BUENOS AIRES, Argentina — O Coro e a Orquestra do Tabernáculo na Praça do Templo celebraram 100 anos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias na América do Sul, com concertos apresentando músicas de esperança e fé, e ilustrando a história da Igreja no continente.
A música dos concertos de 2,5 horas de duração, intitulados “Canções de Esperança: Um século compartilhando o evangelho na América do Sul”, na sexta e no sábado, 22 e 23 de agosto, variaram de canções populares e músicas tradicionais sul-americanas a hinos que testificaram de Jesus Cristo.
O concerto contou com a presença da cantora e compositora argentina Soledad Pastorutti, conduzindo o público com uma canção da Primária. O pré-show contou com a participação da cantora Maggie Cullen e do trio Dos Más Uno, além de músicas de países da América do Sul, incluindo Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.
Os quase 9.000 espectadores a cada noite, demonstraram seu carinho e apreço antes mesmo do início do concerto e do pré-show, formando filas bem antes da abertura dos portões e, dentro da arena, aplaudindo e agitando bandeiras da Argentina. Eles aplaudiram de pé o coro, a orquestra, os artistas convidados e outros artistas e, depois do concerto, muitos precisaram ser lembrados de que a Movistar Arena estava fechando.
Élder Joaquin E. Costa, Setenta Autoridade Geral e presidente da Área América do Sul Sul da Igreja, deu as boas-vindas ao público na Movistar Arena na sexta-feira, 22 de agosto, e no sábado, 23 de agosto.
Élder Quentin L. Cook, do Quórum dos Doze Apóstolos, testificou no início do concerto sobre o Salvador, Jesus Cristo, e o propósito do Coro e da Orquestra do Tabernáculo.
“Este maravilhoso coro, o Coro do Tabernáculo na Praça do Templo, se dedica a ensinar e testificar do Salvador em um ambiente musical”, disse ele.
Élder Cook e sua esposa, a irmã Mary Cook, acompanharam Presidente Russell M. Nelson e sua esposa, a irmã Wendy Nelson, quando visitaram a Argentina em seu ministério na América do Sul em agosto de 2019 [em inglês].
“Ambos amam este país e me pediram para estender seu amor e bênção a vocês, em conexão com esta turnê do Coro do Tabernáculo”, disse Élder Cook.
O concerto celebrou o centenário da chegada de Élder Melvin J. Ballard, um Apóstolo do início do século XX, a Buenos Aires para dedicar toda a América do Sul à pregação do evangelho restaurado de Jesus Cristo.
“Ele observou que o crescimento começaria pequeno e o comparou a uma bolota, mas depois floresceria, como um imponente carvalho”, disse Élder Cook. “O crescimento da Igreja na Argentina e na América do Sul nos 100 anos desde aquela dedicação tem sido excepcional.”
Atualmente há 4,1 milhões de santos dos últimos dias residindo na América do Sul.
O concerto no sábado, 23 de agosto, foi transmitido pelo canal do Coro do Tabernáculo no YouTube. Cerca de 500 grupos de exibição foram planejados em todo o continente. Durante o pré-show, os apresentadores acompanharam os grupos de exibição desde a Terra do Fogo, Argentina, ao sul, até a estaca Punto Fico, na Venezuela, ao norte. Os apresentadores também acompanharam os grupos de exibição em diversos locais, incluindo Santiago, Chile; Montevidéu, Uruguai; e Assunção, Paraguai.
Espera-se que o concerto esteja disponível para transmissão sob demanda.
A Argentina é a quinta parada da turnê por diversas cidades e vários anos, intitulada “Songs of Hope” [Canções de Esperança], do Coro e Orquestra do Tabernáculo. Há 387 membros do coro e orquestra de voluntários em turnê, juntamente com organistas, líderes e equipe de suporte. O coro e a orquestra se apresentaram no início da semana em um concerto no Palacio Libertad, em Buenos Aires.
Concerto ‘Canções de Esperança’ na Argentina
Hinos de louvor, canções de várias partes do mundo, canções tradicionais dos Estados Unidos, canções populares e hinos de esperança foram apresentados sob a direção do diretor Mack Wilberg e do diretor associado, Ryan Murphy.
Mais de 20 narradores, de 9 a 70 anos, compartilharam ao longo do concerto sobre o Livro de Mórmon e três árvores diferentes: o carvalho profetizado por Élder Ballard, o Bosque Sagrado onde Joseph Smith teve a Primeira Visão e a visão da árvore da vida pelo profeta Leí, do Livro de Mórmon. Eles também testificaram sobre o Salvador e como todos somos filhos de Deus.
Folhas brancas gigantes emolduravam o coro e a orquestra, penduradas em comprimentos variados no teto. Atrás do coro, uma tela exibia imagens associadas a cada música. A primeira imagem era de um carvalho gigante.
O concerto começou com hinos de louvor, “Louvai a Deus”, em inglês e espanhol, e quase 100 jovens dançarinos, em trajes tradicionais variados, lotaram o palco e se espalharam pelos corredores. Ao longo do concerto, os dançarinos se apresentaram ou se juntaram aos narradores nos dois palcos satélites.
Após o coro cantar “Hijos del Señor, Venid” (“Vinde, Ó Filhos do Senhor”) em espanhol, se seguiu um trio de aleluias. A primeira foi a serena “Aleluia”, enquanto muitas pessoas permaneciam reverentes. Em seguida, o sublime “Aleluia”, do “Salmo 150”, do compositor argentino Alberto Ginastera, que aparentemente desarticula partes individuais antes de se juntarem para preencherem o espaço com música. O público ficou de pé enquanto o coro e a orquestra apresentavam “Aleluia” do “Messias”, de George Frideric Handel.
O coro apresentou três canções ligadas às culturas de língua espanhola. A primeira foi “¡Ah, el novio no quiere dinero!”, uma canção de casamento sefardita em ladino, uma língua judaico-espanhola. A segunda foi uma apresentação da orquestra da enérgica “Mattachins” (“Dança da espada”), de “Capriol Suite”, do compositor inglês Peter Warlock.
O terceiro foi “Adiós, Nonino”, um tango de Astor Piazzolla, com arranjo de Julián Mansilla, de Bahía Blanca, Argentina, que tocou bandoneon. Leandro Curaba, violinista principal da Orquestra Sinfônica de Rosário, também se apresentou na canção, que varia de momentos edificantes a emocionantes e a uma resolução serena. Tanto Mansilla quanto Curaba são membros da Igreja.; Curaba é Setenta de Área.
A música foi escrita depois que Piazzolla recebeu a notícia da morte inesperada de seu pai, disse Walter Rodriguez, um narrador uruguaio. Piazzolla estava viajando e longe de casa.
“Mais tarde, ele compôs uma homenagem musical que é mais do que um lamento. É uma celebração das bênçãos da vida”, disse Rodriguez. Adriana Rodriguez acrescentou que a música é um lembrete de que as pessoas podem ter esperança e rever seus entes queridos, graças ao sacrifício de Jesus Cristo. Durante a canção, os narradores retrataram a vida de Piazzolla.
O coro e a orquestra executaram três canções folclóricas americanas: o espiritual afro-americano “My God is so high”, o jazzístico “What a Wonderful World” e “Cindy”.
O cantor Alex Melecio, apresentador do programa “Música e Palavras de Inspiração” em espanhol, cantou “Color Esperanza” com o coro e a orquestra nas turnês no México, Flórida e Peru, e destacou que esta é a última parada em espanhol.
“É um lembrete de que ter esperança não é apenas uma questão de desejar. É uma questão de escolher”, disse Melecio antes de cantar “Color Esperanza”. “E para nós, santos dos últimos dias, sabemos que nossa escolha mais importante é seguir nosso Salvador Jesus Cristo.”
O público aplaudiu quando a artista convidada Soledad Pastorutti foi apresentada, e ela cantou o emocionante “Tren de Cielo” (“Trem para o céu”) com o público cantando junto em alguns momentos.
“Uma coisa que nos define como latino-americanos é a nossa capacidade de enfrentarmos desafios com esperança, esperança em nossas famílias, em nossas tradições, em nossos belos países e em Deus. A próxima música que vou cantar é sobre essa parte de nós”, disse ela antes de cantar “Los Paisajes” (“As paisagens”).
Em seguida, ela convidou o público a cantar junto “Sou um Filho de Deus” em espanhol, e eles fizeram isso com muitos acendendo a lanterna em seus celulares.
Pastorutti disse que a música “Brindis” foi escrita por ela em um momento único e se tornou “um convite para manter a esperança… para acreditar que, no final, coisas boas virão”.
Depois que ela cantou “Brindis”, o público se levantou, aplaudiu e vibrou.
Em seguida, o coro cantou um medley de duas canções da Primária para “todos, os jovens e os não tão jovens”, disse Gabriel Canteros, um narrador.
“Meu Pai Celestial Me Tem Afeição” e “Oração de uma Criança” contaram com instrumentistas da Argentina e do Paraguai: Edelvais Montani, da Argentina, na flauta, e membros da família Lopez, do Paraguai. São eles: Nelson Lopez, na trompa inglesa, que também é um participante global do coro; e seus irmãos Aldo López, no oboé, e Adrián Lopez, no fagote; e a esposa de Aldo López, Candy Riveros, no oboé.
Sementes, bolotas e árvores
A história da Igreja na América do Sul foi o principal tema do concerto, com vários narradores falando e retratando a história. Começou em 2 Néfi 30:3, 5, com o profeta Néfi, do Livro de Mórmon, escrevendo sobre o evangelho sendo proclamado entre o povo nos últimos dias. Após a organização da Igreja, Élder Parley P. Pratt foi chamado para uma missão entre os descendentes de Leí, explicaram os narradores. Mais tarde, ele foi chamado para ir ao Chile e plantou muitas sementes.
Em 1925, o Presidente da Igreja, Presidente Heber J. Grant, designou Élder Ballard para ir a Buenos Aires para dedicar a América do Sul à pregação do evangelho. Ele foi de navio a vapor com Élder Rulon H. Wells e Élder Rey L. Pratt, ambos do Quórum dos Setenta.
No início do dia de Natal, Élder Ballard, Élder Wells e Élder Rey Pratt foram a um bosque de salgueiros no Parque Tres de Febrero, em Buenos Aires, e cantaram uma canção de Parley P. Pratt: “A Alva Rompe”, que o coro cantou em espanhol.
Eles dedicaram a América do Sul à pregação do evangelho e compartilharam muitas partes da oração no concerto. “Giro a chave, destranco e abro a porta para a pregação do evangelho em todas essas nações sul-americanas”, disse Élder Ricardo Battista, Setenta de Área e narrador, citando a oração.
Inicialmente, quem comparecia às reuniões eram crianças, e muitas delas eram indisciplinadas.
Uma daquelas crianças foi Antonino Gianfelice [em inglês], na época com 6 anos, que perguntou aos pais por que eles não oravam para abençoar a comida. Quando os pais lhe perguntaram de onde ele tirou essa ideia, ele respondeu: “dos gringos”. Isso levou o pai do jovem Antonino, Donato, a procurar os élderes.
Antonino Gianfelice e sua família aprenderam o evangelho e se filiaram à Igreja, e vários narradores disseram que receberam sua bênção patriarcal dele.
Em 4 de julho de 1926, Élder Ballard se reuniu com os élderes e um grupo de membros alemães, e profetizou[em inglês]: “A obra avançará lentamente por um tempo, assim como o carvalho cresce lentamente a partir de uma bolota. … [E] chegará o dia em que … a Missão Sul-Americana será uma força na Igreja.”
“Com a oração dedicatória de Élder Ballard, o testemunho de Joseph Smith sobre a Primeira Visão ecoou por todo o nosso continente. Por cem anos, ele foi memorizado e compartilhado por milhares de missionários”, disse o narrador Fabian Boschiazzo. Os narradores guiaram os presentes no concerto para recitarem juntos trechos da Primeira Visão de Joseph Smith, descrevendo quando o Pai Celestial e Jesus Cristo apareceram, e o coro cantou “Que Manhã Maravilhosa!” em espanhol.
Olhando para o futuro, os narradores recitaram Doutrina e Convênios 4, enquanto os missionários subiam ao palco: missionários da Missão Buenos Aires Argentina Norte e da Missão Buenos Aires Argentina Leste na sexta-feira, e da Missão Buenos Aires Argentina Sul e da Missão Buenos Aires Argentina Oeste no sábado. Depois que o coro e a orquestra apresentaram “Llamados a Servir” (Chamados a Servir), muitos se emocionaram, a ovação de pé foi a mais longa e mais alta do concerto da noite de sexta-feira.
Ao apresentar “Vinde, Ó Santos”, Élder Battista disse: “Que as palavras deste hino os lembrem de sua sagrada contribuição à obra do Senhor. Que elas também sejam um convite para virem, retornarem e continuarem na gloriosa causa de nosso Salvador, Jesus Cristo.”
Compartilhando o amor de Deus
Pastorutti, Cullen, Melecio e Dos Más Uno, este último um trio composto por Marcelo Dellamea, Hugo Dellamea e Ariel Sánchez, se uniram para cantar “Todo Cambia” (“Tudo muda”) com a participação dos jovens dançarinos.
“Para aqueles que creem em Jesus Cristo, sabemos que oferecer nosso coração a Deus significa permitir que ele seja transformado, que se torne novo”, disse Olivia Arraya, uma narradora. Outros narradores acrescentaram que o que perdura é o amor pelas famílias, uns pelos outros e por Deus.
Nove dos participantes globais do coro, de vários países e territórios da América do Sul e do Caribe, se juntaram para cantarem os hinos. Os cantores internacionais participam de uma audição para cantarem com o Coro do Tabernáculo durante a conferência geral semestral.
São eles: Camila Cardús, Florencia Battista e Joel Villagra, todos de Buenos Aires, Argentina; Olivia Araya, de Chillán, Chile, e Andrea Betancur, de Santiago, Chile; Esteban Ojeda, de Coamo, Porto Rico, e Idaliz Santiago, de Trujillo Alto, Porto Rico; Nelson López de Capiatá, Paraguai; e Heber Ferraz-Leite, que é de Montevidéu, Uruguai, e mora em Viena, Áustria.
Enquanto o coro e a orquestra apresentavam “Trabalhemos Hoje”, em espanhol e inglês, foi incluído um vídeo de jovens servindo. O coro e a orquestra também apresentaram “Tal Como um Facho” em espanhol.
A terceira árvore retratada foi uma ilustração que representava a visão de Leí da árvore da vida. Vários narradores compartilharam como o fruto branco representa o amor de Deus por todos os Seus filhos.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que [N]ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”, citou Boschiazzo.
O coro e a orquestra cantaram “Creio em Cristo” em inglês e espanhol, e dançarinos e narradores trouxeram e seguraram frutas iluminadas enquanto as pessoas na plateia acenderam as lanternas em seus celulares.
E o coro concluiu com a tradicional canção de despedida: “Deus Vos Guarde”.
O público aplaudiu de pé o coro, enquanto gritava, e alguns entoavam “Argentina”.
“Você sente isso”
Liliana Gianfelice é filha de Antonino Gianfelice, o jovem que pediu à família que abençoasse a comida. Ela foi ao concerto com vários filhos, cônjuges e netos.
Ela disse em espanhol que ficou tão animada ao ver a história de seu pai e avô retratadas no concerto, que chegou a chorar. A história aconteceu exatamente como foi retratada no concerto, com seu pai querendo saber como orar, acrescentou. Seu avô, Donato, também lia a Bíblia e reunia a família para lê-la juntos.

Esta foi a primeira vez que ela viu o Coro do Tabernáculo pessoalmente. Quando perguntada sobre o que achou, ela parou por um instante e disse: “Você sente isso”.
“Nunca imaginei que seria capaz de ouvir o Coro do Tabernáculo ao vivo”, disse Liliana Gianfelice. Ela ouviu o coro pela primeira vez na década de 1980, quando ela e sua família ouviam a conferência geral em fitas cassete. “É inacreditável.”
