AMERICAN FORK, Utah — Após um dia enriquecedor de oficinas culturais, demonstrações de música tradicional e uma visita em grupo ao templo, santos dos últimos dias de diversas origens indígenas se uniram para um hino de encerramento.
Os membros da congregação, de hopis a tonganeses, de navajos a ojibwes, foram instruídos a cantarem “Sou um Filho de Deus”; a maioria não precisou abrir um hinário. A letra estava enraizada em suas memórias e gravada em seus corações.
“Ensinai-me, ajudai-me as leis de Deus guardar”, se harmonizavam com fervor e amor mútuo. “Para que um dia eu vá com Ele habitar.”
No sábado, 13 de setembro, em American Fork, Utah, membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias com ascendência indígena se uniram como um só povo que, acima de todas as suas diferenças, tem uma coisa em comum: a linhagem divina de um Pai Celestial.
Esta reunião familiar foi organizada pela Gathering of Tribes [Coligação das Tribos – em inglês], uma organização sem fins lucrativos que, de acordo com seu site, visa “encorajar os indígenas santos dos últimos dias a nutrirem sua fé em Jesus Cristo, unir famílias por meio do trabalho do templo e história da família, cuidar dos necessitados e celebrar sua identidade cultural em relação ao evangelho”.
O nome do evento foi Good Medicine [Bom remédio – em inglês]. Shane Manning, diretor de operações da Gathering of Tribes e membro registrado da Nação Muscogee (Creek), disse sobre o tema: “‘Good Medicine’ é um termo tradicional nativo americano, que significa qualquer coisa que nos conecte ao Criador, qualquer coisa que cure, seja boa ou positiva e que nos coloque em uma boa direção, que traga equilíbrio para nossa vida.”
O encontro de sábado incluiu um serviço ao nascer do sol, uma sessão no templo, uma refeição e um serão de encerramento, além de diversas oficinas com foco em abraçar a cultura por meio da arte e encontrar conexão com o Salvador, Jesus Cristo.”
Lições de luz no serviço ao nascer do sol
Dirigindo-se a uma multidão reunida à sombra do Templo de Mount Timpanogos Utah [em inglês], Élder Michael A. Dunn observou que há falta de luz quando o mundo se concentra em divisões e na destruição mútua. Ele mencionou o ensinamento do Livro de Mórmon de que “o Senhor Deus não trabalha em trevas” (2 Néfi 26:23).
“Ele está na luz e na alegria, em todas as coisas que celebramos aqui”, disse Élder Dunn, Setenta Autoridade Geral e primeiro conselheiro na presidência da Área Estados Unidos Sudoeste da Igreja, no serviço ao nascer do sol.
“À medida que a luz retorna a este lindo dia, expressamos nossa apreciação e reconhecimento por todas as coisas belas e básicas que Deus nos dá: vida, sustento e água. Acima de tudo, uns aos outros.”
Para Élder Dunn, se reunir ao nascer do sol foi um lembrete de que o Senhor “convida todos a virem a ele e a participarem de sua bondade; e não repudia quem quer que o procure” (2 Néfi 26:33).
Ele disse: “Uma das coisas que celebro neste dia de reunião neste lindo lugar com todos vocês não são as nossas divisões, não é aquilo que nos divide, mas a nossa semelhança como filhos e filhas do Deus vivo.”
O serão matinal incluiu música ao nascer do sol com cânticos, entonações e batidas rítmicas de tambor. Um dos três participantes foi Curtis Walker Jr., de Eagle Mountain, Utah, cuja ascendência é metade Omaha e metade Hopi.
“Esta é uma canção de guerreiros”, disse Walker ao Church News após o serviço. Ele disse que as três palavras principais da canção em língua omaha se traduzem em “guerreiro”, “Pai Celestial” e “cuida deles”.
“Então, estamos dizendo aos nossos guerreiros que lutam por nosso país, assim como a nós que lutamos por nossas famílias e pelo evangelho, que estamos pedindo ao Pai Celestial que os abençoe nesta manhã.”
Um coro de jovens da Ala Provo 12 (samoana) cantou “Pe a Faigatā Le Ala, Taumafai!” ou “Se a Vida É Penosa”. Enquanto regia o coro, Sisi Vaea, de ascendência tonganesa, voltou seus pensamentos para sua família, incluindo antepassados polinésios que imigraram para Iosepa, Utah, muitos anos atrás.
“Senti que eles estavam muito orgulhosos de nós”, disse o segundo conselheiro no bispado da ala. E se reunir com irmãos e irmãs com diversas provações e origens para o nascer do sol, disse ele, foi um testemunho de que todos são filhos de Deus e podem recorrer a Ele em busca de ajuda divina.
‘Deus pode mudar corações e mentes’
Élder Craig M. Teuscher, Setenta de Área na Área Utah, encerrou o evento Good medicine, falando sobre nos tornarmos “unos de coração e vontade” (Moisés 7:18), em preparação para a Segunda Vinda do Salvador.
Essa mudança começa a nível individual, disse ele. “A beleza do evangelho de Jesus Cristo é que Deus pode mudar corações e mentes, se O convidarmos a fazê-lo.” Conforme os fiéis convidam o Espírito Santo para sua vida e agem de acordo com Suas inspirações, eles permitem que Deus os transforme para o bem, disse Élder Teuscher.
Quanto a nos tornarmos um só coração e mente como povo de Sião, “não se trata de persuadirmos ou convencermos outras pessoas a sentirem o que sentimos. Trata-se de todos nós convidarmos Deus a mudar nosso coração e nossa mente, nos levando a Cristo e nos ajudando a nos alinharmos à Sua vontade.”
A coligação de Israel é um convite para virmos a Cristo, disse Élder Teuscher. Ele acrescentou uma citação de Presidente Russell M. Nelson, Presidente da Igreja, que disse em outubro de 2020: “O Senhor está reunindo aqueles que escolherão permitir que Deus seja a maior influência em sua vida.”
Élder Teuscher prestou seu testemunho de que, “ao participarmos com o Senhor na coligação de Israel, Deus muda nosso coração e nos abençoa para sentirmos o que Ele sente por cada um de nós, que é um amor grandioso.”
Cindy Quinney, diretora executiva da Gathering of Tribes e membro registrada da Nação Cree de Onion Lake, encerrou os eventos do dia com um convite à fé no Pai Celestial, que conhece as dificuldades de todos e está disposto a nos ajudar. “Quando temos um problema, fazemos o nosso melhor e, então, simplesmente o colocamos no altar e o entregamos a Ele”, disse ela.
Reforçando a magnificência da coligação de Israel, Quinney disse: “Todos os testemunhos que vocês ouviram e o Espírito que sentiram aqui, agora é sua responsabilidade saírem e compartilharem isso com outras pessoas.”
O que outros discursantes e participantes disseram
“Se eu tivesse que usar apenas duas palavras para descrever este encontro”, disse Crystal Jimson sobre o evento, “eu diria, Viva Israel!”
Jimson, uma santo dos últimos dias navajo de Gallup, Novo México, descreveu a conferência de sábado como “uma ferramenta de conversão, uma ferramenta divina, que nos ajuda a nos achegarmos a Ele e ouvi-Lo”. Ela acrescentou: “Este encontro aumentou minha confiança no convênio. Este encontro aumentou minha capacidade de amar mais, orar mais, me arrepender mais, adorar mais, perdoar mais e servir mais.”
Das 12 oficinas oferecidas, Areli Garcia ministrou uma aula intitulada “Abraçando sua cultura, abraçando seu Deus”. Garcia, nascida em Guadalajara, México, destacou vários benefícios de se abraçar a própria cultura, como estabilidade emocional, maior flexibilidade cognitiva, conexões sociais mais fortes e maior adaptabilidade.
“Quando você ama quem você é e de onde veio, porque é onde Deus o colocou”, disse ela, “você pode fazer muito mais em sua vida.”
Em uma oficina intitulada “Mulheres nas escrituras”, Alondra Uhi, que é metade peruana, explicou seus processos artísticos pintando personagens femininas das escrituras como Miriã, Zípora e a esposa de Néfi. Uhi incentivou as mulheres a escreverem suas histórias e os milagres que veem em suas vidas para fortalecerem outras.
“Minha esperança real é que, no futuro, minha filha e meus filhos possam olhar para trás e verem todas as mulheres poderosas que os antecederam, encontrarem força e serem encorajados por elas.”
Evvy Trujillo, uma agricultora, artista e tecelã hopi, falou sobre os usos de plantas comestíveis, medicinais e cerimoniais, durante uma oficina intitulada “Presentes do Criador”.
Abraçando sua tradição nativa americana, ela disse: “Quando coleto meu material, nunca vou lá e simplesmente pego da Mãe Terra. Sempre deixo algo para trás”, como comida para os animais, para manter o equilíbrio na natureza.
Rebecca Rogers, moradora de Salt Lake City e de ascendência Navajo, disse que o evento foi “o encontro mais espiritual relacionado à Igreja em que já estive” e “foi absolutamente glorioso estar em uma sessão no templo com outros [membros] nativos americanos.”
Para Rogers, conhecer Israel significa apreciar a beleza da história de sua família, aprender com os bons e os maus momentos e fazer novos amigos ao longo do caminho. “Cresci sem muita conexão com a minha herança navajo, e agora consigo me conectar mais com ela, e isso realmente fortaleceu muito o meu testemunho.”
