Chan Yiu Wu, também conhecida como Yvonne Chan, está sentada na frente do computador em sua casa em Hong Kong, e segura uma foto sua do dia em que foi batizada como membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, há 11 anos.
Em seguida, ela mostra fotos de vários amigos quando foram batizados, amigos que, como ela, são surdos.
Em linguagem de sinais, ela conta ao Church News por que essas fotos de seus amigos são significativas para ela.
“Eles se sentiram inspirados sobre o evangelho de Jesus Cristo quando começaram a aprender, e também foram batizados”, disse ela durante uma entrevista pelo Zoom em fevereiro. “Os missionários não sabiam interpretar [a linguagem de sinais], então eu fui em frente e os ajudei. Sinto que é minha responsabilidade ajudá-los a aprenderem o evangelho.”

Como a Língua de Sinais Americana (American Sign Language – ASL) é a única língua de sinais atualmente oferecida pela Igreja, Chan aprendeu ASL além da Língua Chinesa de Sinais, seu idioma nativo, para entender melhor o evangelho de Jesus Cristo. Ela também criou recursos para permitir que outros chineses surdos aprendam o evangelho em sua própria língua.
“Eu amo servir os surdos”, disse Chan, uma mãe solo com dois filhos adolescentes e membro da Ala Aberdeen, Estaca Hong Kong China Victoria Harbour. “Eu sinto isso no meu coração, e quero ser capaz de levar este sentimento do meu coração e compartilhá-lo com outras pessoas. Eu amo servir.”
Encontrando o evangelho de Jesus Cristo
Chan disse que começou a se reunir com os missionários de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias depois que eles conversaram na rua com seu filho mais velho, que tinha então 4 anos. Os missionários deram ao seu filho um cartão com seu número de telefone.
Os missionários não sabiam a linguagem de sinais, então Chan aprendeu sobre o evangelho principalmente por meio de bilhetes escritos para eles em chinês. Um membro da Igreja sabia um pouco de linguagem de sinais e conseguia interpretar para ela. Ler o Livro de Mórmon em chinês a inspirou, e ela decidiu se filiar à Igreja em 2014. Seus filhos foram batizados quando cada um completou 8 anos de idade.
“Quanto mais aprendia, mais inspirada eu ficava”, disse Chan. “Todos os dias eu lia o Livro de Mórmon e me sentia mais inspirada a cada dia. Eu fazia perguntas aos missionários e sentia que as respostas estavam certas.”

Em 2015, Chan recebeu sua investidura no Templo de Hong Kong [em inglês]. “Eu me senti grata pelos dons que o Senhor me deu através disto”, disse Chan sobre receber sua investidura. Embora ela não entendesse muito, “eu sabia que era Sua casa, a casa do Senhor.”
Frequentar o templo despertou nela o desejo de aprender a Língua Americana de Sinais, porque as ordenanças do templo estão disponíveis em ASL e não em sua língua nativa de sinais.
Ela orou para encontrar alguém que soubesse ASL e pudesse ensiná-la.
Aprofundando no evangelho através da ASL
Cerca de dois anos atrás, Chan encontrou por acaso informações sobre uma classe de religião para adultos [em inglês], oferecida pela Igreja em ASL. Ela prontamente se inscreveu para a classe on-line.
“Estudar as escrituras foi muito difícil para mim, e eu precisava de alguém para me explicar as coisas”, disse Chan sobre sua motivação para se registrar na classe. “Fiquei muito feliz quando a encontrei, porque me ajudou a aprender muito. Eu estava procurando por um longo tempo. Isso tem sido extremamente benéfico para mim.”

Pouco depois de Chan entrar para a turma, ela foi apresentada a Kayleen Pugh, uma supervisora de ensino de ASL no Seminário e professora do Instituto, que estava disposta a lhe ensinar ASL.
Apesar de viverem a mais de 13.500 quilômetros de distância, Chan e Pugh rapidamente se tornaram amigas. Elas se reuniram quase todas as semanas desde então, por meio de videoconferência.
“Eu realmente gostei de trabalhar com ela”, disse Pugh, que é surda e mora em Marietta, estado da Geórgia. “Ela aprende rápido, é muito motivada e apaixonada, e realmente quer compartilhar o evangelho com outras pessoas.”

Chan já havia aprendido o alfabeto ASL e sabia escrever em inglês, mas conhecia apenas alguns poucos sinais em ASL. Ela escrevia palavras desconhecidas que aprendia na classe do Instituto, e Pugh usava gestos para explicar as palavras e mostrar como gesticulá-las em ASL. Chan continua aprendendo 10 novos sinais a cada semana.
Pugh relembrou: “Lembro-me de quando nos conhecemos, havia muitos gestos e expressões faciais que usávamos, até que ela começou a aprender mais ASL. Ela melhorou muito. E agora ela consegue se comunicar muito bem.”
Chan disse que aprender ASL a ajudou a entender melhor o evangelho e as escrituras, assim como ter experiências mais significativas na casa do Senhor.
“Agora que sei ASL, posso entender melhor as ordenanças do templo”, disse ela.
Levando outras pessoas ao evangelho
Aprender ASL também inspirou Chan a criar recursos para ajudar outros chineses e surdos a aprenderem sobre o evangelho. Chan explicou que algumas palavras religiosas foram perdidas na Língua Chinesa de Sinais porque não são praticadas com frequência, então alguns conceitos religiosos podem ser difíceis de entender, tais como igreja e batismo.
Um recurso que ela criou é um livreto de sinais relacionados ao evangelho na Língua Chinesa de Sinais, e como eles se relacionam com os sinais da ASL. Chan também fez vídeos dela mesma demonstrando sinais em ASL para o vocabulário do evangelho com legendas em inglês e chinês.

Os esforços de Chan levaram vários de seus amigos surdos ao evangelho de Jesus Cristo. Ela também compartilhou esses recursos com missionários e membros, para ajudá-los a aprenderem ASL.
Pugh acrescentou: “Ela também tem amigos surdos em outros lugares, como Filipinas, Taiwan e Coreia, e compartilhou o evangelho com eles, assim como em sua cidade natal.”
Chan disse que deseja ajudar pessoas surdas porque “isso é algo que o Salvador faria. “... [Sei] que uma das minhas responsabilidades é ajudar outras pessoas a aprenderem o evangelho.” Conforme aprende mais informações, ela consegue compartilhá-las com outros, ensinando-os e ajudando-os. …
“Deus ama Seus filhos e Ele quer que eu seja ativa em Sua obra, compartilhando o evangelho e compartilhando que ele é uma mensagem feliz”, continuou ela. “Deus ama a todos nós. O evangelho de Jesus Cristo pode nos fazer felizes.”
‘O poder de uma pessoa’
Chan costumava ser a única santo dos últimos dias surda em sua área de Hong Kong, mas agora há vários membros surdos que se reúnem com frequência.
Rick E. Jensen, coordenador e consultor de ASL da Igreja na América do Norte, disse que Chan é “uma pioneira moderna”. Ele conheceu Chan quando ela se matriculou na aula de religião em ASL para adultos, e a apresentou a Pugh.
Jensen disse que, assim como seus antepassados pioneiros, Chan reconheceu a verdade e a seguiu. “Ela se sentiu inspirada, sabia que era verdade e teve fé para seguir adiante. Foi preciso muita fé e ações de sua parte, mas por causa de sua disposição de se envolver e seguir essa fé, ela está abençoando a vida de muitas outras pessoas.
“E vemos o mesmo com nossos relatos históricos da Igreja. Ela é uma história da Igreja moderna”, disse ele.
Élder Peter M. Johnson, Setenta Autoridade Geral que serve como presidente do Conselho de Acessibilidade de ASL da Igreja, descreveu a história de Chan como “o poder de uma pessoa que compartilha o evangelho em sua própria língua e cultura.”
Ele acrescentou: “Cada um de nós pode ser aquele que pode fazer uma diferença eterna na vida de outras pessoas. Por favor, seja essa pessoa usando seu idioma, sua cultura e os dons que o Senhor lhe concedeu.”

