Com o ano de 2026 marcando o 250º aniversário da assinatura da Declaração de Independência dos Estados Unidos, os líderes de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias enfatizaram a importância de se ter e preservar a liberdade de crença e prática religiosa em todo o mundo.
“Em nenhum momento devemos nos acomodar nos Estados Unidos, pensando que já resolvemos a questão da liberdade religiosa”, disse Spencer McBride, historiador do Departamento de História da Igreja. “Ainda há trabalho a ser feito.”
McBride, que trabalhou em projetos como os Documentos de Joseph Smith, discutiu a importância da liberdade religiosa no período que antecedeu a Restauração do Evangelho de Jesus Cristo em um podcast do Church News [em inglês] que foi ao ar em 7 de julho.
Ele disse que a liberdade religiosa nos EUA se desenvolveu ao longo do tempo, assim como o processo da Restauração, e que a liberdade religiosa não começou nem terminou com o surgimento da nação.
Das ideias religiosas à realidade
Ideias religiosas inspiraram a formação dos Estados Unidos. No entanto, a Revolução “não foi uma guerra travada pela liberdade religiosa”, esclareceu McBride.
Antes da Revolução, os colonos experimentavam tolerância religiosa, mas não plena liberdade; por exemplo, eles ainda tinham que pagar impostos a uma igreja patrocinada pelo Estado, da qual não faziam parte.
As constituições estaduais permitiram maior liberdade religiosa após a Revolução, o que levou a um aumento na filiação e no número de membros em diversas igrejas e religiões.
“Quando se oferecem aos americanos mais opções de onde frequentarem uma igreja, de como adorarem e no que acreditarem, aumenta o número de pessoas que efetivamente praticam uma religião”, disse McBride.
Esses passos iniciais abriram caminho para a Declaração de Direitos, que foi ratificada em 1791, embora a plena liberdade religiosa só tenha sido reconhecida em 1833 em alguns estados.
McBride destacou o impacto de uma lei menos conhecida do século XVIII: a Linha de Proclamação de 1763, que proibia os colonos de se estabelecerem a oeste de uma linha ao longo das montanhas Apalaches e Adirondack.
Com a Revolução, a linha foi dissolvida e novos americanos começaram a migrar para o oeste, resultando em mudanças de crenças e no nervosismo cultural reacionário que provocou avivamentos religiosos e o cultivo do ambiente familiar em que Joseph Smith cresceu.
Ao considerar o contexto da Restauração, as três décadas que a antecederam foram fundamentais; sem outros movimentos religiosos e indivíduos em busca da verdade, a Igreja talvez não tivesse sido restaurada, disse McBride.
O Pai Celestial “pode fazer coisas tão milagrosas nessas pequenas mudanças graduais quanto nesses grandes e magníficos momentos”, observou ele.
‘Facilitar a adoração de outras pessoas’
A violência coletiva contra os primeiros membros da Igreja, e de outras denominações, ilustra a ausência de “liberdade religiosa universal”, disse McBride.
Em 1833, os santos foram expulsos do Condado de Jackson, Missouri; Joseph Smith reagiu indo ao Congresso, invocando a liberdade religiosa na Constituição e se candidatando à presidência.
Ele percebeu que a Declaração de Direitos protegia as pessoas da violação dos direitos do governo federal, mas não se aplicava aos estados individualmente. Ele também observou a importância da liberdade religiosa para todos, e não apenas para um grupo religioso.
Embora seus recursos não tenham sido bem-sucedidos, as ações de Joseph refletiram sua visão da nação.
Por exemplo, quando Joseph Smith era prefeito de Nauvoo, ele pagou as despesas de um padre católico necessitado para que ele pudesse atravessar o rio Mississippi e visitar um paroquiano que estava morrendo.
“Facilitar a adoração de outras pessoas não prejudica nossa fé”, disse McBride.
A história complexa da Igreja com os Estados Unidos revela as “complexidades do pluralismo religioso”, acrescentou ele, e como a liberdade religiosa é um processo, não um evento isolado.
Visão nacional
Para Joseph, a beleza da fundação dos Estados Unidos residia no que ela “trouxe para o plano maior de Deus para a redenção da humanidade”, disse McBride.
Embora as liberdades nos Estados Unidos tenham permitido que a Igreja crescesse, mesmo desde os seus primórdios, ela era uma Igreja global. Essas liberdades também vêm com responsabilidade [em inglês], disse McBride, citando o Presidente da Igreja, Dallin H. Oaks.
Em uma sociedade democrática, “somos responsáveis por nos informar, por compreender e por defender o que é certo.”
“Se o poder vem do povo, então nós também temos a responsabilidade.”
No contexto do recente jejum de 5 de julho pela liberdade religiosa, McBride observou que, desde o início da nação, os colonos foram solicitados por seus líderes a jejuarem pela liberdade.
“É apropriado, então, que nossos líderes da Igreja nos peçam que jejuemos e oremos em gratidão pelos direitos que temos, mas também para sabermos a melhor forma de protegê-los daqui para frente.”

