Em 2 de julho de 2022, Vanessa Duerson, seu marido, e seus três filhos arrumaram as malas e se mudaram de Utah para a Carolina do Sul.
Não havia emprego à sua espera. Não havia família à sua espera. Ela costuma se referir a essa mudança como uma jornada pelo “deserto”, que exigiu que sua família confiasse em Deus.
“Lemos nas escrituras, sobre Moisés [atravessando o Mar Vermelho] e sobre os filhos de Israel atravessando o Rio Jordão, que as bênçãos só chegam depois da prova de sua fé”, disse Duerson, refletindo sobre sua mudança de costa a costa no país. “Às vezes, realmente precisamos molhar os pés antes que as coisas se abram. Meu marido e eu sempre buscamos fazer isso.”
Para Duerson e seu marido, mudar-se para o outro lado do país foi um ato de fé. Eles acreditavam que era algo que Deus lhes pedia que fizessem, embora ainda não pudessem ver o resultado disso.

Três semanas após chegarem à Carolina do Sul, uma atualização em sua conta do Ancestry apareceu em seu celular, incentivando-a a explorar alguns dos novos recursos do site. Duerson começou a explorar o site e ficou surpresa ao notar um círculo de antepassados pairando sobre a região para a qual sua família havia acabado de se mudar.
“Poderíamos chamar isto de ponto de partida para a separação das águas”, disse ela.
Esta descoberta a motivou a mergulhar fundo na história de sua família. Ela logo começou a trabalhar na busca por raízes ancestrais profundas em toda a região da Carolina do Sul.
Duerson tem ascendência tanto caucasiana quanto afro-americana. Ao pesquisar sua família, ela começou a perceber a convergência dos dois lados de sua herança nas Carolinas.
Entre os antepassados de sua mãe, havia pessoas cujos nomes aparecem em registros da época da revolução, enquanto a família de seu pai incluía várias gerações de ex-escravos que viviam e trabalhavam na mesma região.
Em uma publicação no Facebook [em inglês], na página do Templo de Charlotte Carolina do Norte, Duerson explicou que a convergência destas duas histórias, por meio dela, é “sagrada e de desígnio divino.”

“Eu não pedi para estar no lugar onde elas convergem, mas um milagre me concedeu a bênção de estar aqui”, disse ela.
Nos últimos quatro anos, Duerson e sua família continuaram aprendendo sobre seus antepassados, visitando cemitérios e locais históricos e pesquisando registros.
Uma antepassada, em particular, era uma mulher chamada “Poll”, conforme um registro judicial da Carolina do Norte de 1845. Poll era a quinta bisavó de Duerson. Ela e outras nove pessoas foram citadas em uma disputa legal, referente à sua condição como escrava. O tribunal acabou ordenando que todas fossem vendidas em um leilão de escravos nos degraus do Tribunal do Condado de Cleveland, em Shelby, Carolina do Norte.
Nos degraus daquele tribunal, Poll foi separada de sua família e vendida.
Mais de 180 anos depois, Duerson se sentou naqueles mesmos degraus com seus filhos. Enquanto se lembrava de seus antepassados sendo separados, ela também pensou na Expiação de Jesus Cristo e na cura que Ele proporciona.
“Meu testemunho da Expiação foi fortalecido…”, disse ela. “Por meio do trabalho de história da família, ela proporciona cura entre gerações. … O que antes estava quebrado pode ser restaurado para a eternidade.”

Em julho de 2026, Duerson, com a ajuda de algumas moças, realizou ordenanças do templo para Poll, no Templo de Colúmbia Carolina do Sul [em inglês].
Duerson descreveu a experiência como muito alegre.
Seu trabalho no templo se tornou uma forma de se conectar com gerações de antepassados e participar da obra de Deus para levar Seus filhos de volta para casa.
Duerson frequentemente retorna a uma mensagem de Élder Patrick Kearon, do Quórum dos Doze Apóstolos, na conferência geral de abril de 2024, intitulada “Deus deseja levá-los para casa”. Ela se lembra especialmente da declaração de Élder Kearon, de que “Deus está numa busca incansável por vocês.”
“É claro que [Élder Kearon] estava se referindo à Expiação”, disse ela. “Mas acho que isso também se aplica a cada um de nós individualmente, e o Senhor está em uma busca incansável por cada um de nós. E eu tenho visto isso por meio dos templos e do trabalho de história da família.”
Duerson disse que Deus providencia maneiras para que as pessoas se ajudem mutuamente, tanto nesta vida quanto após a morte.
Seus três filhos também passaram a fazer parte deste trabalho.

Sempre que a família visita um cemitério ou local histórico ligado aos seus antepassados, Duerson leva os filhos consigo. Ela quer que eles encontrem alegria em pesquisar a história da família.
Ela disse que seus filhos “foram tocados pelo espírito de Elias.”
“O profeta Malaquias prometeu que Elias converteria o coração dos filhos aos pais e o coração dos pais aos filhos”, disse Duerson. “Eu não compreendia totalmente estes versículos até começar este trabalho. Não se trata apenas de história da família. Trata-se da família, no presente, para sempre.”
O que começou com uma mudança para um lugar desconhecido, do outro lado do país, se transformou em uma jornada para descobrir as origens da família de Duerson e ajudar a reunir gerações de uma família que antes havia sido separada à força.
Enquanto continua seu trabalho de pesquisa genealógica, Duerson disse que as bênçãos têm sido maiores do que ela poderia ter imaginado, se manifestando de maneiras que ela “mal consegue assimilar.”



