ALTADENA, Califórnia — Mike e Susan Christensen voltaram ao local de sua casa incendiada, algumas vezes nas últimas seis semanas. Cada vez eles encontram algo novo, e cada pequena coisa parece uma vitória.
“Encontramos uma das cerâmicas da nossa filha mais nova, e é perfeito porque cerâmicas suportam o fogo muito bem”, disse Mike Christensen, sorrindo.
Mas o casal também se lembra de outras coisas que queimaram completamente, como todas as colchas feitas à mão por Susan Christensen, seu vestido de noiva e o diário da missão de Mike Christensen.
Eles pensam em todas as coisas que deixaram para trás na evacuação de 7 de janeiro, quando o incêndio de Eaton começou perto de um cânion em terras florestais do governo. E eles pensaram que voltariam, como em outras ocasiões no passado.
Mas ventos fortes e condições secas fizeram o fogo se espalhar por Altadena e Pasadena, Califórnia, danificando ou destruindo mais de 9.000 estruturas nestes subúrbios, ao norte de Los Angeles.
No mesmo dia, o incêndio de Palisades começou a oeste de Los Angeles, danificando ou destruindo mais de 6.800 estruturas em Pacific Palisades e partes de Malibu.
Casas, lojas, escolas, bancos, igrejas e muito mais foram queimados. Estas comunidades tinham raízes há muito estabelecidas, e os moradores estavam orgulhosos de suas histórias. O Corpo de Engenharia do Exército dos E.U.A. começou a limpar os destroços em 11 de fevereiro, e os líderes do governo explicaram [em inglês] que diferentes fases da limpeza estão acontecendo simultaneamente.
Susan Christensen disse que eles sabiam no início de 8 de janeiro, que sua casa tinha sido destruída, mas não a viram queimar, então ela não tem essas imagens gravadas em sua mente. “Então, quando chegamos aqui, foi realmente como estar em cima de um túmulo. Ela simplesmente já tinha desaparecido.”
Ao redor da casa dos Christensens, há outras casas queimadas com apenas as chaminés de tijolos saindo dos escombros cinza e pretos. Os Christensens apontaram seu cofre à prova de fogo, onde seus papéis importantes foram preservados, e disseram que têm um bom seguro.
Logo após o incêndio, “sentimos que ficaríamos bem, e tenho me sentido assim desde então”, disse Mike Christensen. “É muito inconveniente, mas está dando tudo certo.”
Susan Christensen acrescentou: “Começamos a trabalhar imediatamente, ajudando outras pessoas que sabíamos que precisavam mais de ajuda do que nós. Temos outras pessoas com as quais nos preocupamos e, ainda hoje, cuidamos delas em vez de nós. Estamos bem, mas elas não estão tão bem, então esta tem sido a parte difícil.”
‘Ainda será nosso lar’
A grama está começando a crescer novamente no quintal queimado, ao redor da casa de Matthew e Wendy Garff, no bairro de Palisades. Voltando ao local no sábado, 22 de fevereiro, os Garffs apontaram, em uma área cinzenta, para latas enegrecidas de comida que faziam parte de seu armazenamento de alimentos. Em outro local, formas de metal retorcidas são tudo o que sobrou de seus eletrodomésticos.
Eles não têm certeza se seu cofre com documentos dentro sobreviveu às chamas; ele está em algum lugar sob os restos do que eram dois andares da casa. Matthew Garff sabe que todas as cartas que seu pai lhe escrevera em sua missão se foram. Ele as leu com frequência ao longo dos anos. Um telefonema difícil de fazer foi quando os Garffs contaram sobre o incêndio, a seu filho que está servindo missão.
Cinzas e entulho enchem quase todos os lotes residenciais por quarteirões e mais quarteirões. Matthew Garff reconheceu que é uma visão sombria. Wendy Garff disse que pode parecer difícil, mas, ao mesmo tempo, é bom estar de volta ao local. E eles sentem um impulso para permanecerem, para reconstruírem, para continuarem sua vida aqui, onde seus filhos cresceram.
Eles se sentem esperançosos. “Ainda será nosso lar”, ela disse.
Matthew Garff recentemente encontrou duas tigelas de cerâmica intactas nos escombros e esperava ter três, uma para cada um dos filhos. Mas então ele encontrou pedaços de uma tigela, e sua filha lhe disse que queria que aquela tigela fosse colada de volta, porque coisas que estão quebradas e remontadas são mais bonitas, disse ela.
“É um grande testemunho de tudo isso”, disse Matthew Garff. “Eu acredito que, um dia, esta comunidade será reconstruída e será linda.”
Wendy Garff sentiu por semanas que algo estava por vir. Ela nunca conseguia se livrar da ideia de que talvez, um dia, ela pudesse perder tudo. Mas, ao mesmo tempo, ela sentia que ficaria bem.
“O Pai Celestial nos preparou para isso de muitas maneiras diferentes”, disse ela.
Nos dias que antecederam o incêndio, ela organizou e limpou toda a casa e encheu a geladeira com comida para uma próxima atividade da Sociedade de Socorro.
Ela se perguntou a princípio por que havia passado todo aquele tempo limpando, só para ver sua casa queimar. “Mas sinto que ela foi santificada de alguma forma. Sinto que a deixei em seu melhor estado e Deus sabe disso.”
Conectados uns aos outros
Mike Christensen serve no bispado da Ala Pasadena, na Estaca Pasadena Califórnia. Além das casas que queimaram, muitas outras famílias estão desabrigadas devido a vários níveis de danos em suas próprias casas ou bairros.
Susan Christensen disse que a ala se tornou ainda mais próxima por meio disso. “Estamos cercados por pessoas realmente boas, e isso fez nos sentirmos mais conectados uns aos outros. Dependemos muito uns dos outros.”
O bispo da Ala Pasadena, Darren R. Baker, falou sobre essa proximidade e a ministração que tem acontecido na ala. “Uma das coisas que aprendemos rapidamente foi que não há como a Igreja funcionar sem as contribuições de tantas pessoas.”
Quer alguém seja designado oficialmente a outra pessoa como irmão ou irmã ministradora, toda a ala está cuidando uns dos outros. “Estamos tentando imitar o Salvador na maneira como Ele faz isso.”
Sua esposa, Amanda Baker, também falou sobre isso enquanto eles se sentavam juntos na histórica capela de sua ala. Eles puderam retornar para casa recentemente.
“Há muitas provações que podem acontecer na vida das pessoas, onde você tenta ter empatia e ajudá-las”, disse ela, emocionada. “Estamos todos passando por isto juntos, então todos sabemos exatamente qual é a situação das pessoas, e podemos fazer exatamente o que Cristo quer que façamos, que é ter empatia, servir e ministrar, porque sabemos o que estamos todos passando juntos, e tem sido algo lindo.”
Confiando na fé e na oração
Os Garffs disseram que sempre que a Ala Pacific Palisades pode se reunir é uma oportunidade de cura, porque eles estão juntos novamente.
O bispo da Ala Pacific Palisades, Taylor G. Mammen, disse que os membros da ala estão lidando com a parte burocrática, fazendo telefonemas, acessando sites, agências e e-mails; encontrando apartamentos e os mobiliando; comprando roupas e suprimentos novos. As presidentes da Sociedade de Socorro da estaca e das alas e os coordenadores de serviço da estaca têm trabalhado constantemente para ajudar.
“O trabalho de ministração que as pessoas têm feito umas pelas outras tem sido incrível”, disse ele.
O bispo Mammen prevê que pode levar vários anos até que as coisas pareçam ter voltado ao normal.
“Não parece muito inspirador neste momento. Parece difícil. E levará muito tempo”, disse ele. “Ao mesmo tempo, ouvi membros expressarem mais fé do que eu esperava deles. ... As pessoas se sentem mais próximas do Espírito e do Salvador, porque nenhum de nós tem escolha, a não ser confiar na fé e na oração.”
Élder Mark A. Bragg, Setenta Autoridade Geral e presidente da Área América do Norte Oeste da Igreja, cresceu na região de Los Angeles, não muito longe do incêndio de Palisades. Ele disse que viu “um esforço incrível [das pessoas] para ministrarem umas às outras, e se ocuparem com o processo de limpeza e reconstrução.”
Os membros imediatamente tiveram uma visão de longo prazo e começaram a trabalhar nos passos que eram necessários para iniciarem a reconstrução, mesmo enquanto os incêndios queimavam, disse ele. Indivíduos e famílias têm um senso de urgência e estão trabalhando arduamente para garantirem que todos estejam recebendo a ajuda e os recursos de que precisam.
Eles estão avançando calmamente para obterem a ajuda que suas comunidades precisam: “Fiquei impressionado com a bondade.”
Élder Bragg também ficou impressionado com o quão bem as agências humanitárias se conectaram com as comunidades, e estão ajudando de maneiras significativas. E a Igreja está trabalhando de muitas maneiras para apoiar os esforços de recuperação.
Amor, generosidade e bondade
Christina Camiling, da Ala Pasadena, perdeu sua casa durante o incêndio de Eaton e também enfrentou a morte de seu marido em agosto de 2024. Ela tinha acabado de começar a tentar separar os pertences dele, que agora estão perdidos.
Mas Camiling disse ao Church News que ela tem conseguido lidar com tudo, porque tem a habilidade de processar as coisas rapidamente e se concentrar no que precisa ser feito. Talvez seja uma forma de sobrevivência, ou talvez seja uma bênção ter uma perspectiva positiva, mas ela tem sido grata por este dom.
“Estou tentando tirar o melhor proveito desta situação, mas reconheço que outros estão lidando com isto de forma diferente”, disse Camiling. Recentemente, ela estava com alguém que se sentia sobrecarregada e desejava que os incêndios nunca tivessem acontecido. Camiling fez uma oração em seu coração naquele momento por sua amiga.
“Eu estava orando ao seu lado para que Deus lhe desse alguma luz e para que ela fosse grata e recebesse alguma inspiração”, disse ela. “Tudo o que precisamos, às vezes, é de algo pequeno para nos ajudar a passar o dia. Pode ser de momento a momento.”
Com esta oração e com cada esforço que ela faz para ajudar outras pessoas, Camiling se sente melhor, como se sua própria carga fosse aliviada. Fé é a coisa mais importante, disse ela.
Membros da Igreja em toda a Califórnia, que sofreram perdas e reconstruíram após incêndios anteriores, como em Malibu e em Paradise, entraram em contato para oferecerem ajuda, esperança e conselhos aos afetados pelos incêndios de Palisades e Eaton.
Wendy Garff disse que alguns dos conselhos incluíam não se concentrarem tanto na construção das casas a ponto de se esquecerem de edificarem os jovens: fortalecê-los e encorajá-los neste momento de turbulência e incerteza.
Mike Christensen falou sobre o alcance e o apoio que recebeu. “Temos sentido tanto amor, generosidade e bondade.”
