,O templo de Jerusalém desempenhou um papel fundamental na adoração dos antigos israelitas. Ele se tornou o centro do sistema de sacrifícios que antes era realizado no tabernáculo portátil que acompanhava as tribos israelitas sob a liderança de Moisés e de seus sucessores. Agora, uma estrutura permanente e bela, construída com a riqueza do rei Salomão, o templo representava o melhor que eles podiam oferecer para a casa do Senhor.

O templo também se tornou um importante símbolo político, pois sua localização em Jerusalém, uma cidade cananeia não conquistada antes do pai de Salomão, o rei Davi, também representava a capital da monarquia. A adoração centralizada em Jerusalém também seguia a diretriz presente em Deuteronômio, de adorar no lugar onde o nome de Deus era mencionado, interpretado como Jerusalém (Deuteronômio 16:2, 6, 11).
No entanto, muitos viviam a certa distância de Jerusalém, então as festas de peregrinação, a Páscoa, a Festa das Semanas (Shavuot) e a Festa dos Tabernáculos (Sucot), se tornaram oportunidades três vezes ao ano para muitos viajassem a Jerusalém (alguns santuários em locais onde havia guarnições militares israelitas, como em Arad e Elefantina, no Egito, foram modelados segundo a estrutura básica do templo e podem ter tido exceções à regra).
O templo de Jerusalém também funcionava como um tesouro e depósito para os dízimos e as ofertas do povo. Portanto, não é de se surpreender que, mais tarde, tenha se tornado alvo de vários impérios e líderes do Oriente Próximo que desejavam saquear as riquezas do templo e demonstrar seu suposto domínio sobre o Deus dos israelitas. Infelizmente, o templo de Salomão foi destruído pelos babilônios por volta de 586 a.C.
Décadas depois, um templo em Jerusalém foi reconstruído, hoje comumente chamado de “segundo templo”, mas sem o mesmo esplendor e tamanho do Templo de Salomão, pois o povo não dispunha dos recursos necessários. Mesmo assim, ele ainda servia como local de sacrifício e de oração. Durante o reinado de Herodes, o Grande, o segundo templo se transformou em uma estrutura ainda maior por meio de um grande projeto de remodelação que se estendeu por décadas. Este templo foi o que Jesus visitou muitas vezes e em cujos pátios Jesus e os primeiros apóstolos ensinaram. O templo de Jerusalém foi destruído permanentemente pelos romanos em 70 d.C., pondo fim à existência de um templo em funcionamento na cidade ao longo dos últimos dois milênios.
Dentro do templo
Mas o que acontecia dentro do templo enquanto ele estava de pé? Em primeiro lugar, era bem diferente dos templos modernos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, onde várias práticas e cerimônias de convênio, como batismos vicários, investiduras e selamentos, acontecem hoje.
Como antigamente apenas os sacerdotes podiam entrar no edifício principal do templo, os pátios desempenhavam um papel muito mais importante. Era nos pátios do templo que os fiéis se reuniam para orarem, trazerem ofertas, doarem dízimos, ouvirem os mestres e os coros e buscarem acesso às bênçãos prometidas de redenção e de santidade que a adoração no templo oferecia.

O interior do templo era dividido em duas seções: o lugar santo e o Santo dos Santos. As duas seções eram separadas por uma cortina ou véu alto, pesado e bordado. O Santo dos Santos era acessível apenas ao sumo sacerdote uma vez por ano, no Dia da Expiação, quando o sangue do sacrifício era aspergido para purificar a comunidade.
Durante o período do primeiro templo, o Santo dos Santos abrigava a arca da aliança, um importante repositório de lembranças das grandes obras que Deus havia feito por seu povo. Hebreus 9:4). (1 Reis 8:9 menciona apenas as duas tábuas de pedra na época da dedicação do templo; talvez os outros itens tivessem sido removidos ou colocados perto da arca no Santo dos Santos, mas não dentro dela).
A arca possuía grandes figuras de querubins na parte externa que a “guardavam”, e às vezes era chamada de propiciatório, pois era vista como uma espécie de trono de onde Deus podia estender misericórdia. Infelizmente, a arca da aliança desapareceu quando os babilônios destruíram o primeiro templo, e existem diversas tradições sobre o que teria acontecido com ela, desde que teria sido escondida até que teria sido queimada.

O lugar sagrado abrigava a mesa dos pães da proposição, a menorá e o altar do incenso. Esses itens, que simbolicamente representavam a presença de Deus entre o povo e suas orações, que ascendiam a Ele, eram regularmente cuidados pelos sacerdotes. Imediatamente fora do templo ficavam o altar e a pia de bronze.
As ofertas individuais, familiares e comunitárias eram feitas no altar por sacerdotes e levitas, enquanto a pia permitia que se lavassem de todo o sangue dos sacrifícios de animais. Os requisitos para os sacrifícios, detalhados no livro de Levítico, variam dependendo do propósito e da época do ano (já que alguns estavam ligados a certas festas), mas, em geral, representavam contrição, arrependimento e renovação do compromisso com Deus.
Quando os sacrifícios não eram holocaustos totalmente consumidos no altar, porções desses sacrifícios eram compartilhadas entre os adoradores e os levitas/sacerdotes, como uma refeição sagrada, especialmente na Páscoa.

Ofertas e templos hoje
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é singular entre as denominações cristãs por continuar a construir e adorar em templos. Hoje, em vez de sacrifícios de animais e outras ofertas de alimentos, os santos dos últimos dias são convidados a oferecerem um coração quebrantado e um espírito contrito para propósitos semelhantes de redenção, purificação e santidade (ver Salmos 51:17; 3 Néfi 9:19–20).
Poderíamos descrever o antigo templo de Jerusalém como funcionando sob o Sacerdócio Aarônico, enquanto os templos de hoje estão sob o Sacerdócio de Melquisedeque, com seu poder selador.

Portanto, os templos de hoje se concentram no progresso individual, por meio dos convênios e do evangelho de Jesus Cristo, até a entrada simbólica na presença de Deus. Elementos dos templos antigos, como altares, o princípio do sacrifício, algumas vestimentas, os doze bois trabalhados, os véus e a casa do Senhor para o Seu nome e santidade, são adaptados a esse novo padrão.
Os templos nos lembram dos constantes esforços de Deus em nosso favor, da criação à redenção, para que possamos aprender, crescer, retornar e viver para sempre em Sua presença. O templo é o local do poder de Deus na Terra e o meio de compartilharmos desse poder por toda a eternidade.
— Jared Ludlow é professor de Escrituras Antigas na Universidade Brigham Young.

