Em 9 de outubro de 1825, Kari Pedersdatter e Cornelius Nilsen desembarcaram nos Estados Unidos após zarparem de Stavanger, na Noruega, em uma chalupa, ou veleiro de mastro único, chamado Restauration (Restauração, em português). Eles estavam entre o primeiro grupo de cidadãos noruegueses a migrar para os Estados Unidos.
Em 9 de outubro deste ano, exatamente 200 anos após a chegada do Restauration original a Nova York, o tataraneto de Pedersdatter e Nilsen, Steve Washburn, e sua filha Olivia, assistiram à chegada de uma réplica da chalupa em Lower Manhattan, Nova York. O navio havia partido do mesmo porto, em Stavanger, em 4 de julho, o mesmo dia da viagem original, e passou 70 dias em mar aberto.
Assistir à chegada da réplica foi especialmente significativo para Olivia Washburn, que estava servindo em Stavanger como missionária de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, quando o Restauration partiu para Nova York no início deste ano, de acordo com um comunicado à imprensa [em inglês] publicado em ChurchofJesusChrist.org.
“É tão especial celebrar nossos antepassados, que se sacrificaram tanto”, disse ela. “Isto me fez sentir muita gratidão pela jornada que o povo norueguês percorreu há 200 anos.”
Buscando liberdade religiosa
O governo norueguês organizou a viagem comemorativa para celebrar os 200 anos da migração norueguesa para a América, e membros da Igreja se juntaram à celebração para homenagear os antepassados noruegueses e suas contribuições à Igreja.
Muitos dos primeiros imigrantes noruegueses vieram para os EUA em busca de liberdade religiosa. Presidente Paul V. Johnson, presidente geral da Escola Dominical, disse que quase metade dos membros que se filiaram à Igreja na Noruega emigraram para os EUA.
Vários dos passageiros originais do Restauration migraram para Fox River, Illinois, onde ajudaram a estabelecer, em 1842, a primeira congregação da Igreja não falante de inglês, de acordo com a Sala de Imprensa da Igreja na Europa [em inglês].
“Os primeiros santos noruegueses foram realmente fundamentais para o crescimento da Igreja”, disse o presidente Johnson. “Eles chegaram em um momento em que a Igreja precisava de força.”
Presidente Johnson tem muitos antepassados noruegueses e serviu lá como jovem missionário há 50 anos. Ele disse que ver o navio chegar e perceber a conexão entre a Noruega e a Igreja foi uma experiência poderosa.
Haakon, o príncipe herdeiro norueguês, também compareceu à celebração e falou sobre a busca dos imigrantes pela liberdade.
“Milhões de histórias que compõem dois séculos de emigração norueguesa para os Estados Unidos falam de esperança e decepção, sucesso e também desafios, mas, acima de tudo, testificam de gerações de noruegueses inspirados a buscarem uma nova vida de liberdade e possibilidades”, disse o príncipe herdeiro.
Rolf Idar Isaksen, historiador norueguês da Igreja, compareceu à celebração e ficou feliz por ter a oportunidade de recordar e homenagear os imigrantes noruegueses.
“Esta foi uma oportunidade para sairmos da obscuridade”, disse ele. “Temos um interesse comum por nossos antepassados e queremos celebrar [estes imigrantes] que buscavam liberdade religiosa. E essa é uma história que precisa fazer parte da história da imigração norueguesa.”
Conectando-se com antepassados
Muitos membros da Igreja se juntaram às festividades para recordarem seus antepassados noruegueses.
Um desses membros foi Ivan Nelson, que descobriu, através do FamilySearch, que é parente de todos, exceto dois dos “sloopers” originais, como eram chamados os imigrantes. Os dois que não têm parentesco com ele são antepassados de sua esposa.
“Foi mais do que apenas um navio chegando”, disse Nelson sobre a celebração. “Isso faz parte da minha história, da minha ancestralidade. Há uma conexão espiritual ali.”
O capitão do Restauration moderno, Kjell Morten Ronaes, também sentiu a importância de se conectar com os imigrantes originais.
“Espero que [os participantes] sintam orgulho por terem criado laços de amizade com o Restauration, por serem descendentes dos primeiros sloopers”, disse ele. “Espero que sintam um vínculo com a Noruega, que somos todos um só povo e somos todos amigos.”
Quem quiser saber mais sobre os primeiros sloopers pode visitar a página Celebrate Crossings 200 [Celebre as Travessias 200 – em inglês] do FamilySearch. Lá é possível encontrar biografias curtas de 49 imigrantes, verificar sua relação com os viajantes, consultar uma cronologia da viagem do navio e muito mais.
Além disso, a Biblioteca de História da Igreja em Salt Lake City abriu uma exposição sobre o projeto Crossings 200 em 1º de julho, que ficará em exibição até 30 de novembro.
