George Snell estava em casa, em Kaysville, Utah, em seu dia de folga, quando recebeu uma ligação. Seu vizinho implorou por ajuda: uma bebê estava com dificuldade para respirar.
Snell, um médico licenciado, pegou sua maleta médica e pulou a cerca da casa do vizinho. Lá dentro, encontrou a bebê, de apenas um ou dois meses de idade, com a coloração alterada e ofegante.
Ele usou o dedo para analisar a boca da criança em busca de um objeto para retirar, mas não encontrou nada.
De repente, uma mensagem veio à sua mente: “Use o tubo.”
Snell sabia exatamente o que aquilo significava. Rapidamente desmontou o estetoscópio e retirou um tubo. Com a mão experiente, o utilizou para aspirar o muco da garganta da bebê.
O alívio tomou conta da sala quando a bebê reagiu: sua respiração se estabilizou e sua coloração retornou.
Essa experiência de 1964 foi um dos muitos momentos na carreira médica de Snell em que ele recebeu orientação do Espírito. “Sem dúvida, fui levado a usar o tubo e desmontar meu estetoscópio”, lembrou ele.
Hoje, élder Snell, aos 92 anos, continua a oferecer sua experiência e sabedoria como missionário de serviço sênior para os Serviços de Saúde para Missionários de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Um chamado para a medicina, e para a obra missionária
Élder Snell sempre teve uma clara atração pela Medicina. “Nunca quis ser outra coisa. Sempre quis ser médico, mesmo quando criança, no ensino fundamental em Connecticut.”
Depois de três anos estudando Química na Universidade Johns Hopkins, ele atendeu aos requisitos para se candidatar à faculdade de Medicina e foi aceito na Universidade George Washington.
Após a formatura, élder Snell se candidatou a um estágio na Marinha em 1958, para cumprir uma obrigação do recrutamento militar de dois anos, onde serviu como médico nas Filipinas.
Olhando para trás, élder Snell disse: “Isso fazia parte do plano de Deus.”

Na época de sua chegada, não havia uma organização oficial da Igreja nas Filipinas; durante seu tempo na Marinha, élder Snell também serviu como líder de grupo de membros militares. Ele se lembra de ter ensinado o evangelho a uma jovem filipina, mas não ter autorização para batizá-la, pois a Igreja não era legalmente reconhecida.
Isso mudou em 1961 [em inglês]. A Igreja foi registrada nas Filipinas e os missionários foram autorizados a entrarem no país.
Élder Snell testemunhou a expansão do trabalho missionário durante o último mês de seu serviço na Marinha, quando conheceu os primeiros missionários de tempo integral que serviriam nas Filipinas.
Um impacto duradouro
Élder Snell completou um ano adicional de treinamento após retornar das Filipinas, no LDS Hospital em Salt Lake City, para adquirir mais experiência hospitalar. Ele e sua família se estabeleceram em Kaysville, Utah, em 1962, onde ele continuou a exercer a profissão em sua clínica particular pelos nove anos seguintes.
Em 1971, buscando se envolver mais no treinamento de pessoas para a prática da Medicina de Família, élder Snell iniciou residência em Medicina de Família no Hospital McKay-Dee em Ogden, Utah, dividindo suas funções entre a prática médica e o ensino de alunos.
Sua bondade e respeito se estendiam a todos, do cirurgião torácico à equipe de limpeza, observou o Dr. Jeffery Chappell, ex-aluno do élder Snell.
“Ele sempre fazia você se sentir importante”, disse Chappell.
Para muitos residentes, élder Snell não era apenas um mentor, mas também uma figura paterna, disse Chappell. Seu testemunho era bem conhecido, e as pessoas sabiam que sua fé em Cristo era central em sua vida.
“Nós sabíamos disso, nós sentíamos isso e queríamos corresponder às suas expectativas”, disse Chappell.
Uma vida inteira de serviço
Élder Snell se aposentou em 1994, mas sua dedicação ao serviço continuou. Naquele mesmo ano, ele e sua esposa, Clara Snell, retornaram às Filipinas, desta vez como líderes da Missão Filipinas Bacólod.
“Acredito que minha experiência como médico da Marinha nos levou a sermos chamados como líderes de missão”, disse élder Snell.
Mesmo como presidente de missão, ele permaneceu atento à saúde de seus missionários, sempre carregando “duas maletas”: uma para cuidados médicos e outra para suas responsabilidades como presidente de missão.

Os Snells tiveram uma conversa após serem desobrigados como líderes de missão e receberam a inspiração de que eram “mais necessários em outros lugares”. Em 1999, o casal serviu na América Central, onde o élder Snell avaliava instalações médicas e prestava cuidados aos missionários como consultor médico da área.
Irmã Snell também se envolveu intensamente no trabalho missionário. Na Guatemala, onde o inglês era a segunda língua de muitos, ela ajudou pessoas a aprimorarem suas habilidades no idioma. Ela também compartilhou seu conhecimento musical ensinando membros da comunidade a tocarem piano.
“Estar ocupada é sempre importante para mim, e estávamos muito ocupados”, disse ela.
Depois de seu tempo como consultor médico da área, élder Snell se envolveu com o Departamento Missionário em 2000.
Ele continua a melhorar a saúde dos missionários em todo o mundo, por meio dos Serviços de Saúde para Missionários. Uma de suas responsabilidades envolve o tratamento e a prevenção de doenças infecciosas que afetam os missionários. Como a imunização é uma das formas mais eficazes de prevenção, élder Snell estabelece os requisitos de imunização para os missionários.
Élder Michael B. Strong, Setenta Autoridade Geral e diretor executivo assistente no Departamento Missionário, enfatizou o papel significativo que missionários médicos, como o élder Snell, têm na coligação de Israel.
Com anos de orientação do Senhor ao longo de sua carreira profissional, Élder Strong disse que os membros seniores com experiência médica são especialmente qualificados para contribuírem com o esforço missionário.
“Se eles se disponibilizarem, verão como, por 30 ou 40 anos, o Senhor os vem preparando para fazerem algo que nem todos podem fazer”, disse ele.
Com uma longa e respeitada carreira na Medicina, élder Snell refletiu sobre o aspecto mais gratificante de seu trabalho.
“Acho que a parte mais gratificante foi poder ajudar as pessoas a terem uma saúde melhor e ajudá-las a se recuperarem”, disse ele.

