Jared Stewart, membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e autista, afirmou que a decisão da Igreja de criar especialistas em pessoas com deficiência nas alas e estacas é “o passo mais importante dado para tentar atender às necessidades dos membros com diferenças físicas, mentais ou neurológicas.”
Embora o chamado tenha sido adicionado ao Manual Geral da Igreja em 2010, apenas 4% das alas e 14% das estacas têm, atualmente, um especialista designado, de acordo com Katie Edna Steed, gerente de especialistas em pessoas com deficiência da Igreja.
“A deficiência faz parte da experiência humana e não é algo que precisamos esconder”, disse Steed em um episódio do podcast do Church News [em inglês]. “Não é um tabu. É simplesmente uma questão da experiência humana e mortal, e podemos acolher e apoiar.”

Contatar e utilizar os serviços de um especialista é uma maneira pela qual as alas e estacas podem acolher e apoiar os membros com deficiência e suas famílias, além de se beneficiarem dos pontos fortes únicos desses membros. De acordo com o Manual Geral, um especialista em pessoas com deficiência “ajuda os membros com deficiência e seus cuidadores a participarem das reuniões e atividades da Igreja e a se sentirem incluídos.”
Ministrar e aconselhar
Steed explicou que este chamado começa com a ministração: conhecer as famílias e os indivíduos. Os especialistas podem perguntar aos membros com deficiência e aos seus cuidadores o que eles desejam que a ala saiba sobre eles e suas necessidades, e demonstrar um interesse genuíno por suas vidas.
“Mesmo que possamos simplesmente dizer: ‘Sua família enfrenta muitas dificuldades e nós vemos vocês e os amamos’, mesmo que isso comece por aí, acho que já pode significar muito para essas famílias”, disse Steed.
A síster Kim Ward, missionária de serviço que serve como especialista em pessoas com deficiência na ala e trabalha com Steed no departamento de Serviços para Pessoas com Deficiência da Igreja, disse que teria adorado ter alguém com esse chamado quando seu filho com deficiência era mais novo.

“Quando você é pai ou mãe de uma criança com deficiência, ou um membro da Igreja com deficiência, pode ser muito solitário”, disse a síster Ward, recordando ocasiões em que precisou sair da Igreja mais cedo, porque seu filho estava tendo um dia difícil. Ela disse que gostaria de ter tido o apoio que hoje oferece a outras famílias.
A síster Anna Rast, especialista em pessoas com deficiência da estaca e companheira missionária da síster Ward, explicou: “O que ajuda as pessoas com deficiência é a conscientização, a familiaridade com elas, o simples fato de conhecê-las, de serem seu amigo.”
Stewart disse que os membros podem procurar um equilíbrio entre presumir que todos os membros da Igreja são iguais e enxergar as pessoas apenas por suas deficiências.

“Encontrar esse equilíbrio não é fácil, mas se as pessoas perguntarem às famílias e aos indivíduos o que seria útil em seu caso específico, as soluções não são tão complicadas quanto costumam parecer.”
Steed se lembrou de como a especialista em pessoas com deficiência de sua ala lhe perguntou como poderiam tornar a atividade de Natal da ala mais acolhedora para o filho deficiente de Steed. Ela disse à especialista que seu filho adoraria se alguém dedicasse alguns minutos para conversar com ele sobre Star Wars.
Steed disse que a especialista não só o fez, como também convidou vários membros da ala para conversarem com seu filho sobre Star Wars.
“Foi algo enorme”, disse Steed. “Significou muito para a nossa família e, com certeza, significou muito para meu filho.”

Defender
Depois que estes especialistas conhecerem os membros com deficiência e seus cuidadores, Steed disse que eles devem dar voz a essas pessoas, o que pode ser feito por meio de aconselhamento com líderes da ala ou estaca, levando as necessidades dos membros à sua atenção.
Steed explicou que as pessoas com deficiência e suas famílias já podem se sentir sobrecarregadas e exaustas, e que se reunir com líderes da Igreja para discutir suas necessidades pode ser apenas mais uma tarefa a cumprir. Um especialista em pessoas com deficiência pode ajudar a aliviar esse fardo.

“Esta é uma ótima maneira de tentar ser como Cristo, ajudar as outras pessoas a perceberem as necessidades uns dos outros e fazerem isso de uma forma que possa aliviar fardos, consolar as pessoas e fazê-las se sentirem vistas”, disse Steed.
Tanto a síster Ward quanto a síster Rast ministraram treinamentos para conselhos de ala e de estaca sobre maneiras de apoiar membros com deficiência.
A síster Ward disse que existem muitas maneiras pelas quais os membros da ala e da estaca podem ministrar a pessoas com deficiência e suas famílias, e descreveu os especialistas como a “cola” ou o “intermediário”, que ajuda os membros a estarem cientes das possíveis adaptações.

A síster Rast e a síster Ward listaram diversas maneiras pelas quais elas e outros especialistas em pessoas com deficiência têm ajudado membros com deficiência, providenciando adaptações para as conferências “Para o Vigor da Juventude” [FSY], configurando links de transmissão ao vivo para as reuniões sacramentais e aulas do segundo horário, identificando maneiras de tornar as capelas mais acessíveis e preparando salas sensoriais adaptadas na Igreja.
Na congregação da síster Ward, ela conheceu recentemente um menino com deficiência que passará da Primária para os Rapazes este ano. Depois de conhecê-lo e a sua família, a síster Ward sugeriu aos pais do menino que se reunissem com o membro do bispado responsável pelo quórum de diáconos, para se aconselharem sobre como o menino poderia ser bem recebido nos Rapazes.
Durante a reunião, eles discutiram a possibilidade de um consultor adicional para o quórum de diáconos ser chamado, especificamente para auxiliar este rapaz durante as aulas, bem como em atividades que pudessem ajudá-lo a se sentir incluído no quórum.
A síster Rast e a síster Ward também moderam uma página no Facebook [em inglês] para especialistas em pessoas com deficiência e outras interessadas em discutir assuntos ou dicas úteis relacionados ao chamado.

O corpo de Cristo
A síster Rast explicou que parte do chamado dos especialistas é zelar pelo desenvolvimento espiritual dos membros com deficiência, o que inclui ajudá-los a servirem em chamados apropriados.
“Acreditamos que, não só devemos servir e liderar aqueles com deficiência e outras dificuldades, sejam elas quais forem, como também ensiná-los a nos servir e nos liderar.”

Katie Edna Steed disse que os membros da Igreja devem ser humildes o suficiente para reconhecerem “a força que vem das diferenças que trazemos à mesa.”
“Tenho a humildade de reconhecer que, por você ser diferente de mim, provavelmente posso aprender muito ao entender as coisas através de sua perspectiva e sua visão de mundo.”
Ela ainda fez referência a 1 Coríntios 12, que afirma que cada parte do corpo de Cristo, ou cada membro de Sua Igreja, tem um propósito.
“O corpo de Cristo precisa de todos, e nem todos são como você nem como seu filho, e tudo bem. Na verdade, todos nós precisamos uns dos outros para nos tornarmos como nosso Salvador, Jesus Cristo.”

Jared Stewart concordou com essa opinião.
“Este desejo de estarmos unidos não significa que todos precisemos ser iguais”, disse ele. “Os seguidores de Cristo não são todos iguais na aparência ou no jeito de falar. Deus nos criou com uma variedade quase infinita, e é nossa responsabilidade, como membros, amar o nosso próximo como a nós mesmos e demonstrar misericórdia, longanimidade, paciência e caridade uns para com os outros.”
Recursos
Os interessados em saber mais sobre os especialistas em pessoas com deficiência da estaca e da ala podem encontrar informações na seção 38.8.27.9 do Manual Geral da Igreja e na seção Especialistas em pessoas com deficiência, em “Chamados adicionais”, na Biblioteca do Evangelho. Eles também podem consultar os recursos disponíveis na seção “Deficiências” da Biblioteca do Evangelho.
Steed mencionou especificamente uma série de 10 vídeos produzida pela Universidade Brigham Young que destaca estratégias para o ensino de crianças com deficiência.
“Mas posso dizer que um bom ensino é um bom ensino, então ele é bom para todos”, disse ela.

