Os artefatos estão dispostos para contar a história da Restauração.
Ao entrar na sala e virar à direita, é possível ver os manuscritos usados durante a tradução do Livro de Mórmon e a revisão inspirada da Bíblia. Ao continuar no sentido anti-horário, podemos ver onde a porta da Cadeia de Liberty é exibida. Apenas alguns passos depois estão pinturas originais de Joseph e Emma Smith, acompanhadas de cartas de Joseph para Emma.
Vistos em conjunto, os artefatos, recentemente adquiridos da Comunidade de Cristo, tornam a Restauração e o evangelho de Jesus Cristo reais, disse a curadora de arte do Museu de História da Igreja, Laura Paulsen Howe.
“Esse é realmente o propósito da arte e dos artefatos quando entramos. … Dar às pessoas a oportunidade de se conectarem com a história sagrada é o que esperamos realizar no Museu de História da Igreja”, disse ela.
Howe compartilhou seus pensamentos na segunda-feira, 25 de março, durante a abertura de “Sacred History: Treasures from the Restoration of the Gospel of Jesus Christ” [História Sagrada: Tesouros da Restauração do Evangelho de Jesus Cristo – em inglês], no Museu de História da Igreja em Salt Lake City, Utah.
No mesmo dia, a Igreja reiniciou os tours pelo Templo de Kirtland, em Ohio.
A nova exposição, que continuará até 26 de outubro, apresenta uma série de documentos e artefatos significativos, recentemente adquiridos por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Após o encerramento da exposição, os historiadores avaliarão se os artefatos precisam de algum trabalho adicional de restauração ou preservação, disse a diretora do Museu de História da Igreja, Riley Lorimer, enfatizando que a Comunidade de Cristo fez um trabalho “incrível” cuidando desses itens.
Lorimer disse que não tem um número projetado de visitantes para a exposição, mas espera uma participação robusta, especialmente porque, para as pessoas que vivem ao longo do corredor Wasatch, em Utah, a nova exposição é mais acessível do que locais como Kirtland, Ohio, ou Nauvoo, Illinois.
“Minha esperança é que as pessoas não apenas venham e aprendam algo sobre a história que não conheciam antes, mas que tenham uma experiência na presença desses itens físicos que ajude a falar com elas sobre o sacrifício que os primeiros os membros da Igreja foram obrigados a fazer para seguirem sua fé e o cuidado, o amor e a misericórdia que Deus demonstrou por eles”, disse Lorimer.
Documentos importantes na história da Igreja
A Igreja de Jesus Cristo anunciou no dia 5 de março que havia adquirido da Comunidade de Cristo o Templo de Kirtland, o primeiro templo construído nesta dispensação.
O acordo histórico também incluiu a transferência de vários edifícios importantes em Nauvoo, incluindo a Propriedade da Família Smith, a Mansão de Nauvoo, a Casa de Nauvoo e a Loja de Tijolos Vermelhos.
Documentos e artefatos significativos também foram incluídos na transação. Alguns, como a bengala de Emma Smith e a cadeira de balanço de Lucy Mack Smith, ficarão em Kirtland e Nauvoo, onde são mais úteis na interpretação dos locais aos quais pertencem.
Mas outros estão agora expostos no Museu de História da Igreja. Um expositor, por exemplo, exibe manuscritos usados na tradução do Livro de Mórmon e na Tradução de Joseph Smith da Bíblia, incluindo a Bíblia usada na Tradução de Joseph Smith; registros de revelação contínua; e um documento com o título de “Caractors” [Caracteres], que pode conter uma amostra de inscrições das placas de ouro.
Spencer McBride, historiador administrativo associado dos Documentos de Joseph Smith, disse que o maior risco para o papel antigo é a exposição à luz e o manuseio, por isso os documentos de tradução são mantidos atrás de vidros, em caixas expositoras que só acendem quando as pessoas estão olhando ativamente para os objetos. Para quem quiser ver mais de perto, no entanto, cada página está disponível on-line através dos Documentos de Joseph Smith [em inglês], como uma imagem colorida de alta resolução.
McBride disse que aprecia particularmente a “bagunça” dos documentos de tradução. Isto o faz lembrar que a tradução não era necessariamente uma tarefa simples e que as pessoas sempre foram imperfeitas.
“Às vezes, creio eu, é muito fácil imaginarmos que Joseph falou uma palavra e ela foi perfeita desde o momento em que ele a pronunciou. Este não foi o caso”, disse McBride. “A revelação exigiu esforço para ele. A revelação levou tempo, exigiu energia. E isso fica demonstrado na bagunça, nas palavras riscadas. [Ele estava] encontrando as palavras certas para transmitir a revelação.”
Além do significado dos documentos em si, McBride disse que as páginas oferecem informações sobre as pessoas que as criaram. Considerando como os escritores estavam tentando contribuir para a Restauração e trazer o poder do céu para suas vidas é “onde encontramos a verdadeira e forte conexão com as pessoas.”
Os documentos, continuou ele, demonstram a realidade dessas pessoas e acontecimentos.
“Estes documentos são testemunhas de momentos sagrados da história”, disse McBride, acrescentando: “A vida na década de 1830 era muito diferente da vida agora, mas em alguns aspectos, [era] na verdade notavelmente semelhante. Estas pessoas não são tão diferentes de vocês e eu. … E essa é a sensação que realmente temos quando vemos documentos e artefatos pessoalmente.”
A porta da Cadeia de Liberty
Depois de verem os documentos traduzidos, os visitantes da exposição chegarão à porta da Cadeia de Liberty.
Lorimer, diretora do Museu de História da Igreja, disse que a porta é um registro “poderoso” do tempo que Joseph Smith passou na Cadeia de Liberty durante o outono e inverno de 1838-1839. Durante esse período, Joseph recebeu revelações agora encontradas nas seções 121 a 123 de Doutrina e Convênios, que Lorimer chamou de textos “comoventes” sobre se perguntar onde Deus está.
“E ter a porta aqui… evoca esta experiência. Podemos imaginar como é estar preso atrás de uma porta grande e pesada como esta”, disse ela.
Esta seção da exposição também inclui uma citação de Mercy Fielding Thompson, cunhada de Hyrum Smith, que certa vez visitou a Cadeia de Liberty durante a noite com a esposa de Hyrum, Mary Fielding Smith. Sobre essa experiência, Mercy escreveu: “Enquanto durar a memória, permanecerão em minha lembrança as dobradiças rangentes daquela porta que se fechou sobre os homens mais nobres da terra. … Mas eu venderia a honra que me foi concedida de ter sido presa com tais personagens por ouro? Não. Não.”
Lorimer disse que as palavras de Mercy combinadas com a porta da Cadeia de Liberty dão vida à história de uma forma que seria difícil de realizar de outra forma.
Ela acrescentou que uma das formas mais poderosas de desenvolver a fé é testemunhar a fé de outros, incluindo as pessoas na história.
A exposição é “uma boa maneira para as pessoas refletirem [sobre] não apenas… o que Deus fez por Seu povo no passado, mas o que Ele pode fazer em sua própria vida”, disse Lorimer.
As pinturas e cartas
A seção final da exposição inclui pinturas de Joseph e Emma Smith, bem como cartas de Joseph para Emma.
Howe, curadora de arte do Museu de História da Igreja, disse que as pinturas são duas das “muito poucas” feitas a partir de Joseph e Emma. Elas são atribuídas a David Rogers, um membro da Igreja que, segundo o diário de Joseph, passou vários dias em setembro de 1842 trabalhando em uma pintura do Profeta.
As pinturas também estabeleceram o precedente para todas as pinturas de Joseph e Emma que vieram depois, disse Howe, e é por isso que Joseph é frequentemente retratado com um colarinho alto e uma gravata bem amarrada, e Emma é frequentemente retratada vestindo roupas bordadas e um colar de contas de ouro.
Howe disse que embora muitas pessoas provavelmente tenham visto as pinturas separadamente, provavelmente não viram as pinturas penduradas juntas, e elas foram feitas para serem vistas juntas.
Elas eram tão importantes para Emma que ela as exibiu em todas as casas onde morou pelo resto da vida, disse Howe.
As pinturas “contam a história de Joseph e Emma”, que foram uma “força importante” na Restauração, enquanto trabalhavam e lutavam juntos e constituíam a família.
Abaixo das pinturas estão sete cartas de Joseph para Emma. Em uma delas, escrita de Nova York em 1832, enquanto Emma estava grávida, ele a conforta e a lembra que Deus é o seu “amigo no céu.” Em outra, escrita em 1834 na Virgínia, Joseph diz a Emma que suas cartas são um consolo em seus “momentos solitários, que não [são] facilmente descritos.”
Talvez a carta mais marcante seja a escrita em Carthage, Illinois, na manhã de 27 de junho de 1844, o dia do martírio de Joseph. No pós-escrito, ele escreve: “Estou muito resignado com a minha sorte, sabendo que estou justificado e fiz o melhor que poderia ser feito.”
Falando no podcast do Church News, Élder Kyle S. McKay, Setenta Autoridade Geral e historiador e registrador da Igreja, disse que esta carta de Carthage, como muitos documentos associados à história da Igreja, foi ditada por Joseph e escrita por outra pessoa. Mas o pós-escrito desta carta está rabiscado com a caligrafia do próprio Joseph.
“[É] como se ele quisesse dizer: ‘Agora, Emma, somos só você e eu. Ninguém aqui está entre nós. Ninguém está escrevendo isso para mim’”, disse Élder McKay, acrescentando: “Isso diz muito sobre Joseph e Emma, como era seu relacionamento, mas também como ele morreu. Ele morreu com o seu relacionamento naquela condição.”
Howe, assim como seus companheiros do Museu de História da Igreja, reiterou a realidade que ver as cartas de Joseph traz aos eventos sagrados.
“Estes são objetos históricos importantes”, disse ela, “mas também são objetos que ajudam a tornar real a história da Restauração, do evangelho de Jesus Cristo.”
