Na celebração após o 5.000º episódio de “Música e Palavras de Inspiração”, ex-membros do Coro do Tabernáculo da Praça do Templo presentes na plateia foram convidados a se dirigirem à frente do Centro de Conferências de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em Salt Lake City.
O momento foi um convite não planejado e improvisado. Os membros do coro, tanto atuais quanto antigos, acompanhados pela Orquestra da Praça do Templo, apresentaram duas músicas para encerrar o programa de 13 de julho de 2025: “Já Refulge a Glória Eterna” e a canção de despedida “Deus Vos Guarde”.
Todd Russell, que cantou como tenor no Coro do Tabernáculo por sete anos e foi desobrigado em maio de 2025, disse que fazer parte daquele momento o ajudou a “entender o legado e quantas pessoas nos apoiam para fazermos parte deste coro incrível. …
“Percebi o que nos une em certas músicas que vi todos os ex-membros do coro cantarem. ‘Já Refulge a Glória Eterna’ e ‘Deus Vos Guarde’ são definitivamente especiais para todos nós”, disse ele.
Com suas batidas iniciais de tambores e toque de trombeta, “Já Refulge a Glória Eterna” tem sido interpretado pelo Coro do Tabernáculo, composto por 360 vozes, há décadas e em concertos ao redor do mundo.
Este ano, a interpretação de “Já Refulge a Glória Eterna” [em inglês] pelo Coro e Orquestra do Tabernáculo, com arranjo de Peter Wilhousky, faz parte da “America’s Soundtrack” [Trilha Sonora da América], uma coleção musical nacional criada para comemorar o 250º aniversário dos EUA. A trilha sonora está disponível no canal America250 do YouTube [em inglês].
“A música do Coro do Tabernáculo inspira sentimentos de esperança e paz”, disse o presidente do Coro do Tabernáculo, Michael O. Leavitt, no anúncio da inclusão do coro na “Trilha Sonora da América” [em inglês].
A música do coro, “Já Refulge a Glória Eterna”, gravada com a Orquestra da Filadélfia, ganhou um Grammy em 1959 [em inglês] na categoria de Melhor Performance de um Grupo Vocal ou Coro, e o coro participou da primeira transmissão televisiva da premiação.
“Ao ganhar um Grammy em 1959 por ‘Já Refulge a Glória Eterna’, o coro estabeleceu que não era uma força apenas no rádio, em salas de concerto distantes e em sua sede no Tabernáculo, mas também no ramo da gravação”, escreveu Heidi Swinton em “America’s Choir: A Commemorative Portrait of the Mormon Tabernacle Choir” [O Coro da América: Um retrato comemorativo do Coro do Tabernáculo Mórmon], publicado em 2004.
Apresentando ‘Já refulge a Glória Eterna’
As apresentações do hino da época da Guerra Civil pelo coro remontam ao final da década de 1940, quando uma gravação de “Já Refulge a Glória Eterna” foi feita em 25 de abril de 1949 para a convenção da Sociedade de Engenheiros Acústicos Americanos, em Nova York, segundo as cronologias do coro.
“Já Refulge a Glória Eterna” era frequentemente cantado como bis em concertos de turnê, muitas vezes sob a regência de um maestro convidado, de acordo com informações do coro. Esses locais incluem a Ópera de Sydney, na Austrália; Nauvoo, Illinois; o Arco Gateway de St. Louis, no Missouri; West Point, Nova York; e o Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, Brasil. Além disso, o coro cantou “Já Refulge a Glória Eterna” no Monte Rushmore, na Dakota do Sul [em inglês], para a transmissão da Telstar, o primeiro programa internacional de televisão via satélite, em 23 de julho de 1962.
O coro já se apresentou para presidentes dos EUA, inclusive no Tabernáculo de Salt Lake, quando o presidente John F. Kennedy visitou Salt Lake City em 1963, e em um carro alegórico de 33 metros[em inglês]no desfile de posse do presidente Ronald Reagan, em 1981. Ele apelidou o grupo de “Coro da América”.
E o coro cantou “Já Refulge a Glória Eterna” [em inglês] na conferência geral pela primeira vez no domingo, 6 de abril de 1958, na sessão da manhã (um arranjo da música para canto congregacional se encontra em “Hinos”, nº 180, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias).
A tradição de cantá-la como bis continua. Na recente turnê plurianual e em diversas cidades do coro e da orquestra, intitulada “Canções de Esperança”, a canção foi apresentada como bis no Auditório Nacional da Cidade do México, México, em 2023; no Mall of Asia, em Manila, Filipinas, em fevereiro de 2024; e no sudeste dos Estados Unidos: na Flórida, além de dois concertos na Geórgia, em setembro de 2024. Ela também foi executada durante um concerto inter-religioso em Lima, Peru, em fevereiro de 2025.

A ligação telefônica das 2 da manhã
O plano de incluir “Já Refulge a Glória Eterna” na sessão de gravação de 1958, com o coro e a Orquestra da Filadélfia, exigiu alguma persuasão.
Em preparação para a “Grande Turnê Americana” do coro pelo Centro-Oeste e Costa Leste dos Estados Unidos, o diretor do coro, Richard P. Condie, e o maestro da orquestra, Eugene Ormandy, coordenaram e planejaram quais músicas seriam apresentadas e gravadas em conjunto.
Eram 2 da manhã quando Condie ligou para Ormandy para lhe dizer que havia uma música que ele gostaria de apresentar. Condie “pediu a Ormandy que analisasse uma partitura que ele achava que funcionaria bem e que o coro já havia apresentado antes: ‘Já Refulge a Glória Eterna’”, registra a biografia de Condie, “Under My Baton: Richard P. Condie with the Mormon Tabernacle Choir” [Sob minha batuta: Richard P. Condie com o Coro do Tabernáculo Mórmon], de Vicki Alder. Condie foi nomeado diretor do coro em 1957.
“Ormandy ligou para ele mais tarde e disse que não estava muito animado com a ideia e não tinha certeza se seria boa. No entanto, incentivado por Condie, ele cedeu e concordou em incluí-la em uma gravação”, conforme relatado na biografia de Condie.
Durante a “Grande Turnê Americana” de 1958, o coro e sua equipe viajaram de trem por 23 dias, entre outubro e novembro. As cidades onde se apresentaram incluíam Wichita, Kansas; St. Louis, Missouri; Columbus, Ohio; Washington, D.C.; Filadélfia, Pensilvânia; Boston, Massachusetts; Nova York; Toronto, Canadá; Detroit, Michigan; e Chicago, Illinois, conforme noticiado pelo Church News sobre a turnê. Em cada local, a imprensa elogiou as apresentações do coro.
Em Washington, D.C., os membros do coro se apresentaram no Constitution Hall e na Casa Branca para o presidente Dwight D. Eisenhower. Na cidade de Nova York, cantaram no Carnegie Hall e participaram do programa de televisão “Ed Sullivan” [em inglês]. O coro apresentou o programa “Música e Palavras de Inspiração” fora do Tabernáculo por três semanas, com transmissões de Washington, D.C., Filadélfia e Detroit, conforme noticiado pelo Church News.
Enquanto estavam na Filadélfia e em Nova York, o coro e a orquestra gravaram o “Messias”, de George Frideric Handel, e outras canções, incluindo “Já Refulge a Glória Eterna.”

Em 1959, “Já Refulge a Glória Eterna” foi lançado no álbum intitulado “The Lord’s Prayer” [A Oração do Senhor – em inglês], pela gravadora Columbia Records e também foi lançado como single em 45 rpm. A canção chegou ao top 20 da lista da Billboard e vendeu mais de 300.000 cópias, de acordo com informações do coro.
“Já Refulge a Glória Eterna” se tornou rapidamente a favorita de milhões de pessoas que raramente compram gravações “clássicas”. Era impossível não ouvi-la várias vezes durante um dia típico de rádio, uma vez que os locutores a incluíam em suas listas de reprodução mais tocadas”, escreveu Charles Jeffery Calman em “O Coro do Tabernáculo Mórmon”, publicado em 1979. “O sucesso de ambas as gravações indicou a capacidade do coro moderno de atrair um público popular enquanto interpretava música essencialmente sacra e clássica.”
O coro teve a oportunidade de cantá-la no palco na primeira cerimônia televisionada dos Grammy Awards da Academia Nacional de Artes e Ciências da Gravação, em 29 de novembro de 1959.
A história de ‘Já Refulge a Glória Eterna’
A música de “Já Refulge a Glória Eterna” remonta ao hino “Say, Brothers, Will You Meet Us?”, também conhecido como “Glory Hallelujah”, frequentemente atribuído a William Steffe, mas provavelmente originário de um cântico espiritual de acampamento religioso, explica o artigo “Civil War Music: The Battle Hymn of the Republic” on American Battlefield Trust” [Música da Guerra Civil: Já Refulge a Glória Eterna no American Battlefield Trust], em battlefields.orge AmericanMusicPreservation.com [ambos em inglês].
Na época da Guerra Civil, a melodia já era cantada com a letra de “John Brown’s Body”, associada ao abolicionista John Brown, que foi enforcado na Virgínia em dezembro de 1859.
Em novembro de 1861, Julia Ward Howe estava visitando acampamentos do exército da União perto de Washington, D.C., com seu marido, o Dr. Samuel Gridley Howe, que era membro da Comissão Sanitária Militar do presidente Lincoln, e o Reverendo James Freeman Clarke.
Os homens no acampamento começaram a cantar algumas das canções populares, incluindo “John Brown’s Body”, e o Reverendo Clarke sugeriu que ela escrevesse uma nova letra para a música.
Na manhã seguinte, Julia Howe disse que “acordou… no cinza do amanhecer e, para sua surpresa, descobriu que os versos desejados estavam se organizando em sua mente. Permaneceu imóvel até que a última estrofe se completasse em seus pensamentos, então se levantou apressadamente, dizendo a si mesma: ‘Vou perder isso se não anotar imediatamente.’”
Sua letra foi publicada na revista Atlantic Monthly em fevereiro de 1862.




