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Ronald K. Esplin, Historiador da Igreja: Uma profecia de 1844 e um templo em Cobán, Guatemala

A ‘última proclamação’ de Joseph Smith prenunciou um crescimento expressivo na América Latina, explica Ronald K. Esplin, historiador da Igreja.

Disponível em:Inglês | Espanhol

Em 8 de abril de 1844, o último dia da última conferência geral de Joseph Smith, ele pediu desculpas por não discursar, devido à fraqueza dos pulmões. Após proferir um longo discurso doutrinário para um grande número de ouvintes ao ar livre em Nauvoo, Illinois na tarde anterior, ele estava exausto. Mesmo assim, anunciou: “Tenho uma proclamação” relacionada a Sião.

Embora simples e direta, sua proclamação, que ele também chamou de “importante e grandiosa revelação”, prenunciava possibilidades futuras de expansão: “‘Toda a América do Norte e do Sul são Sião. O monte da casa do Senhor está no centro da América do Norte e do Sul.”

Ele enfatizou que, terminar o Templo de Nauvoo era a primeira responsabilidade dos santos, mas então, investidos de poder do alto, os élderes deveriam “construir estacas em toda a América do Norte e do Sul”, isso em uma época em que a Estaca Nauvoo era a única estaca de Sião em funcionamento.

Para Brigham Young, essa nova visão do escopo da Restauração foi uma “combinação” perfeita [em inglês], provando que o Profeta era verdadeiro e o sacerdócio adequado para todos os homens e mulheres.

Embora os santos em Nauvoo tenham concluído o templo menos de dois anos depois, a iminente jornada para o Oeste exigiu toda a sua atenção e recursos.

Membros da Igreja se dirigem às portas frontais do templo para a dedicação do Templo de Cobán Guatemala em Cobán, Guatemala, domingo, 9 de junho de 2024.
Membros da Igreja se dirigem às portas de entrada para a dedicação do Templo de Cobán Guatemala no domingo, 9 de junho de 2024. | Brian Nicholson, for the Deseret News

No oeste, a Igreja iniciou outro templo impressionante que atrairia santos de terras distantes para aquela estaca de Sião.

Em meio ao confronto com o governo federal, seguido por décadas de pressão que complicaram o alcance das terras ao sul dos E.U.A., Presidente Young e seus associados se lembraram da última proclamação de Joseph: as estacas de Sião seriam estabelecidas em toda a América do Norte e do Sul.

Além disso, Presidente Young acrescentou sua própria visão de templos espalhados pela terra, uma visão, como a de Joseph, que sua geração ajudou a preparar, mas não viveu para ver realizada.

Em nossos dias, vemos sua visão se concretizar de forma dramática.

Em El Salvador, país da América Central e ainda menor que seus vizinhos relativamente pequenos, há hoje mais santos dos últimos dias e mais estacas do que em toda a Igreja quando Brigham Young morreu em 1877.

Juntos, os vários países da América Central agora têm cerca de sete vezes mais santos dos últimos dias do que quando Presidente Young presidiu a Igreja.

A América Latina, de modo geral México, América Central e América do Sul, tem mais de 50 vezes mais santos dos últimos dias do que havia na Igreja em 1877.

Com muitos outros, tive o privilégio de servir em alguns desses países quando a Igreja estava iniciando sua obra ali.

Testemunhei famílias abraçando o evangelho restaurado de Jesus Cristo em toda a América Central, quando havia apenas 47 ramos espalhados por seis países, quase todos se reunindo em prédios alugados.

Hoje, há estacas e templos, quatro vezes mais templos do que capelas construídas para este propósito em 1965, quando servi.

Tenho observado, com satisfação, como a influência da Restauração alcança cada vez mais famílias nas áreas que Joseph proclamou em 1844, como parte da Sião profetizada.

Entretanto, nada me fez compreender o poder e o alcance da Restauração em “toda a América do Norte e do Sul” de forma tão dramática, quanto ler sobre a dedicação de um templo na cidade montanhosa de Cobán [em inglês], no norte da Guatemala.

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Em 1965, Cobán era talvez o mais remoto e isolado dos 47 ramos da Missão Centro-Americana. Minha designação no escritório da missão era ajudar a supervisionar os ramos espalhados por seis países.

Dezenas de ramos e milhares de membros estavam localizados em cidades onde membros e missionários trabalhavam juntos em organizações prósperas, compostas por líderes locais que, esperávamos, logo se tornariam alas e estacas.

Cobán não era um deles. Aquele pequeno ramo de santos dos últimos dias, fruto de esforços missionários anteriores, funcionava sozinho, com contato mínimo com a missão e sem missionários servindo lá no verão de 1965.

Minha última designação como assistente do presidente da missão na Guatemala, antes de deixar o país para ajudar a estabelecer uma nova casa da missão em San José, Costa Rica, foi uma viagem para aquela cidade no alto e fria, em comparação à maioria das áreas da Guatemala, nas montanhas da “região indígena” do país.

Localizada nas montanhas, a várias horas de ônibus ao norte da sede da missão na Cidade da Guatemala, Cobán estava aninhada em um vale cercado pela floresta tropical e paisagens exuberantes. Ainda guardo lembranças vívidas da minha única visita àquele lugar lindo e promissor, mas certamente não era o local para um templo.

Cobán era um ramo pequeno e isolado de uma pitoresca cidade colonial e indígena.

Não consigo entender por que fui enviado para lá em julho de 1965. Se havia algum assunto urgente que precisasse de atenção, minha memória e meu diário não contêm nenhum indício disso. Mais provavelmente, o presidente da missão, presidente Terryl Hansen, me enviou para tranquilizar os membros fiéis que, seguindo sozinhos e sem missionários designados para a cidade por mais de um ano, não haviam sido esquecidos.

Também não me lembro do porquê eu ter sido fui enviado sem um companheiro. Isso simplesmente não acontecia. Mas, de alguma forma, naquele fim de semana fui enviado sozinho.

Uma quebra nas nuvens de chuva ilumina o Templo de Cobán Guatemala com sol em Cobán, Guatemala, sábado, 8 de junho de 2024.
Templo de Cobán Guatemala no sábado, 8 de junho de 2024, um dia antes de sua dedicação. | Brian Nicholson, for the Deseret News

Depois de ler com alegria e espanto sobre o Templo de Cobán Guatemala, peguei meu diário da missão para ler sobre o fim de semana em que fui o único missionário na cidade.

Fiquei impressionado com a cidade e seu povo, com o espírito e a força do pequeno ramo e daqueles que serviam e frequentavam lá.

O presidente da ramo, presidente Morales, um sapateiro, foi quem mais me impressionou. Todos eram pessoas boas. Eu também amava o povo da Cidade da Guatemala, onde previa grandes acontecimentos, mas os membros daquele pequeno ramo e a comunidade ao redor me impressionaram profundamente. Eu pressenti uma promessa e um potencial futuros.

Tenho certeza de que, ao retornar à sede da missão, incentivei o presidente Hansen, que permaneceria liderando na Cidade da Guatemala, a enviar os missionários de volta a Cobán o mais breve possível. A iminente divisão da missão designou 61 missionários para servirem nos quatro países do sul: Honduras, Costa Rica, Nicarágua e Panamá, da nova Missão San José Costa Rica, restando menos de 100 para Guatemala e El Salvador.

Certamente, à medida que a missão sediada na Cidade da Guatemala foi crescendo, missionários foram enviados novamente para Cobán, e hoje vemos os resultados disso.

Aquele fim de semana frio de verão, entre um povo especial nas montanhas da Guatemala, me deu um vislumbre, mas claramente apenas um vislumbre, da enorme promessa da cidade e de seu povo extraordinário.

O pequeno começo que observei em julho de 1965 forneceu uma base para a Igreja em Cobán se desenvolver em duas gerações, de um ramo pequeno e isolado, para várias estacas com uma sede de missão, uma das 19 onde tínhamos apenas uma, e um templo magnífico.

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Diário de missão de Ron Esplin

Aqui está meu registro de um fim de semana que nunca me esqueci [editado no estilo atual do Church News]:

Cobán, Guatemala | 17 de julho de 1965 • sábado

Hoje, a primeira evidência tangível da divisão da missão: depois de ver o quadro de fotos [dos missionários] sempre cheio por mais de dois anos, agora ele tem apenas 99 fotos. Noventa e nove ficam e 61 saem; minha foto não está mais lá. Isso é meio engraçado.

Esta noite estou sozinho em uma cidade pequena e pitoresca chamada Cobán.... Um táxi me deixou na pensão La Monja Blanca. No começo, fiquei em dúvida, mas agora estou confortável e não tenho do que reclamar da comida.

Depois de deixar minha mala, continuei pela rua, por sorte, quase direto para a capela. Bati sem muita esperança de encontrar alguém lá. Felizmente, meia dúzia de jovens estavam lá reunidos para a Primária, então logo consegui um guia [que me levasse] à casa do presidente do ramo. Fiquei muito impressionado com o ramo e a capela. Nenhum missionário havia estado em Cobán por mais de um ano; ninguém da Igreja os visitou por mais de três meses; eles têm 100 membros registrados. A sensação, a atmosfera, é impressionante. Bem cuidada e pintada, a capela mal precisava das belas flores. Pareciam ser da semana passada, mas ainda estavam frescas no clima frio de Cobán. Há uma diferença real entre estar em uma pequena cidade no calor do deserto, e estar em uma vila fresca no topo das montanhas, cercada por árvores e selva. Uma não é lamanita, a outra é; uma parece um castigo, a outra um desafio e uma realização. Quatro horas atrás eu era um desconhecido. Agora me sinto confortável.

Cobán, Guatemala | 18 de julho de 1965 • domingo

A capela estava repleta de flores frescas esta manhã, muito bonitas. Cerca de 25 pessoas estavam presentes, mas apenas um portador do sacerdócio, além do presidente do ramo. Logo após o início da reunião, dois homens vestindo terno se sentaram no fundo, e eu pensei: pelo menos alguns homens. Acabou que eles eram ministros da Igreja do Nazareno. O programa foi bom; cinco mulheres oradoras apresentaram o tema. Sob a direção de uma menina de 12 anos, que aparentemente faz a maior parte do trabalho da Primária, as crianças apresentaram um número. Existe uma diferença entre ser um orador em uma reunião e ser o orador principal. A responsabilidade de deixar algo de valor certamente é multiplicada. Espero ter conseguido.

O presidente Morales é sapateiro, e aqui isso significa ser escravo de seu trabalho. Temos na Igreja aqui outros sapateiros, mas não conheço nenhum que trabalhe na Igreja como ele. Os membros de Cobán o respeitam muito. Duas coisas que o ramo vai melhorar, eles dizem, são ter professoras visitantes entre as irmãs e ter várias mulheres mais velhas ajudando na Primária.

Passei várias horas estudando algumas lições indígenas que recebi da Missão Navajo. Um bom material, mas estou certo de que pode ser melhor adaptado às nossas necessidades e desejos do que usado diretamente. Queria ter algumas semanas para trabalhar nisso como eu gostaria.

Cobán, Guatemala | 19 de julho de 1965 • segunda-feira

A última vez que dormi oito horas em uma noite deve ter sido há meses; então, duas boas noites de sono certamente foram bem recebidas. E a comida também estava boa: limpa e farta (US$ 3 pela hospedagem e comida por dia), então foram dois dias confortáveis. Mesmo assim, esta manhã meu propósito de vir havia sido cumprido; eu estava pronto para voltar às muitas outras coisas que preciso realizar.

Quando cheguei ao aeroporto de Cobán, disseram que minha reserva não tinha sido confirmada e, como eu não tinha feito o check-in no escritório da cidade, não estava na lista. Eles já tinham três passageiros a mais. Eu realmente me senti mal. Cheguei a me oferecer para pagar os US$ 3 que economizaria em hospedagem e alimentação para um dos moradores da cidade que pudesse ir amanhã, em vez de hoje. Sem sorte. Ainda não sei como ou por quê, mas depois que o avião chegou, escreveram meu nome no final da lista — os outros passageiros extras não puderam vir — e agora estou na Cidade da Guatemala. Sou muito grato por não ter perdido um dia sequer.

O presidente Morales me mostrou um pouco de Cobán esta manhã. Os indígenas de lá usavam roupas mais leves do que vários grupos de pessoas nas regiões tropicais. Parecia que eles faziam tudo ao contrário. À tarde, Cobán quase flutua com toda a chuva; mas ao entardecer, um sol quente ilumina um paraíso verde: tudo, de pinheiros a palmeiras. Belas pastagens, belas montanhas, uma bela região. A monja blanca, a flor nacional da Guatemala, é nativa de Cobán. Cobán é famosa por suas réplicas de prata pura da monja blanca, e comprei algumas para os élderes do escritório e para mim.

— Ronald K. Esplin é um historiador de longa data de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

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