Conforme o time de futebol americano da Universidade Brigham Young subia no ranking dos 25 melhores times em 1984, cada vitória aproximava o improvável, até que o time foi nomeado campeão nacional.
Mas o “surpreendente time da BYU” nunca duvidou de seu potencial ou de sua busca, disse Lee Benson, colunista do Deseret News e ex-escritor esportivo, que testemunhou tudo da cabine de imprensa.
“Foi um momento mágico, e é isso que é divertido, olhar para trás e perceber o quão improvável tudo aquilo foi”, disse ele.
Seu colega, Dick Harmon, concordou: “Só de interagir com todos estes jogadores depois de todo esse tempo e refletir sobre as memórias é incrível.”
Quarenta anos se passaram desde que a BYU era incomparável, uma forasteira do Oeste desfrutando os espólios da pós-temporada, que tradicionalmente iam para programas poderosos, mas às vezes, parece que foi ontem, disseram Benson e Harmon. Especialmente por causa dos paralelos que estão sendo feitos com o time de futebol americano dos Cougars deste ano e suas chances de ir até o fim.
Mesmo sem a atual temporada de 8 vitórias e 0 derrotas, prestar homenagem ao time de 1984 [em inglês] ainda seria apropriado, afinal, 40 anos é um marco e tanto.
“Penso que há um grande potencial, assim como havia naquela época, para a BYU mostrar ao mundo o que ela é”, disse Benson.

O que os jogadores disseram na época
“O futebol [americano] da BYU ascende de raízes humildes ao título nacional”, relatou o Church News em 13 de janeiro de 1985.
O artigo relembrou o início do programa de futebol americano, observando que levou oito anos para a BYU, na década de 1920, vencer o mesmo número de jogos (13) que o time de 1984 venceu em um ano.
David Mills, que liderou a BYU em recepções como tight end titular, foi citado dizendo: “Ninguém esperava muito deste time, exceto o próprio time.”
Era difícil colocar em palavras o que ele sentiu ao ganhar o título nacional. “É algo que nunca esquecerei. É algo para se orgulhar. Toda vez que penso sobre isso eu sorrio.”
Kelly Smith, que começou como tailback e recebeu o passe para o touchdown da vitória no Holiday Bowl, também foi citado no artigo. “Havia mais união neste time do que no passado. … Todo mundo queria vencer.”
Ele foi um dos 52 missionários retornados que jogavam no time, tendo servido em tempo integral na Missão Tampa Flórida. Após o Holiday Bowl, uma das famílias que ele batizou, lhe enviou uma carta agradecendo por servir uma missão e levar o evangelho para eles.
“Todos os touchdowns que você marca e coisas assim, não podem ser comparados ao fato de descobrir que uma família que você batizou em sua missão irá ao templo”, disse Smith.
Técnico LaVell Edwards
O Church News escreveu o seguinte em 25 de novembro de 1984: “Deixe que LaVell Edwards, um ex-bispo, mantenha a posição de número 1 de seu time de futebol em perspectiva.
“‘É como qualquer outra coisa boa que acontece com você', disse Edwards. ‘É outra experiência que não durará para sempre.’”
No meio daquela temporada, Edwards discursou durante a sessão do sacerdócio da conferência geral de outubro de 1984. Sua mensagem foi intitulada “Prepare-se para uma missão” [em inglês].
“Na minha carreira, muitas coisas maravilhosas aconteceram comigo, muito mais do que eu jamais sonhei que aconteceria”, disse Edwards. “Mas eu gostaria que vocês, jovens irmãos especialmente, soubessem que tudo o que aconteceu comigo na minha profissão escolhida é apenas uma gota no oceano, comparado às coisas verdadeiramente importantes da minha vida. O testemunho do evangelho de Jesus Cristo que tenho, junto com minha esposa e minha família, são minhas possessões mais importantes.”
Benson disse que uma das melhores partes de relembrar a temporada de 1984 foi lembrar de Edwards, que se aposentou após a temporada de 2000 e faleceu em 29 de dezembro de 2016 [em inglês], aos 86 anos.
“Ele tinha esta reputação. Ele delegava autoridade aos treinadores assistentes e os deixava fazer seu trabalho. … Essa era uma das coisas que o diferenciava”, disse Benson, acrescentando: “Nunca conheci uma pessoa mais genuína do que LaVell Edwards.”
Edwards disse a Benson que não tinha ideia do motivo pelo qual fora chamado para ser bispo de uma ala de estudantes da BYU, mas sentia que havia alguém que ele precisava estender a mão para fazer a diferença em sua vida.
Harmon disse que o legado de Edwards como treinador, inclui a orientação de muitos técnico e assistentes atuais no futebol americano universitário e na NFL.
Kalani Sitake, atual técnico da BYU, modelou toda a sua carreira profissional de treinador com base em Edwards, disse Harmon, pois ele quer estender a mão para as pessoas, não importa quem elas sejam.
“E agora uma das coisas que está alimentando esse time invicto... é este sentimento de irmandade e união, e isso é tudo culpa de Kalani, que foi um discípulo, por assim dizer, de LaVell Edwards”, disse Harmon.
Paralelos com a equipe atual da BYU
Nas últimas semanas, jornalistas esportivos nacionais têm escrito artigos sobre a temporada de 1984, relembrando-a e mencionando seu 40º aniversário, à medida que o atual time de futebol americano da BYU continua vencendo.
“Penso que as pessoas têm a sensação de que este é um momento emocionante e querem se envolver nele”, disse Harmon, apontando para os estádios lotados naquela época e agora, a BYU subindo no ranking e as conversas sobre a possibilidade de vencer o campeonato nacional.
A intensidade do calendário entre 1984 e hoje, às vezes é comparada, mas Harmon mencionou que o que está acontecendo nesta temporada é digno de nota porque os adversários que a BYU enfrenta semanalmente são mais difíceis do que antes.
Benson disse hoje que as dificuldades de se chegar ao primeiro lugar e superar todas as barreiras são semelhantes às de 1984, “então acho que esse é realmente um paralelo interessante.”\
A situação do quarterback também tem paralelos. Em 1984, Robbie Bosco era “uma mercadoria não comprovada”, disse Benson, e as pessoas pensaram o mesmo no começo desta temporada sobre Jake Retzlaff.
Muitas pessoas escreveram naquela época e escrevem agora sobre a BYU ser peculiar. Retzlaff é um judeu praticante em uma universidade cristã que está sendo destaque no país por essa situação única. Mas sempre há muito material para jornalistas esportivos, disse Benson, “porque [a BYU] não tem o mesmo programa padrão” que as outras.

O objetivo do futebol americano da BYU
Embora a adesão à conferência Big 12 [conferência de times de futebol americano universitário] tenha atraído mais atenção para os Cougars, Sitake e outros treinadores da BYU estão usando a missão religiosa da universidade como parte de suas propostas de recrutamento [em inglês], e enfatizando que a afiliação da BYU com A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é “uma vantagem competitiva”.
Presidente C. Shane Reese, presidente da BYU, escreveu no Instagram na segunda-feira, 28 de outubro [em inglês], sobre o quão emocionado ele estava em comemorar a sequência histórica da BYU de 8 vitórias e 0 derrotas nesta temporada, e o 9º lugar no ranking nacional, na pesquisa da Associated Press.
“É incrível ver o sucesso e a animação, mas é ainda mais inspirador testemunhar a dedicação que nossos atletas e treinadores têm à nossa missão maior. Nossa equipe compete não apenas pela vitória em campo, mas para defender os valores que definem a BYU: integridade, fé e serviço”, disse o presidente Reese.
Este ano, o time de futebol americano tem orientado os alunos da BYU-Pathway Worldwide na África. Ex-alunos e fãs da BYU realizam eventos com projetos de serviço [em inglês] em todos os jogos fora de casa. Os atletas e estudantes realizam serões nas cidades para onde viajam, e falam sobre sua fé, tanto on-line quanto presencialmente.
A fé também foi uma parte importante do time de 1984. Bosco não era um santo dos últimos dias quando chegou à BYU, mas depois se filiou à Igreja. Um receiver daquele time, Mark Bellini [em inglês], leu o Livro de Mórmon, recebeu um testemunho do evangelho e decidiu se filiar à Igreja.
Muitos outros atletas também se filiaram à Igreja enquanto estavam na BYU, disse Harmon.
“Você poderia continuar falando sobre as vidas que foram mudadas por estarem na presença de outros portadores do sacerdócio em sua equipe, ex-missionários e treinadores dedicados à Igreja, [que] os amaram e foram gentis com eles e abriram a porta”, disse Harmon, acrescentando: ‘Acho que isto transformou, não apenas a vida deles, mas agora eles saíram e tocaram tantas outras vidas.”
No final, Benson disse que não importa quem vence: “O Pai Celestial não está avaliando quem deve ganhar esses jogos de futebol.”
Embora haja um grande potencial para que a BYU seja uma força para o bem no mundo, há também o potencial de que ela possa ser uma força que não seja positiva. Por isso, ele convidou todos a manterem os esportes em equilíbrio.
“Eu não teria tido essa atitude há 40 anos... mas agora tenho um pouco mais de perspectiva e penso que não importa muito quem ganha ou quem perde”, disse Benson. “O que importa é como você joga o jogo e como você se porta.”
Veja a seguir, outras fotos do campeonato de 1984.


