Nota do editor: Este é o terceiro de uma série de três partes do programa “Living Record: A Church News Documentary Series“ [Registro Vivo: Uma série documental do Church News – em inglês], exibida no canal BYUtv, intitulada “Harvest of Faith” [Colheita da Fé]. A parte 1 apresenta as fazendas de bem-estar. A parte 2 examina as instalações de bem-estar de processamento e distribuição de alimentos pertencentes e operadas por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. A parte 3 se concentra na AgReserves, o braço comercial da Farmland Reserve, uma afiliada de investimentos da Igreja.
Do Chile ao Brasil e aos Estados Unidos, as fazendas e ranchos da AgReserves[em inglês] não cultivam apenas alimentos para serem vendidos em todo o mundo, mas também desenvolvem pessoas.
A AgReserves é o braço comercial da Farmland Reserve, uma empresa de investimentos agrícolas de classe mundial, que é uma subsidiária de investimentos afiliada [À] Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Doug Rose, presidente e CEO da AgReserves e da Farmland Reserve, explicou: “A Farmland Reserve é uma empresa sem fins lucrativos que investe em ativos agrícolas. A AgReserves é uma subsidiária da Farmland Reserve, que administra muitos dos investimentos que fazemos em ativos agrícolas. Possuímos terras agrícolas em nove países e em mais de 30 estados [dos EUA]. Empregamos milhares de pessoas de todas as crenças e origens ao redor do mundo, e os alimentos que cultivamos são vendidos no mercado comercial.”

Ao contrário das fazendas de bem-estar da Igreja, as fazendas de investimento da AgReserves são administradas por funcionários remunerados. A empresa paga impostos e gera lucro.
“No final, tudo isso será usado para apoiar a missão sagrada da Igreja”, disse Rose.
Rose explicou que a agricultura, como investimento, é única por ser um investimento estável e seguro.
“Se a economia vai muito bem, a agricultura vai bem. Se a economia não vai bem, a agricultura vai bem. O que nos diferencia como investidores e operadores é que sempre analisamos tudo o que fazemos a longo prazo”, disse Rose.
AgroReservas do Brasil
Na zona rural de Unaí, no estado de Minas Gerais, Brasil, um grupo de funcionários da AgroReservas do Brasil forma um círculo para começar o dia com exercícios, anúncios e uma oração.
A fazenda cultiva milho, soja, sementes de milho, sementes de soja e algodão, explica Rubens Paim Quadros, gerente geral. Ele trabalha na AgroReservas há 19 anos.

“A fazenda é a minha vida, é a minha paixão, é o meu amor”, disse ele.
A fazenda que Quadros administra abrange 30.000 hectares e emprega 115 pessoas.
“Somos produtores líderes, reconhecidos nacionalmente como um dos melhores produtores de sementes de milho”, continuou Quadros. “E também somos reconhecidos nacionalmente como produtores de sementes de soja. E agora estamos experimentando o cultivo de algodão como uma nova cultura.”
Enquanto as máquinas de colheita trabalham em um campo para colher o milho, um drone sobrevoa outros campos para monitorar e acompanhar o crescimento da plantação. Quadros afirmou que um dos desafios é que a tecnologia evolui e muda a cada ano: cada máquina adquirida vem com tecnologia integrada. Mas acompanhar essas novas ferramentas contribui para o aumento da eficácia da colheita, explicou ele.

A fazenda oferece um programa de liderança que cobre as mensalidades da faculdade e proporciona oportunidades de desenvolvimento profissional, permitindo que os funcionários sejam promovidos a cargos de liderança.
“Trabalhamos pela excelência profissional no cultivo dos melhores grãos no campo. Da mesma forma que fazemos no campo, queremos que nossos funcionários também cresçam intelectualmente e como líderes”, disse Quadros.
Francisco Gonçalves de Souza Neto, gerente de funções centrais da AgroReservas do Brasil, cresceu em uma família pobre com poucas oportunidades. Ele obteve seu primeiro emprego aos 13 anos e não teve tempo para aprender ou estudar. Mas ele buscava algo mais.
Neto começou na AgroReservas como vaqueiro aos 18 anos. Um gerente reconheceu seu potencial e o convidou a participar do programa de liderança da fazenda.
“Pude aprender muitas coisas sobre liderança, planejamento, como tratar as pessoas e acreditar em mim mesmo”, disse ele.

Após quatro anos na BYU-Idaho, ele retornou ao Brasil para assumir sua posição atual na empresa.
“E eu perguntei ao líder que viu meu potencial: ‘O que você quer que eu faça para retribuir?’ Sua resposta simplesmente mudou minha vida. Ele disse: ‘O mesmo que eu fiz por você, faça por outra pessoa.’”
Algo que Quadros sempre enfatiza é que as máquinas não funcionam sozinhas, as fazendas e os ranchos precisam de pessoas boas, treinadas e que queiram continuar crescendo para atingirem seu potencial. “Nós acreditamos que as pessoas fazem toda a diferença.”

AgriNorthwest
No estado de Washington, perto do rio Columbia, batatas, cebolas, milho, milho doce, cenouras, ervilhas e trigo são cultivados na AgriNorthwest [em inglês], uma grande fazenda agrícola que faz parte da AgReserves.
Apontando para as cebolas empilhadas em um galpão de armazenamento, Blaine Meek, o gerente geral, diz que as pessoas podem encontrar essas cebolas em todos os lugares, desde molhos vendidos em supermercados até cebolas frescas usadas em redes de restaurantes nacionais.
Meek afirmou que a AgriNorthwest cultiva mais de 40.400 hectares e emprega mais de 1.000 pessoas na época da colheita.
“Queremos ser uma fazenda sustentável. Estamos cultivando esta terra hoje, mas ela será mais produtiva daqui a 100 anos do que é hoje”, disse Meek.

Embora seja o gerente geral, Meek prefere ser conhecido como agricultor. Ele cresceu em uma fazenda da família no sul de Idaho e ganhou seu primeiro trator de brinquedo aos 3 anos de idade. Ser agricultor é realizar o sonho de infância.
“Ao analisarmos os desafios que os agricultores enfrentam, percebemos que estamos lidando com a Mãe Natureza”, disse Meek. “Há cerca de 10 anos, tivemos dois anos muito bons seguidos. Eu estava ficando um pouco arrogante. Mas depois tivemos três ou quatro anos em que o clima não foi tão favorável. E eu aprendi a lição. Rapidamente percebemos que não temos o controle total.”
Trabalhar com cebolas é uma experiência única, afirma Traci Jensen, gerente geral da River Point Farms em Washington, uma unidade da AgReserves.
“Nós brincamos dizendo que, quando levamos visitantes às nossas instalações [onde estão as cebolas], eles ficam ‘emocionados’, porque a maioria das pessoas ‘chora’ bastante”, disse ela.

As cebolas são transportadas do armazém para a unidade de embalagem, onde os funcionários procuram defeitos e verificam o tamanho de cada cebola. Aquelas que não atendem aos padrões de qualidade são separadas para serem cortadas e embaladas de forma diferente.
“Embalamos cerca de 1.000 toneladas de cebolas por dia. É muita cebola, não é?”, disse Jensen.
O pai de Jensen trabalhava no setor alimentício, então ela cresceu também interessada na área. Ela também adorava Ciências e Matemática. Depois de estudar Ciência e Tecnologia de Alimentos na Universidade de Oregon State, ela trabalhou com o pai por 17 anos antes de se juntar à River Point.
“Ser mulher em um setor dominado por homens certamente tem seus desafios”, disse ela. “Mas na AgReserves e na River Point, as mulheres são realmente iguais.”

Ao refletir sobre a história da AgReserves, Rose disse que os primeiros investimentos da Igreja em terras agrícolas começaram no início dos anos 1900 e cresceram lentamente ao longo do tempo, “até termos este portfólio realmente notável, eu diria milagroso, de ativos agrícolas.”
Dessa forma, explicou ele, a Igreja está seguindo os ensinamentos do Salvador, conforme Ele os ensinou na parábola dos talentos (ver Mateus 25).
“Em vez de simplesmente pegarem aquele dólar e guardá-lo sem fazer nada, eles nos confiam este dólar consagrado. Vamos tentar transformar este dólar consagrado em quatro ou cinco dólares consagrados e, no final, estes dólares consagrados serão devolvidos à Igreja para cumprirem seu propósito humanitário e religioso”, disse Rose.
AgroReservas de Chile
A AgroReservas de Chile, localizada a cerca de uma hora a sudoeste de Santiago, no Chile, tem cerca de 88 funcionários em tempo integral e chega a empregar 200 pessoas durante a época da colheita.
A fazenda cultiva árvores frutíferas, principalmente oliveiras para a produção de azeite e também nozes. A colheita das azeitonas dura dois meses, enquanto a das nozes dura apenas duas semanas.
Eladio Arias, gerente geral, afirma: “Estamos alimentando o mundo e entendemos isso como uma tarefa importante.”
A fazenda foi projetada para ser mais eficaz, com longas fileiras para as máquinas. “Quanto mais longas as fileiras, menos vezes precisamos virar e as atividades são mais mecanizadas”, explica Arias.
Durante a colheita, máquinas percorrem as fileiras de oliveiras e despejam os frutos colhidos em um caminhão que se desloca paralelamente. Entre as nogueiras, um vibrador com braços mecânicos agarra o tronco da árvore e sacode as nozes, que caem no chão para serem recolhidas.
Guianina Parra, engenheira agrônoma da AgroReservas de Chile, explica: “A noz precisa ter um bom miolo. … Precisa ter um bom diâmetro para poder ser comercializada. E precisamos que a casca esteja limpa e sem qualquer tipo de imperfeição.”
Ao começar o dia, Arias diz que se concentra na eficácia e na excelência operacional. Mas, uma vez que tudo está funcionando, ele consegue reservar um tempo para apreciar a beleza e a poesia de tudo aquilo: o vento sussurrando entre as folhas e os galhos, a simetria das longas fileiras, o verde vibrante dos frutos da oliveira.
Ao verificar as oliveiras com o gerente da fazenda, Arias percebe que algumas azeitonas estão maduras, enquanto outras estão completamente verdes, o que indica um problema causado pela insuficiência de água. O Chile enfrenta uma seca com ondas de calor vindas do norte para o sul. A AgroReservas de Chile está analisando seu consumo de água e os efeitos da seca, buscando maneiras de se adaptar.
“Tudo o que fazemos, fazemos pensando no futuro”, disse ele.
Arias cresceu no Chile, onde seus avós trabalhavam na lavoura. Sua mãe o incentivou a buscar o máximo de educação possível.
“Meus pais e avós não tiveram a oportunidade de receberem educação formal. Já que eu tenho essa oportunidade, sinto a responsabilidade de buscá-la”, disse Arias.
Após se formar em Engenharia, ele começou a trabalhar na AgroReservas de Chile como engenheiro. Imediatamente, a empresa lhe deu a oportunidade de liderar equipes e cuidar de grandes projetos, contou. Ele se sentiu humilde e queria provar que era capaz e que sabia o que estava fazendo.
Em seguida, a empresa pediu que ele fosse aos Estados Unidos para fazer um MBA. Ele levou sua família e também concluiu um mestrado em Análise de Negócios antes de retornar ao Chile.
Arias vê um elemento espiritual em seu trabalho. “Não se trata apenas de fazermos um bom trabalho: é algo superior. É algo mais elevado.” Ele vê o crescimento intelectual como associado ao crescimento espiritual. Estudar os atributos de Deus e de Jesus Cristo o fez perceber que Eles sabem tudo sobre tudo.
“Eles são os melhores engenheiros, os melhores agrônomos”, disse ele. “Então, para mim, faz sentido que, se eu precisar de ajuda, eu precise recorrer à fonte infinita de sabedoria e conhecimento. E eles estão à porta de braços abertos. Eles me conhecem pelo nome.”
“Eles cuidam de mim. E querem me ajudar. Então o aprendizado tem sido constante.”
Agora, Arias se matriculou em um programa de doutorado, em parte porque quer continuar aprendendo, mas também para ser um exemplo para seus quatro filhos.
“Não faz o menor sentido eu ser o gerente geral de uma grande empresa”, disse Arias. “Sou apenas um garoto do sul do país. Meus pais não fizeram faculdade. Meu avô materno não sabe ler nem escrever. Sou eternamente grato por essa semente que minha mãe plantou em meu coração sobre a importância da educação.”
E cada grama de conhecimento que os funcionários da AgroReservas de Chile desenvolvem, eles sabem que será útil no futuro.
Tudo se resume às pessoas
Ao refletir sobre o sucesso da AgReserves e da Farmland Reserve, Rose destaca que o que diferencia essas empresas no setor são as pessoas e o propósito: “Não cultivamos apenas alimentos; também desenvolvemos pessoas. ”
Tudo se resume às pessoas: as pessoas certas, com os valores, a experiência e o conhecimento certos.
Rose diz que se sente humilde em relação ao seu trabalho, pela grande parte do que lhe é pedido fazer, mas que está à altura da tarefa quando confia em Jesus Cristo. “Cultivar alimentos, alimentar o mundo, é um empreendimento nobre, e fazer parte disto é realmente especial.”






