores podem organizar suas instruções de forma que os alunos tenham expectativas claras e treinamento suficiente, “e então damos a eles tempo e espaço, para que possam se expressar por si mesmos aquilo que estão pensando, o que estão sentindo, o que estão aprendendo”, disse ela.
Para concluir, Élder Gilbert convidou os educadores a escreverem algo que aprenderam e que os ajudará a se tornarem professores melhores. Em seguida, pediu que compartilhassem com alguém e criassem uma meta com base naquilo que aprenderam.
“A maneira como ensinamos é importante”, reiterou Élder Gilbert.
