Quando o élder David B.J. Hoare, de Melbourne, Austrália, conheceu Sam Sophon nas ruas de Phnom Penh, Camboja, em 1999, quando era um jovem missionário, os dois não faziam ideia do impacto que sua primeira conversa teria.
Agora, 26 anos depois, Sophon e sua esposa, Chan Sovan, têm sido o meio pelo qual centenas de cambojanos foram convertidos ao evangelho, de acordo com a Sala de Imprensa da Igreja na Ásia [em inglês].
A história dos dois completou um ciclo, à medida que o élder Hoare retornou ao Camboja, desta vez como presidente da Missão Camboja Phnom Penh Oeste. Ele agora serve com pessoas trazidas à Igreja por Sophon e Sovan, a quem ensinou anos atrás.
Protegidos por um poder superior
Sophon e Sovan cresceram no Camboja durante o regime comunista do Khmer Vermelho na década de 1970.
Sophon e Sovan testemunharam muitas atrocidades durante o período em que o Khmer Vermelho esteve no poder, incluindo a morte de membros de suas famílias, mas ambos se lembram de se sentirem pessoalmente protegidos de qualquer dano.
Embora ainda não tivessem aprendido sobre Deus, ambos acreditavam em algum tipo de poder superior.

“Deus nos protegeu muitas vezes”, disse Sophon anos depois, em um artigo na Sala de Imprensa da Igreja na Ásia [em inglês].
Em 1979, as famílias de Sophon e Sovan foram obrigadas a se mudarem para uma casa grande perto de Phnom Penh, junto com várias outras famílias. Foi lá que os dois se conheceram e se apaixonaram.
Pouco depois de Sophon e Sovan se conhecerem, o Khmer Vermelho recuou sob ataque vietnamita, e o casal se casou. Em 1980, nasceu seu primeiro filho.
Encontrando a verdade
Ao longo de sua vida, Sophon esperou que “alguém com todo o poder” o ajudasse a encontrar a religião verdadeira.
Seu desejo se concretizou quando ele conheceu o élder Hoare e seu companheiro, élder Clint Rogers, em 1999.
Após descobrir que eram jovens missionários, Sophon os convidou para sua casa para conhecerem Sovan e seus cinco filhos, com idades entre 12 e 19 anos.

Sophon admitiu ter feito muitas perguntas difíceis aos élderes. Os missionários lhe disseram que ele precisava orar a Deus para que elas fossem respondidas.
“Então comecei a orar”, disse Sophon. “Uma noite, depois de orar e adormecer, tive um sonho. Vi dois anjos de Deus que me disseram que esta era a verdade. Foi um choque. Acordei atordoado e tremendo.”

Sovan recebeu sua resposta de Deus de maneira semelhante. Em um sonho, ela viu muitas pessoas caminhando juntas por uma estrada. Um homem se aproximou e apontou para um caminho menor, fora da estrada principal. Ele indicou que ela deveria seguir por aquele caminho em vez de permanecer com a multidão.
“Isso me fez sentir que aquilo que os missionários nos ensinavam era verdade e que eu precisava seguir esse caminho”, disse ela. “Havia menos pessoas e era difícil, mas era o caminho certo.”
Em 12 de junho de 1999, aproximadamente três meses após conhecerem os missionários, Sophon, Sovan e todos os seus cinco filhos foram batizados.
Fiéis, apesar dos desafios
O sonho de Sovan de caminhar por uma estrada solitária tornou-se uma realidade em certa medida após o batismo da família.
Os membros da Igreja do Camboja eram poucos em número na época, pois a Igreja havia recebido reconhecimento oficial no país apenas cinco anos antes.

“Às vezes me sentia sozinha”, disse Sovan, lembrando como alguns parentes ficaram desapontados com a conversão de sua família.
Mas a desaprovação alheia não impediu a família de viver sua fé.
“Foi uma bênção maravilhosa criar nossos filhos na Igreja”, disse Sophon. “Isso ajudou a guiar suas vidas para que se tornassem boas pessoas.”
Em 2004, a família viajou para o Templo de Hong Kong [em inglês] para ser selada. Seu filho mais velho, Laen, servia como missionário na época e recebeu permissão para acompanhá-los. Hoare também os acompanhou, viajando da Austrália para participar da cerimônia de selamento.

Um círculo de influência crescente
Em pouco tempo, a influência da família se estendeu para além das paredes de sua casa.
Todos os cinco filhos de Sophon e Sovan serviram missão, e agora seus netos também estão servindo.
Além disso, Sophon e Sovan apresentaram o evangelho a muitos de seus familiares.
O presidente Samnang Sea, presidente da Estaca Phnom Penh Camboja Norte, comparou o casal às primeiras famílias pioneiras que se estabeleceram em Utah e que agora têm milhares de descendentes na Igreja.
Ao longo dos anos, o casal convidou 16 de seus sobrinhos e sobrinhas de áreas rurais para morarem com eles em Phnom Penh, em busca de melhores oportunidades de educação e emprego. A maioria se uniu à Igreja enquanto morava lá, e muitos serviram missão com o apoio de Sophon e Sovan.

Foi um desses sobrinhos que encontrou o evangelho por meio de Sophon e Sovan, que agora serve como primeiro conselheiro do presidente Hoare na presidência da missão. O genro do casal serve como segundo conselheiro do presidente Hoare.
“Éramos apenas dois jovens de 19 anos, com os olhos brilhando de entusiasmo, andando de bicicleta pela rua”, disse o presidente Hoare, descrevendo a si mesmo e ao seu companheiro de missão. “Não tínhamos ideia do impacto que o batismo de Sam Sophon e Chan Sovan teria na Igreja no Camboja.”
“O Senhor tem maneiras de transformar ‘pequenas coisas’ em ‘grandes coisas’, como dizem as Escrituras”, continuou ele. “Isso acontece no mundo todo. Há ‘Sophons’ em todos os países. E ainda há mais aqui no Camboja.”

Perseverando com alegria
Sophon e Sovan continuam a servir fielmente na Igreja em diversas funções.
Sovan serviu como presidente da Sociedade de Socorro de um ramo, e Sophon serviu como presidente, tanto do ramo quanto do distrito.
Eles também já organizaram reuniões da Igreja, aulas do Seminário e lições missionárias em sua casa.
O casal agora aguarda ansiosamente a conclusão do Templo de Phnom Penh Camboja [em inglês], cuja abertura de terra foi realizada em setembro de 2021, onde esperam servir como oficiantes de ordenanças do templo.
“Estamos tão animados e gratos por um templo estar vindo para o Camboja”, disse Sophon. “Será uma grande bênção para o povo cambojano. Isso mostra que Deus está ciente de nós e nos ama.”
Sophon acredita que o templo ajudará a curar parte da tristeza e do sofrimento ainda sentidos pelas famílias que perderam parentes na guerra civil do Khmer Rouge.

“Reuniremos a Israel dispersa em ambos os lados do véu. Sei que é o plano de Deus. É a obra do Senhor para a nossa salvação e para a salvação de nossos antepassados. Será uma alegria e uma bênção servir como oficiantes de ordenanças e ajudar o nosso povo a realizarem os seus convênios, a serem selados e a sentirem o Espírito no templo.”
O conselho de Sovan para seus descendentes e para todos aqueles que foram influenciados por eles é simples: “Devemos sempre confiar em Deus e fazer o que Ele quer que façamos. Sigamos o plano de Deus, e superaremos os momentos difíceis e seremos abençoados.”
Sophon acrescentou: “Permitam que Deus prevaleça em sua vida. Sigam o Seu plano, não o seu. Se obedecermos aos mandamentos, receberemos o Espírito e a orientação para fazermos coisas que nos farão felizes e nos manterão seguros.”

