Em um dia excepcionalmente quente e ensolarado deste mês de dezembro, um helicóptero transportou uma rocha de 1.134 kg, adornada com petróglifos, de volta ao seu local de origem, próximo à fronteira entre Utah e Idaho.
Enquanto o helicóptero pairava no ar, os trabalhadores manobravam o artefato sagrado para o local correto, entre outras rochas com petróglifos semelhantes.
Os petróglifos foram criados pelo povo Fremont, ancestrais da Northwestern Band of Shoshone Nation [Tribo do Noroeste da Nação Shoshone], há 1.200 anos.
Há cerca de 80 anos, a rocha com petróglifos foi removida por um grupo de homens ou escoteiros, e levada para uma capela de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em Tremonton, Utah que, desde então, havia permanecido do lado de fora do prédio por décadas.

O retorno da rocha marca o ponto culminante de uma colaboração de vários anos envolvendo a Tribo do Noroeste da Nação Shoshone, o Estado de Utah e historiadores e conservadores representando A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, de acordo com um comunicado à imprensa em ChurchofJesusChrist.org [em inglês].
Para Brad Parry, vice-presidente da Tribo do Noroeste da Nação Shoshone, ver a rocha retornar a um local que ele descreveu como “um lugar espiritual”, onde famílias, incluindo seus próprios ancestrais, se reuniam e acampavam, foi uma experiência emocionante.
“Esta pedra estava destinada a estar aqui”, disse Parry. “É como se esta pedra soubesse que este é o seu lar.”

Preservação e repatriação
Por que a pedra foi removida de seu local original e trazida para a Igreja é “um mistério,” disse Ryan Saltzgiver, um curador de locais históricos do Departamento de História da Igreja.
A pedra foi provavelmente colocada na capela “não por maldade, mas por falta de compreensão adequada”, disse David Bolingbroke, pesquisador e historiador de divulgação do Departamento de História da Igreja.

Em 2011, arqueólogos amadores utilizaram uma pesquisa de arte rupestre de 1937 para encontrarem a rocha na capela de Tremonton e rastrearem sua origem.
“Desde então, temos trabalhado para alinharmos tudo e podermos mover a pedra”, disse Saltzgiver.
A Igreja trabalhou com a Tribo do Noroeste da Nação Shoshone para finalizar um plano de preservação e repatriação. Embora a Igreja não tivesse “nenhuma obrigação legal” de devolver o artefato, Saltzgiver afirmou: “Temos uma obrigação moral e ética de cuidar de itens como este que estão em nossa posse, especialmente quando se trata de devolver objetos sagrados aos seus legítimos donos.”


Para a tribo, a parceria foi inspiradora.
“Devolvê-la a nós é como encaixar uma peça de um quebra-cabeça de volta no lugar”, disse Parry. “Nossa história é tão fragmentada, com tantas coisas que nos aconteceram. Ter essas coisas positivas vindo à tona agora, é como reconstruir nossa história. E eu não consigo enfatizar isso o suficiente.”
O processo de repatriação durou vários anos, durante os quais Chris Merritt, do Escritório de Preservação Histórica do Estado de Utah, desempenhou um papel fundamental na união de todos os parceiros.


Limpeza do artefato
A jornada da peça de volta para casa começou quando profissionais especializados no manuseio de obras de arte a removeram cuidadosamente do concreto.
A rocha foi transportada para Provo, Utah, onde conservadores de objetos selecionados por historiadores da Igreja limparam cuidadosamente e removeram anos de crescimento de líquen.

O processo de limpeza envolveu o uso de sabão e água, de ferramentas de bambu e plástico, de biocida não tóxico e de vapor, disse Megan Randall, conservadora de objetos do Midwest Art Conservation Center.
“Mesmo que não seja a mais limpa, em alguns meses ou um ano, ela continuará a se limpar com a aplicação do biocida”, disse Randall. “Não há muitas pessoas que fazem isso, o que torna nosso trabalho muito interessante e variado. [A pedra] tem desenhos que estão espiritualmente ligados à tribo, e queremos torná-los visíveis e apreciáveis pelas pessoas que encontram valor nisso, o que também somos nós.”



De volta para casa
Uma vez limpo e preservado, o artefato sagrado foi transportado de volta ao seu local original.
A colocação final da pedra foi descrita como um momento marcante e sagrado, que evocou emoções intensas entre os envolvidos.

Foi um trabalho de equipe e um projeto emocionante, disse Megan Emery, conservadora-chefe do Midwest Art Conservation Center.
“Ver como todos os membros da equipe trabalham bem juntos e ver o sucesso que isso alcançou é algo muito gratificante; me sinto honrada e muito grata por fazer parte deste projeto”, disse Emery.

Bolingbroke disse que testemunhar a preservação e o retorno da pedra foi “algo maravilhoso”.
Para comemorar a ocasião significativa, Rios Pacheco, um líder espiritual tribal, ofereceu uma bênção que emocionou profundamente os presentes.
“Ele orou para que todos os que ajudaram fossem abençoados”, disse Parry. “Ouvir ele dizer isso no idioma shoshone … foi simplesmente maravilhoso.”
Bolingbroke acrescentou: “Senti uma forte impressão de que os olhos de nossos ancestrais estavam sobre nós naquele momento. Shoshones e santos dos últimos dias ficaram satisfeitos com nossos esforços para trazermos esta pedra de volta e colocá-la em seu devido lugar. É tão importante porque há uma conexão entre os Shoshones e esta pedra.”


