Barry Wilcox ficou emocionado ao receber recentemente um convite para competir no handcycling [bicicleta adaptada e operada pelas mãos] pela equipe dos E.U.A. no 2023 UCI Para-Cycling Road World Championships [Campeonato Mundial de Paraciclismo da UCI de 2023 – em inglês], em agosto, em Glasgow, Escócia.
Chegando no início deste verão, o convite foi especialmente significativo para Wilcox, de 44 anos, porque, pela primeira vez, o mundial de paraciclismo será realizado em conjunto com os campeonatos mundiais para ciclistas sem limitações físicas e apresentará todas as categorias. A competição de 10 dias [em inglês], marcada para os dias 3 a 13 de agosto, é considerada “o maior evento de ciclismo de todos os tempos” [em inglês].

“Isso é especial para mim por causa da minha história no ciclismo”, disse Wilcox.
Aos 16 anos, Wilcox estava a caminho de se tornar um ciclista profissional e um atleta olímpico, competindo contra pessoas que mais tarde competiriam no Tour de France e em outras grandes corridas profissionais.
Sua vida mudou quando Wilcox sofreu um acidente de carro que o deixou paralisado.
Wilcox, um membro solteiro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias que mora em Gilbert, Arizona, refletiu sobre sua jornada em uma entrevista ao Church News.
“Eu definitivamente vi a mão do Senhor em várias partes da minha vida”, disse ele.
O que aconteceu com Barry Wilcox?
Wilcox disse que começou a aprender a andar de bicicleta aos 3 anos de idade. Aos 10 anos, ele estava participando de triatlos; dentro de mais três anos, ele estava competindo no ciclismo de rua.
Aos 16 anos, Wilcox havia vencido algumas corridas nacionais e era membro da equipe nacional júnior de ciclismo dos Estados Unidos. Ele estava perto de se tornar um ciclista profissional e aspirava competir nas Olimpíadas. Seu futuro parecia brilhante.
Certo dia, dirigindo para casa, depois de ficar acordado até tarde em um show na noite anterior, Wilcox adormeceu ao volante e bateu seu veículo. Ele acordou três semanas e meia depois em um hospital. Ele disse que sofreu seis fraturas no crânio, acrescentando rapidamente que não sofrer nenhum dano cerebral foi uma “grande bênção”, embora uma lesão na medula espinhal o tenha deixado paralisado da parte superior do tórax para baixo. Ele manteve a função na maior parte de seus braços, mas suas mãos e tríceps são fracos.
Antes do acidente, Wilcox havia mapeado a próxima década de sua vida em torno do ciclismo.
Após o acidente, ele se sentiu grato por ainda ter a capacidade física de viver uma vida independente, mas se perguntou: “Para que direção devo ir agora?”
Aprender a se tornar independente, incluindo como segurar utensílios, quebrar ovos, calçar meias e administrar suas necessidades pessoais e problemas médicos, tem sido uma luta, mas ele perseverou.
“Aprender a navegar pela vida como um tetraplégico não é fácil”, disse Wilcox. “Posso dizer honestamente que não tinha ideia do que estava reservado para mim.”

‘Vamos fazer isso’
Nos anos que se seguiram, Wilcox encontrou um caminho novo e gratificante.
Ele foi um instrutor adjunto na Salt Lake Community College. Ele participou do rugby em cadeira de rodas, fez pós-graduação e se tornou um fisiologista do exercício clínico registrado, ajudando as pessoas a maximizarem suas habilidades.
“É muito divertido ajudar as pessoas a descobrirem as coisas, quando se trata de dieta, rotina de exercícios e removerem barreiras para melhorar a saúde”, disse ele.
Ao longo do caminho, Wilcox começou a andar de handbike, um tipo de bicicleta movida pelos braços, ao invés das pernas.
Em 2015, ele soube que o paraciclismo havia desenvolvido uma categoria no handcycling, que permite que pessoas com menos função, como ele, possam competir no esporte.
“Eu pensei, ‘Vamos fazer isso, vamos começar agora’”, disse Wilcox.
Sua primeira corrida foi um percurso de 16 km e foi “apenas divertida”, disse ele. “Isso trouxe de volta todas as memórias e energia. Foi empoderador.”
Nos anos seguintes, Wilcox treinou e viajou para competir em eventos internacionais, melhorando gradativamente com o tempo.
‘Completamente revigorado’
Wilcox se classificou para a equipe dos E.U.A. no início de 2022, mas precisava tirar um tempo do handcycling competitivo para lidar com “o estresse da vida” e cuidar de si mesmo, disse ele.
Durante esse tempo, ele foi selecionado pelo programa “PossAbilities” [em inglês] de treinamento paralímpico da Universidade de Loma Linda, na Califórnia, e começou a treinar com atletas de handcycling de alto desempenho.
“Minha atitude mudou”, disse ele. “Fiquei completamente revigorado com essas mudanças.”
A Universidade de Loma Linda, um sistema de ensino superior da Igreja Adventista do Sétimo Dia, exige que seus atletas de paraciclismo selecionados defendam valores cristãos, algo que o santo dos últimos dias apreciou.
“É um privilégio fazer parte e representar tal organização como um cristão como eu”, disse Wilcox.
De volta à sua handbike, Wilcox entrou no cenário internacional nos estágios finais da temporada de 2023 e começou a ganhar medalhas.
No início de maio, ele viajou para Ostend, na Bélgica, onde fez sua corrida de estreia e conquistou a primeira medalha de copa do mundo de sua carreira, um bronze, na competição Copa do Mundo de Paraciclismo de Estrada da UCI de 2023.
“Depois de muitos anos no handcycling, conquistei minha primeira medalha na copa do mundo, ficando em terceiro lugar na prova de tempo aqui na Bélgica. Sinto-me animado e grato. Que privilégio é pedalar”, escreveu ele em uma postagem no Instagram [em inglês]. “Quase desisti no ano passado, porque não estava progredindo como queria, e isso foi culpa minha. Eu sabia que tinha esse [potencial] em mim, mas deixei certas coisas me impedirem.”
Mais tarde, no mesmo mês, Wilcox ganhou outro bronze na Copa do Mundo de Paraciclismo da UCI em Huntsville, Alabama. Ele foi um dos cinco membros da equipe dos E.U.A. a ganhar uma medalha no evento.
“Empolgado com outro pódio com o terceiro lugar na prova de tempo em Huntsville, Alabama, na primeira Copa do Mundo de Paraciclismo já realizada nos Estados Unidos”, escreveu Wilcox em uma postagem no Instagram [em inglês].

Gratidão pelo evangelho
Wilcox está ansioso para ir à Escócia, para participar do maior evento da história do ciclismo, com milhares de ciclistas de todo o mundo.
“Será incrível”, disse ele. “Algo enorme.”
Se tudo correr bem, Wilcox espera uma chance nas Paralimpíadas de Paris de 2024.
Refletindo sobre sua jornada, Wilcox expressou gratidão por sua fé e pelo evangelho de Jesus Cristo. Ele também atribuiu seu sucesso ao trabalho árduo e ao estabelecimento de metas.
“Ele é uma força, uma âncora, uma luz. Ele é um exemplo e um grande guia”, disse Wilcox sobre o Salvador. “A experiência leva à verdade. Sem experiência pode ser difícil ver a realidade nas coisas. Descobri que se eu trabalhasse duro, arriscasse, fosse consistente e tivesse um objetivo final, o caminho seria muito mais fácil.”

