OGDEN, Utah — Por mais de um século, a capela do ramo para surdos de Ogden Valley tem sido um lar sagrado para os membros surdos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias da área.
No domingo, 27 de julho, santos dos últimos dias e amigos se reuniram mais uma vez na capela restaurada de 1917, muitos com lágrimas nos olhos e mãos levantadas em amor e testemunho.

O edifício histórico, a primeira capela da Igreja, e um dos primeiros edifícios nos Estados Unidos, projetado especificamente para pessoas surdas, foi recentemente reformado para um novo propósito.
Ele servirá como local de reunião para o Ramo Correcional Water Tower da Igreja [em inglês], oferecendo um santuário para aqueles que estão buscando reconstruir suas vidas após o encarceramento.
Antes que o próximo capítulo continue, este dia pertenceu à comunidade surda, cujos membros uma vez chamaram este edifício de seu.
‘Bem-vindos ao lar’, disse Doug Stringham, membro do Conselho de Acessibilidade de Linguagem de Sinais [em inglês] da Igreja, com as mãos emocionadas e expressivas na Língua Americana de Sinais. “Aqui era um lugar diferente de qualquer outra Igreja ouvinte que vocês pudessem encontrar.”
Emily Utt, curadora de locais históricos do Departamento de História da Igreja, disse: “Por mais de 80 anos, este lugar foi o lar da comunidade surda”.
Uma capela construída por e para surdos

Dedicada em 1917, a capela do Ramo Ogden Valley Deaf foi idealizada e defendida por Max Woodbury e Elsie M. Christiansen, membros da Igreja que trabalhavam a poucos quarteirões de distância, no departamento de Utah Schools for the Deaf and Blind [Escolas de Utah para Surdos e Cegos].
Após anos de petições e cartas, Presidente Joseph F. Smith e a liderança da Igreja aprovaram o projeto e o financiaram inteiramente com fundos gerais da Igreja, um ato raro em uma época em que os membros locais contribuíam para as construções.
O arquiteto Leslie S. Hodgson, conhecido por projetar importantes edifícios locais, como o Teatro Egípcio de Peery, trabalhou em estreita colaboração com líderes surdos para projetar uma capela onde a comunicação por meio da linguagem de sinais pudesse florescer.
Élder Jason C. Jensen, Setenta de Área e representante da linguagem de sinais no Conselho de Acessibilidade de Linguagem de Sinais da Igreja, presidiu a reunião e representou a presidência da Área Utah. Ele citou Doutrina e Convênios 90:11: “Todo homem ouvirá a plenitude do evangelho em sua própria língua e em seu próprio idioma.”
“Este edifício é uma manifestação desta visão e encargo proféticos”, testificou ele.
Bancos elevados, pisos inclinados, iluminação natural e amplas linhas de visão tornam este um espaço sagrado e acessível para a adoração de membros surdos.
Utt disse: “Desde a década de 1840, houve santos dos últimos dias surdos morando em Utah, mas eles sempre estiveram em um espaço emprestado. Nunca foi um lugar seu.”
Este edifício mudou isso.
‘Este é o nosso lar’
Durante décadas, santos dos últimos dias surdos vinham de todo o estado de Utah e outros estados, para adorarem neste edifício.
Cada unidade de surdos na Igreja hoje pode traçar suas raízes até este ramo, explicou Utt. “A primeira Primária para surdos, a primeira Escola Dominical para surdos, o primeiro concerto itinerante para surdos, o primeiro jantar para surdos.”
Élder Jensen explicou que agora há pouco mais de 25 unidades para surdos em toda a Igreja.
Gay Collins Bird, que chegou ao ramo ainda jovem, na década de 1950, se lembra de caminhar dos dormitórios da escola para surdos, até a capela para as reuniões da Primária, da Mutual e dominicais. “Tínhamos tantas atividades sociais”, disse ela. “Era a nossa vida.”
Mark Irwin, que serviu como presidente do ramo por 14 anos, explicou que o edifício guarda gerações de memórias.
“Assim que entrei, senti a história, o espírito”, disse ele, acrescentando que a história de sua comunidade está gravada neste edifício.
“Este é o nosso lar”, disse ele. “Sinto esta conexão familiar e próxima, de estarmos juntos, e de sabermos que somos todos iguais. Temos a mesma cultura, a mesma comunicação, a mesma linguagem. É simplesmente maravilhoso.”
Em 1999, o crescente ramo de surdos se mudou para uma capela maior e mais acessível. Como segundo conselheiro na presidência do ramo na época, Irwin dirigiu a última reunião no edifício sagrado.
“Entendíamos a necessidade de nos mudar”, disse Irwin. “Mas havia muita tristeza, muitas lágrimas, ao sentirmos a perda deste edifício. Aquele momento foi muito, muito difícil.”
Um novo capítulo do ministério
Desde 2001, o edifício atende a uma comunidade diferente: ex-presidiários, um lugar onde homens e mulheres que buscam renovação espiritual após a prisão podem se reunir, adorar e se curar.
Porém, em 2024 o edifício foi fechado para reformas muito necessárias.
Assim como a comunidade surda, os membros das unidades correcionais muitas vezes se sentem ignorados ou esquecidos. O presidente Charles Adams é o presidente do Ramo Correcional Water Tower. Ele e sua esposa, Diane Adams, testemunharam corações se abrandando e vidas se transformando naquela capela.
“Eles me chamam de ‘vovó’ ou ‘mãe’”, disse a irmã Adams. “Este é o único lugar onde eles são realmente amados e não julgados.”
‘Acesso a Jesus Cristo’
Luz natural, bancos elevados, campainhas iluminadas em vez de sinos. Cada detalhe foi pensado para facilitar o acesso, explicou Élder Jensen, se referindo a Marcos 2 no Novo Testamento. Ele descreveu quatro amigos que desceram um homem paralítico pelo telhado para alcançar o Salvador.
“Eles descobriram o telhado para darem acesso”, disse Élder Jensen. “Uma acessibilidade maior neste prédio é um símbolo desse acesso a Jesus Cristo. Este prédio é muito mais do que uma capela. É um santuário.”
Durante a reunião sacramental de domingo, a primeira reunião sacramental para surdos realizada na capela em 25 anos, mãos foram gesticuladas enquanto hinos eram cantados e lágrimas escorriam pelos rostos de idosos e jovens.
Darlene Cochran, uma santo dos últimos dias surda de terceira geração, se lembrou de ter aprendido a pagar o dízimo nesta capela com o presidente Woodbury, o primeiro líder do ramo, que serviu por mais de 50 anos. “Ele me ensinou sobre o evangelho. Nunca me esquecerei”, disse ela.
Ela quer que os santos dos últimos dias surdos, em todos os lugares, “sigam em frente, continuem aprendendo o evangelho.”
Um legado que continua
“A melhor história aqui é realmente sobre a comunidade”, disse Utt. “Todos nós queremos um lugar para pertencermos. Todos nós queremos encontrar um grupo de pessoas, um lugar que possamos chamar de lar.”
Conforme a comunidade surda continua a crescer e a adorar em novos espaços, e à medida que o ramo correcional entra em uma nova temporada de ministério, o espírito do edifício perdura, não apenas nos tijolos e na arquitetura, mas também nos corações, nas mãos e nas histórias.
O presidente Jimmy Adair, atual presidente do Ramo Ogden Valley (Língua de Sinais), permaneceu de pé, em silêncio, na capela onde entrou pela primeira vez aos 24 anos, em 1984, reconhecendo onde a comunidade surda dos santos dos últimos dias estava naquela época e agora.
“Em 1917, este foi o primeiro ramo para surdos do mundo”, disse ele. Hoje há alas de língua de sinais em Riverside, Califórnia; Mesa, Arizona; e Salt Lake City.
Olhando ao redor do espaço reformado, ele sorriu e disse: “Deus ama a todos.”
